Ponto Vermelho
Futebol: encerrar com chave de ouro;
FIFA: que dizer?

29 de Maio de 2015
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Tem hoje lugar a derradeira etapa da temporada encarnada com a participação em Coimbra na final da Taça da Liga com o Marítimo. Depois da coincidência da última jornada ter determinado o mesmo adversário no Estádio da Luz, Coimbra será o palco autónomo para o encerramento que se espera venha a consagrar os encarnados como vencedores de mais um troféu que alguns se esforçam por desvalorizar mas que, depois de ter atravessado algumas dificuldades, quer queiram quer não já ocupa um lugar muito próprio no panorama do futebol nacional. Só que como o Benfica tem sido o grande açambarcador dos troféus é natural que alguns se esforcem por desvalorizá-lo. Por nós podem continuar…

Mas, aparte o incrível fenómeno da relva do Estádio Nacional estar alta e secar rapidamente, o enorme destaque da actualidade foi o recente abalo telúrico provocado pela justiça norte-americana com ramificações em vários pontos do globo e epicentro situado em Zurique onde atingiu a naturalmente a maior intensidade. Um acontecimento de grandes proporções que só pode surpreender os mais desatentos face aos fortes indícios que se vinham a manifestar ininterruptamente de há vários anos (muitos) a esta parte. A conjugação da fraqueza do factor humano, a ambição dos Homens e a existência de bens materiais sobretudo quando eles atingem centenas de milhões bem como o poder e o controlo que estes transmitem, é um cocktail altamente explosivo que vai aumentando a bola de neve até situações inimagináveis.

Tem sucedido desde os primórdios da Humanidade e por mais que sejam introduzidos e implementados esquemas de controle tentando minimizar ou eliminar o impacto de factores marginais de negócio envolvendo corrupção e tráfico de influências, tem havido sempre casos que ilustram que essa é uma guerra de dimensão vastíssima, muito difícil e complicada de vencer. É verdade que ao longo dos tempos têm sido feitos progressos pelos bons mas, diz-nos a sequência de acontecimentos que vencida mais uma batalha, a guerra permanece pois pode ser despoletada num qualquer outro lugar. Passe o exagero da comparação, faz-nos lembrar a situação das fechaduras; quando é descoberta uma mais segura e sofisticada já o outro lado progrediu e não demora a descobrir o segredo…

No caso que tem feito manchetes em todo o Mundo – a detenção de 14 elementos da FIFA entre os quais se incluem 7 dirigentes – que se aprestavam para participar em Zurique no Congresso de Coroação do ex-Coronel Joseph Blatter, a única e verdadeira surpresa foi ter acontecido, para mais em vésperas de mais um plebiscito da FIFA previsto para 30 de Maio. Levando em linha de conta que segundo a procuradora-geral americana o apuramento dos factos ainda está no princípio, ao timing da divulgação pública não deverão naturalmente ser alheias as eleições para o organismo que superintende o Futebol Mundial no próximo Sábado.

De facto, perante acontecimentos desta magnitude, mandaria o bom senso, a ética e a razão que de imediato o presidente Blatter se demitisse, sendo que paralelamente as eleições deviam ser adiadas por um período mínimo de 6 meses até que a situação podesse eventualmente sofrer uma maior clarificação. É que as acusações a altos dirigentes da FIFA são mesmo muito graves e estão a dar origem à maior e mais complexa crise da sua existência. Conforme anunciado, Blatter não se demite e mantem o firme propósito de avançar para a reeleição, o que configura uma nítida fuga para a frente de consequências imprevisíveis. Depois do sufrágio, com que legitimidade fica Blatter e que moral resta às Federações e Confederações que o elegeram? Face a isso, nem sequer surpreendem as surreais declarações do director de comunicação da FIFA o italo-suiço Walter De Gregorio…

As décadas que entretanto passaram e foram ajudando a sedimentar os esquemas corruptivos mais tenebrosos na FIFA, parecem ter transmitido à Organização e aos seus dirigentes um sentimento de total impunidade e até mesmo de inimputabilidade que os convence que nada lhes acontecerá. A experiência do passado confirma tudo isso, veremos agora se o presente e o futuro trarão alterações substanciais ao esquema que tem vigorado e feito lei. Para já há fumo intenso que promete vir a transformar-se num incêndio de grandes proporções, mas por algumas experiências ocorridas no passado o melhor é esperar pois só daqui a mais algum tempo se poderá avaliar cabalmente os impactos que este ataque da justiça norte-americana irá produzir. Alguns já se sentem atingidos e a política fez a sua aparição, o que torna mais atraentes e curiosos os próximos tempos…








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