Ponto Vermelho
Fim de época, novos desafios
2 de Junho de 2015
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1. Com a realização no espaço de quarenta e oito horas das finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal, foi finalmente colocado um ponto final na época desportiva no que ao futebol profissional diz respeito. Pelo que se observou parece não restarem dúvidas de que, no futuro, urge repensar a calendarização das provas para evitar alguma confusão e dispersão de atenções uma vez que há diversos interessados para além dos protagonistas, a começar pelos patrocinadores das provas que certamente não terão gostado deste aperto de calendário. Até porque estavam em cena os dois principais clubes de Lisboa que como se sabe arrastam e concentram boa parte das atenções dos adeptos.

2. O balanço e as conclusões já começaram a ser feitas, com alegrias, tristezas, convicções, apreensões e esperança no futuro, muito embora a próxima temporada há muito tenha começado a ser preparada sobretudo nas principais equipas onde os desafios e as exigências se colocam de forma perene em termos internos e externos. Com as regras do jogo a alterarem-se e a situação económica a agravar-se, observa-se um claro direccionamento das principais instâncias do futebol para uma participação mais selectiva das equipas nas provas europeias. Por via disso as dificuldades aumentam a cada ano que passa, restando aos clubes periféricos e menos apetrechados descobrirem formas imaginativas de sobreviver e serem competitivos, sabendo-se a importância que para eles representa a participação nas provas europeias nomeadamente na Liga dos Campeões.

3. Concluídas portanto as provas internas é possível observar que os candidatos à prova maior continuam outra vez a ser os mesmos (tal como aliás na generalidade dos outros países europeus), diferindo o número de equipas que se incluem numa tendência que se tem vindo a acentuar face à nossa modesta participação, onde apenas o FC Porto que foi beneficiando de sorteios sempre simpáticos até aos quartos-de-final teve um percurso digno de registo. Veremos o que sucederá na próxima época mas, aparte uma maior ou menor fortuna no acasalamento do sorteio e no mérito que podem ajudar a participações mais felizes e prolongadas, existem fundamentadas razões para estarmos apreensivos dada a conjuntura que nos é manifestamente desfavorável.

4. Sendo uma realidade objectiva que temos que enfrentar, importa antes do mais continuar a preparar a próxima temporada com optimismo, convicção e a esperança de que mais pode ser feita com menos. Os portugueses nesse particular são grosso modo imaginativos e assim sendo, há sempre a expectativa de que poderão fazer sair coelhos da cartola, que ajudem a ultrapassar de algum modo as limitações existentes e das quais não é possível escapar. Nem sempre muitos e suculentos ovos dão para fazer grandes e saborosas omoletes como aliás se viu com o FC Porto desta época que pela primeira vez nos últimos 30 anos de gestão ininterrupta de Pinto da Costa conseguiu a proeza de não vencer qualquer prova para desgosto dos seus adeptos e simpatizantes que estavam mal habituados…

5. No princípio da semana após ter terminado a temporada, é ainda muito cedo para projectar o que quer que seja. Até porque nos dois principais clubes de Lisboa ainda não foram confirmados os seus técnicos, apesar de no Sporting Marco Silva estar sob contrato prolongado. Mas a avaliar pelo mau relacionamento, permanente mau estar e pelos recados trocados entre presidente e treinador que são públicos, a sua permanência parece estar em risco, muito embora pelas várias experiências do passado não seja de todo impensável um volte-face. Já se sabe como as coisas no Sporting são imprevisíveis…

6. No Benfica a situação é diferente pois Jorge Jesus está prestes a concluir o último contrato. Como seria previsível, tendo a discussão sido adiada por consenso para o final da época, a especulação tomou conta do assunto. Até porque se são conhecidas algumas das posições de Luís Filipe Vieira sobre o tema, existe como é óbvio um conjunto alargado de questões que terão que ser discutidas detalhadamente face à presente conjuntura e em função das repetidas insistências do presidente sobre uma aposta mais forte e consequente na Formação agora que ela entrou em velocidade de cruzeiro. Por sua vez Jesus estará porventura numa encruzilhada dado que o apelativo estrangeiro poderá ser uma tentação, mas em face da projecção que alcançou ao serviço do Benfica e até mesmo da sua idade, os clubes com estatuto disponíveis estão já todos ocupados. Não resta alternativa senão aguardarmos pelo desenlace que poderá ser muito em breve, tendo sempre presente que a estabilidade é sempre a alternativa melhor e mais aconselhável.








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