Ponto Vermelho
O desfile…
6 de Junho de 2015
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Sendo uma transferência impactante que ganhou protagonismo porque se configurou na opinião de grande parte dos adeptos e da imprensa como um "roubo" da actual Direcção do Sporting ao Benfica, repetindo (ainda que com outros contornos rodeados de dramatismo), o protagonizado pelo antigo presidente leonino José Sousa Cintra ao incentivar as rescisões do emblema encarnado e respectivas transferências para o grémio leonino dos então jogadores benfiquistas Pacheco, Paulo Sousa e João Pinto (travada in-extremis), o próximo destino de Jorge Jesus para Alvalade promete agitar o defeso e fazer subir a temperatura no Verão que se aproxima.

Como é da praxe esta ocasião caiu como sopa no mel e tem sido aproveitada pelos muitos comentadores, opinadores e quejandos da nossa praça para, a par de opiniões equilibradas e sérias, debitarem fel com doses maciças de especulação e tentarem acertar as contas na sua militância anti-benfiquista ou, se quisermos, ao presidente e à direcção encarnada. Nesse rol imenso e diversificado não faltaram como é natural os opinadores dos monólogos das terças-feiras, os pertencentes ao restricto clube dos pró-Jesus (uma forma hábil de verberar LFV) e, ainda, alguns elementos que a coberto da simpatia pelo emblema da Cruz de Cristo aproveitam para propagandear as suas inclinações. Alguns outros apanharam boleia...

Não sendo de agora mas uma postura de sempre, é certo e sabido que nada melhor para desenvolver teorias da conspiração das quais fazem alarde sempre que as circunstâncias lhes são favoráveis. E agora deixá-los ser por alguns momentos, porque o Benfica é demasiado grande para se estar a preocupar com estratégias já gastas de tanto ser usadas e por isso sem futuro. Falando dos profissionais, mandaria o rigor, a ética e a independência produzirem uma boa informação; rigorosa, credível e objectiva por forma a elucidar os adeptos e a opinião pública em geral e os dos dois rivais em particular.

Alguns, os do costume, continuam a esforçar-se nesse sentido e merecem o nosso apreço e consideração mesmo que deles discordemos em vários aspectos, comentários e considerações. Mas a grande maioria que nunca despe a camisola, pelas diatribes, imprecisões e pseudo-verdades, percebemos que nunca hão-de mudar o chip. Mas também nos apercebémos que face aos dados e informações antagónicas publicadas em vários órgãos de informação, que o rigor da informação é uma fava, confundindo-se de forma propositada pequenas verdades com especulação e ausência de dados objectivos e rigorosos.

Como é evidente há elementos e informações que se contradizem consoante a origem. Mas bastaria um olhar mais atento e imparcial, para com os dados disponíveis e sinais que vieram a público formar uma opinião minimamente isenta e credível para que se possa avaliar quem terá falhado esquecendo duas das mais sagradas virtudes do ser humano: a lealdade e a gratidão. Pela nossa parte temos olhado com sorrisos incontidos ao esforço que alguns fazem para tentar justificar o que, aparentemente, nunca há-de ter explicação plausível a não ser a óbvia...

Formulemos pois algumas questões tentando, ao mesmo tempo, encontrar respostas. Depois do recorde de 6 épocas no Benfica com altos e baixos, era ou não legítimo que as partes (ou uma delas) pusessem termo à ligação? Afirmativo; É ou não verdade que durante todo o consulado de Jesus, o Benfica investiu em aquisição de jogadores verbas avultadíssimas? Sem dúvida; É ou não real que o Benfica por força dessa política despesista realizou, em simultâneo, importantes encaixes com a venda de jogadores? Certo; É ou não uma realidade que perante o apertado fair-play financeiro da UEFA, LFV vinha há muito a alertar que estando a Formação em plena laboração, o Benfica teria que prestar mais atenção aos potenciais talentos como forma de reduzir o investimento em jogadores? Também é verdade; A não ser nesta última época em circunstâncias adversas, quantos jogadores Jesus potenciou na equipa principal? Alguém se lembra por acaso?

Os benfiquistas reconhecem em Jesus mérito e potencialidades que teve oportunidade de desenvolver devido ao privilégio que teve de treinar o Benfica onde beneficiou de condições que nenhum outro treinador antes dele teve. Mas, pelo que se observa, não parece ter maleabilidade suficiente para se adaptar à eventual perspectiva de uma nova conjuntura. E, atendendo a que nunca foi um treinador consensual quer entre os adeptos, quer em termos de Direcção e SAD, deveria ter demonstrado uma atitude de gratidão para quem o defendeu contra ventos e marés quando tinha caído em desgraça e era reclamada insistentemente a sua saída. Não o fez por razões que só ele sabe e isso é verdadeiramente o que magoou. Porque ter ido para o eterno rival não nos preocupa dado que o seu ciclo no Benfica alguma vez teria fim. E sabendo-se como Jesus gosta de engordar a sua conta bancária perante uma proposta daquela magnitude, nem mesmo o facto de ir para o seu clube do coração o levou a ser generoso e fazer um desconto…






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