Ponto Vermelho
Os “porta-vozes”…
8 de Junho de 2015
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1. Enquanto o FC Porto se rebola de satisfação perante os últimos desenvolvimentos que têm fustigado nos dois sentidos, o seu principal rival Benfica e o Sporting que não desiste de pretender assumir o papel de challenger, prossegue a escalada de novidades, incertezas e expectativas que prometem e fazem supor uma nova temporada cheia de novos e atractivos condimentos muito ao gosto da comunicação social e dos adeptos menos avisados. Tem sido um evento de tal maneira poderoso, que a politiquice que inunda os principais meios informativos foi relegada para segundo plano e até o anúncio da titular das Finanças em antecipar o pagamento de 2 biliões ao FMI para contrair nova dívida, passou despercebido.

2. Vai agitado o mundo em Alvalade. Bruno de Carvalho de personalidade multifacetada em que uns dias encarna o 'Rei-Sol' Luís XIV iludindo-se com a perspectiva de que é o epicentro de tudo, sendo que noutros, de espada em punho, assume o papel de D. Quixote com igual convicção, ficando por saber qual das duas facetas da sua personalidade se aproxima mais do seu verdadeiro eu. Uma verdadeira delícia que deixa baralhados muitos dos adeptos leoninos que por via desses altos e baixos ficam sem saber o que os pode esperar para além de tiradas tonitruantes com voz de barítono para as tornar mais atractivas e convincentes.

3. Mas o Mundo, por mais frio e cruel que seja em muitas circunstâncias, vende eternamente ilusões e há sempre quem conceda crédito a quem nem sempre o justifica. As escolhas democráticas sendo legítimas são as que conferem maior justiça e legitimidade aos eleitos, albergando (pelo menos de forma aparente) menos inconvenientes. Mas permitem por vezes ascensões de personagens que não convivem propriamente bem com os valores e princípios da própria democracia que os ajudou a serem eleitos. Não pretendemos insinuar o que quer que seja mas aos porventura já esquecidos, recordamos, ao acaso, no espectro político Adolf Hitler e no futebol João Vale e Azevedo…

4. Depois de um percurso virado para a arrumação da casa em que aproveitou e potenciou com sucesso o trabalho de reestruturação financeira já alinhavado (um mérito que lhe deve ser creditado), Bruno de Carvalho com o pretexto de pôr na ordem alguns papagaios que inundavam os corredores e debitavam constantes bitaites a nível dos media (uma situação que na altura mereceu encómios), aproveitou a embalagem para ir mais além. E pelo que se tem visto e ouvido de BC nos tempos mais recentes com tendência crescente, nas últimas décadas, afinal, ao insucesso desportivo ”da maior potência desportiva nacional” há que acrescer o facto de todos os presidentes e todas as Direcções se terem servido do Sporting ao invés de o terem servido.

5. Como em tudo na vida não basta atirar para o ar. Há que provar. E das duas uma; ou BC é um enorme demagogo ou acha que reuniu elementos suficientes que atestam as suas bojardas. Compete aos adeptos do Sporting e em última instância aos Tribunais o julgamento e o aferir da razão desses argumentos, mas avançar com acusações públicas antecipadas a alguns elementos que fizeram parte do trajecto é não só perigoso como contrapruducente. Por mais razão que lhe assista. É que certamente não ignora que a coberto de uma pretensa coragem suicidária esses factos e essas atitudes, longe de unir o Sporting só contribuem para a crispação no seu universo, para além de provocar fortes reacções dos visados. E isso, como é óbvio, não ajuda ao apaziguamento do universo sportinguista.

6. Têm afirmado alguns dos seus porta-vozes na comunicação social que a contratação de Jesus para tentar mascarar a tremenda borrada encenada com Marco Silva foi um golpe de mestre. Compreendemos que perante o manancial oferecido de bandeja aos sempre ávidos especuladores há que dar alguma coisa em troca. Mas por mais que BC e a sua entourage (em substituição acelerada…) se esforce, a esmagadora maioria da opinião pública e dos próprios adeptos sportinguistas já não vai em cantigas. Por isso mesmo estranha, não compreende e condena que quem se auto-vangloria de ter tanta coragem se tenha refugiado em argumentos estapafúrdios, insensatos e ridículos para tentar fugir a uma inevitabilidade; as razões éticas, morais e até contratuais que assistem ao treinador marginalizado e despedido com justa causa. Alguém lhe devia ter explicado que não basta escrever 400 páginas de banalidades e de pseudo-razões ou argumentos para tentar justificar algo do muito que não existiu. É preciso muito mais. Que BC voltou a provar, mais uma vez, não ter.








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