Ponto Vermelho
Prestes a atingir o clímax…
10 de Junho de 2015
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Em tempos de defeso e de maior escassez de notícias suculentas, não se estranha esta súbita agitação que inundou grande parte da casta de jornalistas, comentadores, opinadores e seus derivados conexos. Em boa verdade, não é todos os dias que surgem factos e notícias como aquela que teve subjacente a não renovação de Jorge Jesus com o Benfica. Em rigor, não foi tanto esse facto mas sim a travessia do técnico para a margem direita da 2.ª Circular como treinador plenipotenciário, um lugar que a sua ambição há muito reclamava na Luz mas que, apesar de avanços significativos nesse particular, nunca se chegou a concretizar.

As notícias, os comentários, as opiniões e até mesmo os bitaites, têm-se alinhado como aliás se esperava que acontecesse – em face das simpatias ou dos interesses subjacentes; sejam por questões de camisola (ou será de fato formal ou de treino?), de antipatias ou de interesses antagónicos. Raros têm sido aqueles que numa lógica de distanciamento e de rigor têm apresentado à opinião pública uma visão que ajude melhor a comprender os últimos acontecimentos que precipitaram não tanto o desenlace que alguns já aguardavam, mas as reais razões e os verdadeiros porquês.

Escrever e afirmar que os sentimentos recíprocos dos dois protagonistas apontavam claramente para a ruptura é demasiado insuficiente, porque a partir daí abre-se uma ampla avenida de 6 faixas para cada lado que permite todo o tipo de divagações. Seja qual o lado preferido. Assiste a cada Administração na linha do que for sancionado pelos accionistas, o direito e a obrigação de estabelecer as linhas mestras e as directrizes porque se regerá a empresa, seja qual for o seu tipo de actividade. No futebol porque existem ainda sócios, surgem porém nuances que terão, igualmente, que ser levadas em linha de conta dado que os mesmos têm outro espaço e poder de intervenção. Sem prejuízo de poder seguir sugestões e propostas oriundas dos escalões intermédios da empresa, a norma é seguir e aplicar o superiormente definido.

Luís Filipe Vieira na sua qualidade de Presidente da SAD e do Clube, logo o principal responsável pela definição e aplicabilidade das linhas programáticas e estratégicas encarnadas, veiculou por mais do que uma vez e não só na temporada que ora findou, que teria que haver alteração de paradigma no tocante à filosofia futura de definição do plantel da equipa principal de futebol. Havendo Formação e estando a mesma já a produzir resultados palpáveis, seria altura de promover o aproveitamento gradual de jovens talentos que se destacassem nos escalões formativos. Mesmo sem qualquer personalização, esse desejo com sinal cada vez mais forte foi ganhado asas, sendo de recordar o amplo consenso estabelecido para essa matéria. Faltava apenas definir o enquadramento.

Os factos demonstraram ao longo de todo o seu trajecto no Benfica, que Jorge Jesus não é um fã dessa filosofia. Ao invés, prefere jogadores já feitos e com alguma experiência, uma opção que o seu clube de amigos e conhecidos (que tem engrossado ultimamente) apoiaria com o argumento de que quem quer ganhar títulos não pode apostar em jogadores imberbes e sem experiência competitiva ao mais alto nível. São pontos de vista lógicos de quem treina equipas que pela sua grandeza e historial competitivo os seus dirigentes e adeptos exigem continuamente títulos. Nesse particular, os dois Manchester’s, o Chelsea, o Barcelona, etc, etc, poderiam enquadrar na perfeição Jorge Jesus porque os super-orçamentos de que dispõem em cada época, permitir-lhes-ia satisfazer a sua eterna insatisfação com os plantéis que tem tido. Pena é que não disponha das necessárias valências. Para si e para o futebol português.

Como, ao que consta, LFV terá pensado com os seus botões que desta época não passaria, resultou claro que Jesus não reunia o perfil adequado à implementação dessa filosofia que não nos parece ter algo de radical. E este, por sua vez, foi ficando ciente de forma gradual que não se enquadrava nessa nova etapa. Se tudo tivesse corrido com a urbanidade e sentido de ética que o futebol (e a vida afinal) infelizmente não têm, o ponto final teria sido colocado, enaltecendo ambos com um aperto de mão público a profícua e longa colaboração de 6 anos. Jesus terá, todavia, começado a tratar da sua vidinha um direito que obviamente lhe assistia, mas sendo claro e notório que o fez dando uso à sua famosa expressão de que ’o fair-play é uma treta’. E isso mais do que configurar falta de ética e de consideração para a instituição Benfica, foi um sinal de desrespeito para com os adeptos encarnados que repetidamente glorificava nas suas declarações públicas. Deixamos a interpretação a cada um…








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