Ponto Vermelho
Apostas no futuro
12 de Junho de 2015
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Quer queiramos quer não e por muito que isso incomode e preocupe alguns elementos do universo benfiquista (o que é natural dada a grande diversidade de pontos de vista que existem), está encerrado o ‘dossier’ Jorge Jesus. Foi um ciclo ao qual foi posto ponto final perspectivando-se a partir de agora uma mudança efectiva nas apostas, sem que isso queira significar uma inversão total de valores porque se fosse essa a opção escolhida, decerto os riscos de vir a trilhar um caminho seguro e triunfante aumentariam exponencialmente. Para incertezas, surpresas e reviravoltas já chega as que o futebol nos brinda em cada época por vezes mais do que uma vez. Por isso há que aguardar por mais elementos antes de se começar a disparar!

Não obstante, temos alguma dificuldade em compreender a estranha capacidade que alguns têm para a autoflagelação. Sendo a opção tomada irreversível, é altura de com calma e ponderação proceder-se à desmontagem da tenda com a plena convicção de que a história registará os factos e os episódios que sucederam ao longo dos últimos seis anos. Em todos os sentidos. Não duvidamos por um só instante que os momentos serão contados em várias versões decerto divergentes consoante o posicionamento de cada um. Já sabemos que a dupla personalidade de alguns tem destas coisas e conduz a paixões exacerbadas, enaltecendo ou vilipendiando em termos extremistas consoante a conjuntura se apresente.

Felizmente o Benfica é por definição e tradição um Clube democrático onde sempre conviveram opiniões antagónicas e isso é sempre uma forma de aprendizagem e enriquecimento. É que para além da sua grandeza, essa tem sido uma das razões porque o tema tem perdurado… Em face da nova opção estratégica que só agora se apresta para seguir em frente dadas as reticências e resistências oferecidas pelo ex-treinador, a grande questão que se coloca na mente de muitos benfiquistas é que Benfica teremos no futuro próximo. A comunicação social tem vindo a ser inundada de projecções e palpites, o que se compreende dado que para alguns a questão confina-se não propriamente ao que os encarnados serão capazes de fazer por si mesmos, mas ao que os seus adversários têm ou não têm ou prometem ou não fazer.

Nesse contexto, a reafirmada aposta na Formação, para já, deve ser vista como uma opção estratégica da Direcção benfiquista. Tudo tem sido empolado e constituído motivo de especulação porquanto as leituras divergem sobre o alcance das afirmações que Luís Filipe Vieira tem produzido nos últimos tempos. A parte economicista para quem o Benfica ou qualquer empresa não devia ter passivo, defende que é uma inevitabilidade, citando o Sporting como exemplo e percursor (???!!!) de uma estratégia fechada sobre si próprio. Os líricos e idealistas que entendem que o Benfica deveria extrair da Formação todos os condimentos para a equipa principal. E, finalmente, a terceira corrente que poderá estar mais perto da realidade e do equilíbrio (desportivo e financeiro) que crê que é possível estabelecer uma ponte amovível com base em jogadores experientes, mas podendo albergar os elementos que mais se destaquem na Formação, sem exageros que possam colidir com o equilíbrio e a competitividade.

A situação é complexa porque desde tenra idade os mais habilitados começam a ser tentados por clubes de grande potencial financeiro e que perfilham o lema (convenhamos que lógico) de que – para quê ter uma horta se podemos abastecermo-nos no supermercado? Mas convém não esquecer que esse factor, sendo importante, não atinge todos por igual. É que há que incentivar, dar esperança e sinais aos formandos de que é possível atingir o sonho de evoluir e competir na equipa principal. E, se provarem o potencial de que vêm rotulados, não serem cerceados de seguir o sonho de um trajecto europeu ao mais alto nível. O contrário não faz sentido porque limita os objectivos aos jovens jogadores que passam a entender o seu percurso pelos vários escalões como um mero ponto de passagem mas sem hipóteses se atingir a principal equipa. E isso pode tornar-se contrapruducente para o esforço de captação da própria Formação.

Na mistura exacta de todos os ingredientes passará a estar o segredo desta nova fase que se perspectiva, na presunção de que o Benfica não caminha para a sportinguização da primeira década e meia do século XXI, cujos resultados para além de elogios, estiveram longe de justificar a aposta devido à forma como ela foi materialmente aproveitada. Não, esta é uma empreitada que nunca está pronta mesmo sendo consequente durante os próximos tempos. Levará o seu tempo a entrar em velocidade de cruzeiro porque apesar dos resultados encorajadores ainda que limitados por mera opção técnica, o casamento entre o talento e as várias componentes adjacentes não é um ciência exacta nem à venda nas grandes superfícies…

Perante esta escolha difícil e complexa cujos resultados só o tempo ajudará a perceber se virão a ser ou não satisfatórios, vamos ter que esperar para poder proceder à avaliação e ao respectivo balanço. Para além do constante acompanhamento e monitorização da estrutura, acreditamos que a nova opção técnica poderá ser determinante na obtenção dos resultados que se projectam, sempre na assumpção de que a simbiose entre a experiência, a organização e o talento deverão estar sempre presentes num patamar de equilíbrio que se pretende para que a equipa possa corresponder e estar à altura dos difíceis desafios que se adivinham para a próxima temporada. Nem mais nem menos!






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