Ponto Vermelho
Cada vez menos surpreendente…
20 de Junho de 2015
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1. Não restam dúvidas que o Mundo e em particular o futebol vivem cada vez mais focados no vil metal e sendo assim, não têm o menor pejo de atropelar as regras mais elementares. Não está nem nunca esteve em causa, que qualquer profissional seja qual for a sua profissão, deva procurar o melhor para si e para o seu clã familiar tentando acautelar o futuro que como se sabe é sempre uma incógnita. Não só o entendemos como achamos que para além de constituir um desejo legítimo, é a ambição temperada que o leva ou pode levar a progredir na carreira que abraçou e ser cada vez melhor profissional. Logo, mais bem remunerado.

2. Enquanto na esmagadora maioria das empresas a mudança dos quadros mais conhecidos para a concorrência ou para o estrangeiro não merece mais do que uma simples notícia de roda-pé, no desporto e no futebol essas mudanças (se por acaso pertencerem aos principais clubes) merecem parangonas e destaques sucessivos nos media. E como em Portugal isso não é bem visto nem aceite pelos adeptos e simpatizantes dos clubes de saída dos jogadores, então é garantido que teremos falatório e polémica durante semanas, senão mesmo meses a fio.

3. Neste defeso tivémos uma particularidade; a saída de um treinador de um grande para outro grande, na circunstância vizinho e rival de sempre. Muito poucos terão visto esse facto como normal e pacífico, sucedendo-se as justificações consoante os lados da barricada. Tal seria normal não fossem as atoardas que se propagam, transformando princípios de verdade em manipulações descaradas sobretudo do lado do clube dos amigos e admiradores de Jesus que viu, subitamente, a sua legião de fãs aumentar exponencialmente. Bom para ele, sem contudo deixar de notar o forte incremento nas expectativas e nas suas responsabilidades futuras.

4. De repente, ficámos a saber que o ego despudorado do ex-treinador encarnado transferiu-se de armas e bagagens para o presidente encarnado que não aceita que nenhum treinador ou jogador esteja acima dele. Fica portanto por explicar a razão porque manteve Jesus durante 6 épocas ao leme da equipa encarnada, com a particularidade de ter imposto praticamente sozinho a renovação do seu último contrato, quando a grande maioria dos adeptos (entre os quais nos incluimos) e até mesmo dos seus colegas do elenco directivo, pugnavam pela sua substituição. Um mistério que não sabemos se irá alguma vez ser desvendado…

5. Aparte esse episódio que não deixou de merecer a nossa atenção e sorriso divertido, estamos em vésperas de poder vir a acontecer mais uma cena no panorama futebolístico nacional, desta vez com o lateral-direito Maxi Pereira ou, se quisermos ser mais exactos, com o seu empresário. Caminhando para o fim de contrato, há largos meses que o Benfica manifestou a intenção de renovar com Maxi, a quem a liderança encarnada reconheceu, por mais do que uma vez, ser um jogador que encarnava a velha mística benfiquista, com sublinhado por se tratar de um estrangeiro que se habituou a gostar do Benfica e por cá foi ficando. Desnecessário se torna evocar os muitos exemplos de apego ao Clube que Maxi foi dando durante as oito épocas ao serviço dos encarnados, algumas vezes até com prejuízo das próprias férias.

6. Nas anteriores renovações com maior ou menor dificuldade (nunca nos podemos esquecer que o seu empresário se chama Francisco Casal!), sempre foi conseguido o acordo. Desta vez e porque, em princípio, poderá vir a ser o seu último contrato, legitimamente Maxi manifestou a intenção de o melhorar substancialmente, o que desde logo colidia com a política anunciada pelo Clube para esta época. Apenas desnecessárias as alegações de ter que pensar em si e na sua família em termos financeiros, dado que para a realidade dos nossos dias, auferir o que ele tem auferido não é despiciendo. Sobretudo se o compararmos com os milhões que diariamente lutam para sobreviver.

7. Também não vamos recordar agora as suas diversas declarações de que … em Portugal só no Benfica… Pelas contradições de outros, já sabemos que isso vale o que vale, às vezes muito pouco. Assim sendo, o estender da feira por tempo indeterminado veio adensar as dúvidas e as suas recentes declarações de que, afinal, até podia jogar noutro clube… em Portugal, foram entendidas como uma nítida intenção de abrir portas a quem estivesse interessado, configurando uma realidade que Maxi conhece bem. Ainda assim o Benfica, segundo é público, tendo em conta o seu passado e a sua importância no balneário reformulou a proposta, colocando-o, ao que se anuncia, no mesmo patamar dos mais bem remunerados. Dez dias antes de terminar o vínculo, que saibamos, tudo permanece indefinido, o que parece ser uma estratégia do empresário (parecida com a que usou com Cristian Rodriguez) de ir entretendo até chegarmos a dia 30… Ainda que percebendo a lógica e a paciência da Direcção do Benfica, afigura-se-nos que é mais que tempo do sim ou sopas. E tirar ilacções para o futuro!






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