Ponto Vermelho
Coisas positivas
22 de Junho de 2015
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Enquanto o dizer mal e criticar malevolamente se tornaram numa espécie de passatempo nacional (é sempre assim quando a inveja e as condições de vida estão pelas ruas da amargura), algumas decisões tomadas na última Assembleia Geral da Liga de Clubes do Futebol Profissional merecem ser assinaladas e saudadas. Dirão alguns, (aqueles que se concentram apenas na busca de defeitos para poderem continuar a alimentar as suas críticas), que mais não foi feito do que o tecido futebolístico profissional há muito reclamava e exigia. É apenas um ponto de vista negativista que conclui mais um capítulo de bagunça e confusão em que todos os habitantes da casa barafustavam e tinham razão. Não há porque feito por humanos nenhum sistema perfeito, apesar de em muitas situações ser delineado com a melhor das intenções.

Seja como for e apesar de todos os contra-vapores que agradam sempre aos que a manutenção do caos serve as suas intenções, desta vez foram levadas à prática propostas que a maioria da razão há muito reclamava. Não sendo ainda as ideais (será que elas existem?) representam, sem dúvida, um indiscutível avanço na contribuição para uma maior e melhor verdade desportiva. Todavia, se é amplamente positiva a decisão de impedir que os 'emprestados' possam defrontar a casa-mãe, o critério que estabelece um máximo de três emprestados ao mesmo clube parece-nos excessivo. Porque, no caso dos clubes-grandes que mantêm 'n' jogadores sob contrato continua a ser uma enorme vantagem bastando apenas uma boa e equitativa distribuição das pedras.

Com efeito, esta questão sempre foi uma faca de dois gumes porque a reacção dos jogadores em causa sempre foi diversa, embora de uma forma geral o que sempre ressaltou tenham sido os aspectos perversos da questão, como seja as indisposições súbitas, as lesões no último segundo do derradeiro treino, etc, etc. Cada jogador tem uma forma muito própria de reagir; há os que tentam por todos os meios demonstrar a sua valia quando defrontam o 'clube emprestador', há os que são permeáveis às pressões ficando tolhidos e, finalmente, os que se situam no meio termo. Depois, caso falhem o que seria uma situação normal, o caso é transformado numa novela caricata onde os adversários e os críticos os castigam cruelmente atribuindo esse facto a eventuais conivências.

Esta nova disposição que entra em vigor na próxima época, é em si mesma um passo em frente e uma forma de proteger os jogadores e os clubes da especulação desenfreada. Contudo não a evita de todo, pois sendo possível emprestar três jogadores, em tese é possível reservar uma posição favorável no panorama global das equipas. Em bom rigor, a verdade desportiva defendida pelo operador dos monólogos das Terças-Feiras volta a ficar distorcida, porquanto, na prática, um clube grande que empreste 3 jogadores a 5 equipas fica, quer queiramos quer não, em vantagem perante as outras. De qualquer forma reconheçamos que se trata de uma medida positiva.

Na mesma linha de raciocínio é de realçar a decisão de limitar o número de equipas participantes na II Liga, muito embora admitíssemos que se poderia ter ido mais além. As velhas teorias de favores que fizeram história no passado deverão ser definitivamente abandonadas e dar lugar a competições com um mínimo de suporte, isto é, em que as equipas participantes comprovem todas elas que dispõem de condições objectivas para cumprir as regras de participação. Permitir e manter artificialmente equipas a um nível mais elevado sem terem condições para tal, é uma prática distorcida que deverá ser de vez abolida.

Em maré de factos positivos não poderemos esquecer também a decisão de acabar com os relvados sintéticos ao mais alto nível. Trata-se de uma medida correcta e não populista porquanto apenas o popular Boavista se encontrava nessa situação e ainda por cima fruto de uma época de transição. Com boa vontade e a colaboração de todos os interessados, estamos certos que esse facto contribuirá para uma maior e melhor harmonização das provas. Por último uma referência a uma proposta apresentada pelo Sporting e admitida para discussão em próxima Assembleia sobre a intenção da nomeação dos árbitros passar a ser feita por sorteio. Não concordamos de todo, na medida em que o princípio dos 'melhores árbitros para os principais desafios' deve ser mantido. A competência deve ser salvaguardada e, se existem aspectos (e são muitos!) que deverão ser corrigidos, pois então que se corrijam. Mas permitir que 'as bolinhas da sorte ou do azar' decidam é acentuar as desigualdades e fomentar a confusão. Esse caminho jamais deverá ser o escolhido!








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