Ponto Vermelho
Uniformização precisa-se!
31 de Janeiro de 2013
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Nesta última semana saltaram de repente para a praça pública diversos casos de incumprimento dos regulamentos que envolveram várias provas (I, II Liga e Taça da Liga) e diversos jogos em que participaram os clubes: Belenenses, Braga B, FC Porto, Marítimo e Sporting. O denominador comum foi a «utilização irregular de jogadores». Apesar de se tratar de uma situação normal, nunca a amplitude foi como a de agora, o que levou os diversos observadores a interrogarem-se sobre a razão de tantos descuidos sobre clausulados aprovados pelos próprios clubes ora prevaricadores. E porque isso implicava a eliminação de provas.

Naturalmente que a maior surpresa foi protagonizada pelo FC Porto não tanto pelo facto de ter falhado, mas pela simples razão de que durante anos ouvimos e lemos opinadores de primeira grandeza tecerem os mais rasgados elogios à super-estrutura azul e branca que nunca falhava fossem qual fossem as circunstâncias, muito embora isso fosse um mito urbano criado para atrofiar mentes mais desatentas e vulneráveis. O que sempre aconteceu, é que as falhas cometidas eram não só desvalorizadas como essencialmente branqueadas, transmitindo depois a sensação oca de que nunca tinham existido.

Mas essa sucessão de acontecimentos de incumprimento sendo afinal naturais, tornaram-se de repente num mar encapelado de problemas para Federação e para Liga de Clubes. Porque existindo similitude entre as ocorrências, o tratamento para já corre o risco de não se afigurar igualitário, o que pode potenciar que para as mesmas situações poderá haver análises diferentes e quiçá decisões díspares. E isso pode vir a tornar-se perigoso, porque pode criar uma situação insustentável para além de se vir a concluir que há dualidade de critérios também na justiça desportiva. Para já, os indícios apontam nesse sentido, vamos ver no final.

Enquadrando nesta questão o adiamento inexplicável do V. Setúbal-FC Porto ainda que devidamente justificado, já vários analistas se pronunciaram sobre o facto dos regulamentos não terem sido cumpridos e não terem sido dadas pela Liga justificações plausíveis que de alguma forma viessem justificar a realização do jogo muitos dias para além daquilo que os próprios regulamentos prevêm para essas situações. Ou será que não havia justificação? Haverá por isso alguma necessidade de estar a criar suspeições e de alguns encararem a questão como mais um conluio com a máquina portista, alicerçados no facto da repetição do jogo ter ocorrido entre dois jogos em casa dos portistas e em que à partida diminuiria o seu grau de dificuldades? Não se compreende este estranho silêncio e uma explicação plausível seria sempre bem vinda e poderia acabar de vez com as desconfianças.

Mas voltando à questão das «utilizações irregulares de jogadores», dada a morosidade habitual com que os órgãos respectivos analisam e decidem estes e outros casos, ninguém estranharia porventura que o caso ainda estivesse a ser objecto de análise e apuramento das responsabilidades. Mas não. Parece que o caso do Braga B foi mais evidente porque num ápice (48 horas decorridas!) foi decidido o caso, enquanto que todos os outros e nomeadamente o do FC Porto, não têm a mesma urgência e estão a merecer análise mais ponderada e profunda. Para qualquer leigo e fora dos meandros é uma situação que podemos rotular de inadmissível, porquanto há tratamentos diferenciados face a situações idênticas, o que inevitavelmente contribui para o ruído e para desconfiança daqueles que acompanham mais de perto o futebol português.

Nestes casos e perante o estado latente de suspeição que grassa no nosso futebol, sem que deixe de ser perseguido o factor justiça e de preferência célere, compete aos órgãos que analisam e decidem estes casos terem o cuidado de os saber gerir politicamente, dado que as situações ocorreram num espaço temporal curto entre si e isso implica um tratamento consentâneo com a realidade, que quer queiramos quer não existe neste momento em Portugal. Para que jamais fique a ideia que se pretendeu prejudicar A e favorecer B como já bastas vezes aconteceu. E o argumento de que a justiça não têm timings não colhe aqui, porque estamos a falar de casos similares.

Os regulamentos em vigor foram aprovados pelos clubes pelo que se não os respeitarem é porque estão distraídos ou, especulando um pouco, fizeram-no na presunção de que a infracção passaria despercebida e se não passasse, a resolução ser-lhe-ia favorável, numa acção do crime compensa que como todos sabemos tem sucedido amiúde e é absolutamente corriqueiro acontecer. Se porventura não estão ajustados à realidade presente ou são contraditórios entre si nas diversas provas, é altura de haver uma uniformização de molde a evitar desculpas de mau pagador para o seu incumprimento. Para já, estamos deveras curiosos por saber a resolução que irá ser tomada para cada caso ainda pendente que como é óbvio, esperamos seja aplicada a mesma dose de justiça e não o refúgio na tese que cada caso é um caso e cada clube é um clube diferente...






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