Ponto Vermelho
Os jogadores e as circunstâncias
28 de Junho de 2015
Partilhar no Facebook

Tem sido veiculado com insistência pelos habituais detractores da Selecção Nacional de Futebol (não confundir com a criticidade legítima) que a mesma caminhava para o abismo, atendendo a que os jogadores que ultimamente têm sido chamados são demasiado veteranos (para sermos simpáticos e não lhe chamar 'velhos') e por via disso o seu futuro como equipa de aspirações, a curto prazo, estaria condenado. E os resultados com alguma relevância conseguidos, só o foram devido dispormos do génio de Cristiano Ronaldo, ele próprio a chegar à casa dos trinta.

Se é impossível negar a enorme influência que o astro português do Real Madrid tem tido nos resultados da Selecção quer através da marcação de golos em muitos casos decisivos, quer pela galvanização e superação que consegue transmitir aos colegas e aos adeptos nas bancadas que vibra com a sua simples presença, também não é dispiciendo afirmar que ele não joga sozinho e os outros jogadores ainda que de forma mais modesta, também dão o contributo que está ao seu alcance. O fim de carreira chega inevitavelmente a todos e a renovação deve ser gradual mas feita sem pressas, de forma a que a Selecção ou qualquer equipa, não tenham que atravessar hiatos de representatividade naquilo que delas se espera.

É justamente aqui que reside o fulcro da questão. A renovação tem sido insistentemente reclamada mas, o facto de existir sempre pressão continuada pelos resultados imediatos tem obrigado a que, no momento, sejam escolhidos aqueles que dão mais garantias na óptica do Seleccionador que então ocupa o cargo que usa um critério pessoal que, como qualquer outro, é sempre deveras discutível. Mas por certo ninguém perdoaria que à luz dessa mesma renovação fossem utilizados jogadores que por ainda não estarem preparados, poderiam eventualmente falhar na hora de assumir tão pesada exigência. E é aí que as divergências se acentuam porque, segundo os tais articulistas, os novos valores não estavam em condições de assegurar a continuidade dos objectivos.

Existe, de facto, um problema comprovado na linha da frente e em particular a nível dos pontas-de-lança. Sendo que é uma posição cada vez mais difícil de preencher quer em Portugal (para quando uma escola para jogadores dessa posição?) quer até mesmo no estrangeiro, insiste-se na ausência de eficácia para justificar resultados menos conseguidos. Sendo um problema que não pode nem deve ser escamoteado, não é, contudo, uma questão incontornável. Ontem mesmo, na República Checa a Selecção de Sub-21 sem jogar com qualquer ponta-de-lança de raíz, demonstrou que o aproveitamento da eficácia pode superar, e bem, a ausência de jogadores com essas características cada vez mais raros de encontrar.

Sem entrar em euforias pelo resultado histórico conseguido frente aos germânicos e analisando as potencialidades dos jogadores que ontem brilharam e que não só conquistaram o direito de estar na final do Europeu da categoria como de marcar presença para o ano, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, temos que convir que uma boa parte dos jogadores não poderá ser catalogada como promessa mas sim com realidade indiscutível. Porquanto o seu patamar competitivo já transbordou e a sua categoria e experiência já se evidenciaram ao mais alto nível de competição, ultrapassando dúvidas que sempre se geram nestas transições.

Sendo que a evolução de cada um dos jogadores que demonstraram de forma exuberante a sua categoria ímpar é, e será sempre, uma incógnita muito embora todos os dados apontem para o sucesso, afigura-se-nos que os receios demonstrados sobre a renovação reclamada que para alguns deveria ser por decreto não tem, à partida, razão de ser. Esta nova fornada de jogadores para quase todas as posições parece garantir, de forma segura, que o futuro da Selecção Nacional estará assegurado de forma normal e transitiva. Poderemos não voltar a ter nenhum Cristiano Ronaldo, mas teremos por certo um conjunto de jogadores que parecem estar no mesmo tabuleiro de que outras gerações de ouro que o futebol português sempre foi capaz de produzir e que assegurarão, como sempre, a renovação de valores sem problemas de maior. Afinal, porquê tanto pessimismo?








Bookmark and Share