Ponto Vermelho
Tristes realidades…
30 de Junho de 2015
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1. Os recentes desenvolvimentos no Sporting, como todos previam, estão a agitar as águas já de si algo efervescentes. O facto de nos encontrarmos do outro lado da avenida não nos impede, contudo, de termos opinião, que a despeito da intensa rivalidade não nos tolda o raciocínio e leva a desejar o quanto pior melhor como certamente será desejo e convicção de alguns. Logo, como esta questão pode vir a ter influência na normal fluência do futebol português, permitimo-nos tecer algumas considerações sendo que, apenas nos cingiremos aos factos e notícias vindas a público.

2. Quando o povo grego elegeu o actual governo que tinha como bandeira principal acabar com a austeridade que colidia frontalmente com a actual orientação dos senhores da Europa e do FMI, estava longe de imaginar o cenário negro que hoje se vive no país helénico. Também os adeptos leoninos quando colocaram Bruno de Carvalho na presidência sancionaram o seu programa eleitoral que continha, entre outras promessas, a realização de uma auditoria de gestão às anteriores direcções, com especial incidência na questão do património. Portanto, quando o actual presidente leonino resolveu avançar para essa auditoria fê-lo no cumprimento dessa promessa eleitoral e ninguém tem de se admirar, quer concorde ou não com ela. A despeito de não ser prática corrente nos nossos clubes.

3. Apesar disso, o anúncio e depois a efectivação gerou como seria facilmente previsível algumas incomodidades e mal-estar entre os anteriores membros directivos. Situação que se agravou com algumas declarações destemperadas que não respeitaram a reserva e a isenção, pois começaram desde logo a antecipar os resultados que a actual Direcção pretendia. E temos assim que, aquilo que deveria ser um facto normal e corriqueiro de avaliação, transformou-se à partida num oceano de suspeitas junto dos adeptos e simpatizantes verde e brancos e da opinião pública em geral. É que, ao mesmo tempo que a auditoria ia avançando, iam acontecendo fugas cirúrgicas de informação para a imprensa todas de cariz condenatório que apontavam o dedo sempre na mesma direcção, sendo que o próprio Bruno de Carvalho não se eximiu a várias declarações nesse sentido. Este facto foi, a exemplo do que acontece noutras áreas, o principal detonador do que viria a seguir.

4. Do nosso modesto ponto de vista há duas formas de olhar para a questão; ou são respeitadas as regras que um Estado de Direito padroniza, ou divaga-se ao sabor dos acontecimentos que melhor servem os interesses de um determinado grupo ou facção. Ficou absolutamente claro que Bruno de Carvalho e a sua entourage que engrossou com os que pretendem ajustar contas com o passado, não respeitaram desde o início as regras do jogo ao optarem pela segunda possibilidade, tentando por todos os meios levar os adeptos, simpatizantes e opinião pública a formular desde logo juízos de condenação antecipada de antigos dirigentes.

5. Não está nem nunca esteve em causa possíveis erros cometidos, nem sequer eventuais graus de culpabilidade dos antigos dirigentes ao longo dos seus mandatos. A frieza dos números e das análises geradas a partir de gabinetes é apenas o pontapé de saída para o apuramento de quaisquer responsabilidades sejam elas de que natureza forem. Mas, como em todos os casos, representa apenas uma parte da questão, faltando comprovar no terreno com os intervenientes directos e depois das explicações e justificações dos mesmos, se o que foi apurado se alterou, se mantêm, ou se agravou. Para que o passo seguinte possa ser dado.

6. Não foi esta, no entanto, a sequência dos acontecimentos. E aquilo que pelo seu ineditismo poderia ter sido uma nova etapa para observar como foi a gestão do Sporting desde a última década do século XX, transformou-se numa espécie de caça às bruxas onde começa a haver demasiados culpados antes mesmo de ser comprovada essa evidência. Resta agora aos tribunais apurar e decidir sobre a real veracidade dos factos punindo ou inocentando quem quer que seja, sendo certo e irreversível que aos olhos dos adeptos e da opinião pública os culpados têm nome e já foram julgados. Os actuais dirigentes do Sporting perderam soberana oportunidade de demonstrar que ser um clube diferente… implica práticas consequentes. Doravante veremos o que vai acontecer!








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