Ponto Vermelho
Tranquilidade inesperada...
13 de Julho de 2015
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1. Se considerarmos as últimas épocas e a dinâmica que o mercado tem vindo a impor no dia a dia do período de transferências, poder-se-á dizer que até ao momento está a ser uma pré-época estranhamente calma para os lados da Luz. Apesar do fecho de mercado ainda vir longe e de alguns clubes reservarem para os últimos dias as suas decisões de avançar para as aquisições, a realidade é que, contrariamente ao que tem sucedido, a paz e a tranquilidade têm reinado no reino da águia. Leituras variadas podem ser feitas sobre o (não) acontecimento, desde o facto de Jorge Jesus já não ser treinador do Benfica, passando pela não necessidade de venda de jogadores conforme frisou há poucos dias Domingos Soares de Oliveira.

2. É claro que não vamos ficar assim pois para além de haver jogadores com quem terá sido hipoteticamente acordado sair no final desta época de que Nico Gaitán parece ser o exemplo mais ajustado, o Benfica apesar de todas as cautelas e reticências não está imune às investidas do mercado, em particular se elas constituirem bom negócio para todas as partes envolvidas. Mas é inegável que em comparação com as mais recentes épocas, os próprios rumores são menores no tocante às saídas, o que significa que as necessidades de ir às compras são mais reduzidas e selectivas. Um bom sinal dos tempos.

3. Esta postura, como seria de esperar, não agrada a todos. Desde logo à imprensa especulativa que assim perde negócio, mas também a uma parte dos adeptos que, por força do hábito adquirido, insiste sempre em ter novidades para poderem fazer conjecturas sobre o que irá ser a nova época. Por outro lado, não podemos ignorar que a forma de estar serena e tranquila do novo treinador Rui Vitória também tem contribuído para que a acalmia seja um facto incontroverso.

4. Por aquilo que temos presenciado, existem pessoas preocupadas com a situação porque não resistem à tentação de a comparar com aquilo que tem vindo a ser a atitude dos nossos principais rivais perante o mercado devido às várias aquisições a que têm procedido. A tentação de olhar para o que se faz no quintal dos outros é de facto irreprimível tendo em conta as fatais comparações que são estabelecidas, sem que sejam sequer consideradas as circunstâncias da conjuntura e os inevitáveis reflexos económico-financeiros no futuro de curto prazo. O que é preciso é apresentar suculentos e atractivos pargos mesmo que o dinheiro não chegue sequer para carapaus. Quando chegar a factura, à boa maneira portuguesa, improvisa-se…

5. Em termos concretos temos que até agora, a equipa bi-campeã nacional ainda não sofreu quaisquer rombos o que desde logo é um indicador seguro que evita a pressão e transmite maior segurança e tranquilidade. Para além de um factor muito importante – manutenção de rotinas, uma situação deveras significativa numa equipa de futebol de alta competição. Ao contrário de outras épocas não há, para já, grandes lacunas no plantel se exceptuarmos o facto de Nico Gaitán poder vir a sair e Eduardo Salvio estar no estaleiro durante largos meses. Se se confirmar a saída do primeiro e desconhecendo-se a capacidade de integração e rendimento das aquisições mais recentes, então é bem possível que venha a ser necessário ir ao mercado, mas isso para já são tudo cenários hipotéticos que se concretizarão ou não.

6. Deixemos pois o tempo fluir para observar a evolução. Numa organização bem estruturada como é actualmente a do Benfica, não pode haver lugar para aventuras precipitadas apenas pelo macro cenário que nos rodeia. Que é sem dúvida importante e tem de ser olhado com atenção mas que nunca nos deverá desviar do rumo traçado sob pena de vir a haver hesitações que poderão comprometer o presente e o futuro. Quem analisou e ponderou maduramente as decisões de natureza estratégica, não pode nem deve inflectir no caminho a seguir. A menos que a conjuntura sofra drásticas alterações que obriguem à revisão dos planos traçados.








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