Ponto Vermelho
Aportou o circo mediático…
15 de Julho de 2015
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Um dos aspectos mais importantes senão decisivo para a venda e aceitação de um produto seja ele de que natureza for, é a força da mediatização que atinge. Poderá não ser de grande gabarito e até mesmo inferior a outros já em comercialização no mercado, mas com uma boa campanha de marketing em que só ressaltem e sejam enfatizadas características positivas, esse produto ganha actualidade e a partir daí, novos ou velhos, mais ou menos indiferentes, são levados a publicitar o dito cujo e a adquiri-lo mais que não seja movidos pela curiosidade e pela tentação de experimentar. Se o comprarem nem que seja apenas uma vez, as vendas compensam desde logo. E, se a isso se juntar uma campanha persistente e objectiva, então a sua expansão está garantida até que o mercado se sature ou surja um novo produto mais atractivo que o substitua.

O futebol não foge a essa regra. Quer treinadores quer jogadores posicionam-se hoje no mercado com apresentação bem diferente do passado em que, para além de aspectos mais atractivos e convidativos como a sua capacidade e competência para levar a cabo uma tarefa específica, o currículo rico e bem trabalhado é distribuído profusamente sob a forma de catálogo aos potenciais interessados. Como não é uma tarefa estática, a sua aquisição ou transferência processa-se em moldes modernos com direito a apresentação personalização pelo agente ou empresário, por um familiar, por um clube ou por um Fundo (por muito que custe à FIFA, à UEFA e a Bruno de Carvalho). A diferença na colocação e no preço tem a ver a capacidade do vendedor e a sua penetração/prestígio no mercado.

É por isso que falando mais especificamente de jogadores de futebol, há alguns que são tratados de forma muito mais assertiva e são sempre objecto de maior e melhor mediatização. Aparte haver outros mais capazes e com superior categoria mas não enquadrados em sistemáticas campanhas de promoção que focam e desenvolvem pontos muito diversificados que ultrapassam de longe as fronteiras do futebol em si. Com efeito, ao focalizarem aspectos laterais de ordem pessoal susceptíveis de captar e distrair a atenção dos adeptos e do grande público, esbatem-se questões menos positivas do seu trabalho nos relvados.

Acaba de chegar ao Porto um desse produtos. Fruto da grande mediatização que já dura há vários anos em que um dos pivots tem sido precisamente a sua actual mulher Sara Carbonero que parece ter uma tremenda influência sobre Iker Casillas por forma a mantê-lo sempre na crista da onda. Por isso mesmo nos últimos dias, revelando algum provincianismo que sempre nos persegue por muito que o queiramos negar, o circo mediático que Espanha e particularmente Madrid bem conhecem, transferiu-se não só para o Porto mas para todo o Portugal, não havendo praticamente órgão de informação, desportivo ou generalista, jornalista ou comentador que não tivesse, de forma repetida, insistido na publicitação do circo como se não houvesse amanhã, esquecendo tudo o resto que, por acaso, até é muito mais importante.

Que o facto em si tem relevância é indiscutível. Que é bom para o nosso futebol e para o campeonato que ganha maior visibilidade e aumenta as assistências sempre que chega um jogador mediático ninguém discute. Que devido ao excelente nível de vida nacional vender camisolas a € 93 pode ser um negócio da China não se contesta… Mas que os limites do ridículo neste particular têm sido sistematicamente ultrapassados, é indesmentível. O FC Porto tomou uma opção legítima de gestão e o futuro encarregar-se-á de dizer se certa ou errada. Até agora apenas vimos sublinhar os aspectos positivos mas é evidente que parece ser uma opção de risco. Pelos valores envolvidos que terão ou não retorno do ponto de vista financeiro, mas sobretudo olhando pelo ângulo desportivo dado que não era uma posição carenciada e a injustiça feita a Fabiano (o bode espiatório da época fracassada) e a Helton pode criar fricções e sequelas graves. Veremos como vai acabar mas pelos vistos, Lopetegui continua a reinar. Valha-nos que o Sporting abriu mais uma frente de combate…










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