Ponto Vermelho
Grandes preocupações…
19 de Julho de 2015
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Se há coisa com que o Benfica se deve sentir lisonjeado é com "a elevada preocupação" que jornalistas e opinadores alguns até com relevância no meio, têm vindo a manifestar no dia a dia deste defeso acerca das debilidades encarnadas e da não contratação de elementos sonantes para contrabalançar as dos maiores rivais que têm vindo a ocupar a agenda mediática quase em exclusivo. Mas não só! Também o treinador que tanto elogiaram aquando da sua passagem por Guimarães é pasto de críticas e desconfianças, sendo a grande dúvida se Rui Vitória tem ou não pedalada para lidar com a pressão que inevitavelmente vai encontrar no Benfica.

Compreendemos a preocupação desta vez sem aspas. É que até agora, não houve uma única contratação deslumbrante para animar as hostes, nem uma simples polémica que puxasse o Benfica para as caixas dos jornais e das notícias radiofónicas e televisivas. O que, visto sob o prisma jornalístico e mediático, não pode deixar de inquietar os profissionais do millieu bem como os demais interessados e, por acréscimo, as empresas de comunicação social que assim vêem as tiragens e as audiências a baixar. Para compensar essa anormalidade que esperam venha a ser temporária, a solução é virarem-se para o duo FCP-SCP ainda que estes fiquem muito aquém da contrapartida desejada.

Foi assim com algumas contratações como por exemplo a de Casillas em que foi montado um enorme aparato mediático mas, estranhamente a mais cara contratação de sempre do futebol português – Imbula –, mereceu muito pouco relevo, aproximando-se de algum modo de uma simples nota de rodapé. Mesmo a contratação de Maxi Pereira só teve um pouco mais de destaque por ter sido mais uma vitória sobre o Benfica cujos adeptos ficaram tristes e acabrunhados… E no Sporting até ilustres desconhecidos que chegam para colmatar o sempre insaciável Jesus têm sido objecto de grande destaque. Para variar nada a opôr.

Estes estranhos critérios jornalísticos, já se percebeu há muito, só encontram eco e recolhem aceitação nalguma acefalia reinante no panorama desportivo português que, apesar de minoritária (valha-nos isso), circula basicamente pelas redes sociais fazendo-se notar pelo barulho incessante que empresta às suas acções, em particular com a ampliação do eco das incertezas e das apreensões, um isco lançado subtilmente e agarrado com as duas mãos… Resumindo: três pontos de fraqueza encarnada: não contratação de craques, impreparação do treinador e agora porque foi para o continente americano jogar com equipas de gabarito em vez de ficar por cá e treinar com o Real Massamá, Casa Pia ou Atlético, com todo o respeito que temos pelos clubes referidos.

Como contrapeso de todo esse trabalho subtilmente encomendado através de múltiplos canais informativos, esses pontas de lança são esporadicamente citados de forma indirecta o que parece satisfazê-los porque, para alguns, num mundo muito circunscrito saber que existem, que estão activos, atentos e críticos em relação ao seu clube, já é motivo mais do que suficiente para prosseguirem imparáveis na colaboração pretendida. Por sua vez, muitos dos comentários e opiniões de profissionais são baseados nesse apalpar do pulso, a partir do qual veiculam teorias generalistas e abrangentes como se isso encarnasse, de algum modo, o verdadeiro sentir da esmagadora maioria dos adeptos encarnados.

Sucedem-se por isso as críticas ao apagão do Benfica que não são mais do que apelos pungentes para este regressar à agenda mediática e assim restabelecer a ordem natural das coisas. São várias as formas mas a avaliar pelas principais, atrever-nos-íamos a afirmar que estão condenadas de antemão ao insucesso. Com intenso sublinhado está, na primeira, a não contratação de nomes sonantes, na segunda a interrogação sobre a capacidade de Rui Vitória treinar o Benfica (quem eram, afinal, Julen Lopetegui antes de chegar ao FCP ou Jorge Jesus até treinar o Benfica?) e na terceira, a predominância da estrutura sobre todas as decisões em comparação com o que passa na Invicta e na margem direita da 2.ª circular em que os treinadores são multifacetados, soberanos e polivalentes…

Esforçámo-nos, mas ou é incapacidade nossa ou, até ao momento, não conseguimos vislumbrar motivos para grande preocupação. É um facto que os adeptos gostam sempre de ver o seu clube contratar vedetas. Mas mantendo o Benfica toda a espinha dorsal da época passada com a consequente manutenção de rotinas, não enxergamos porque razão deveríamos estar preocupados, a menos que a situação se altere drasticamente. Para sermos realistas, estávamos muito mais consternados há um ano, por esta altura, em que perdémos várias referências e o FCP comprou até mais não com os resultados conhecidos, do que esta época em que a subtileza e a discrição fazem parte do cardápio encarnado. O que sucederá no futuro é o que iremos ver, mas por uma questão de princípio recomendaríamos a alguns para serem mais comedidos nas suas apreciações não vá, como no ano passado, o diabo tecê-las… Ai a influência das redes sociais…






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