Ponto Vermelho
Tentativas de regresso ao passado…
21 de Julho de 2015
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1. Não temos a ilusão que, mesmo em face da conjuntura apertada em que nos encontramos, os dirigentes dos clubes possam encontrar plataformas de entendimento mínimo de que resultem benefícios para a generalidade dos clubes e numa visão mais alargada para o nosso futebol. Não. Pela experiência que temos à distância dos sempre activos jogos de bastidores, não acreditamos que o egoísmo e o salve-se quem puder desde que seja o eu, se afaste do guião já por demais conhecido.

2. Isso justifica em parte a razão da nossa pequenez no tabuleiro do xadrez europeu, apesar dos êxitos que vamos acumulando em diversas vertentes de que o 1.º Campeonato do Mundo de Futebol de Praia organizado sob a égide da FIFA é apenas o derradeiro exemplo. Mas também é justo sublinhar o nosso regresso a cargos significativos da UEFA através de vários intérpretes cujo expoente máximo é obviamente o actual presidente federativo. Aparte isso, continua a prevalecer a velha e arcaica mentalidade de que não importa o desenvolvimento e o progresso desde que seja je a conseguir e a deter o domínio sobre os outros pares. Isso aconteceu durante as últimas três décadas com os resultados que se conhecem.

3. A conquista de dose repetida do campeonato pelo Benfica que tinha deixado de acontecer durante todo esse longo período de trevas veio accionar as campainhas de alarme no quartel-general de Pinto da Costa que ficou, como não poderia deixar de acontecer, muito preocupado. Na época passada já com a preocupação latente, tudo tentou para evitar que o Benfica repetisse o feito através de apostas diversificadas de risco e peso na carteira elevado com a concessão de carta-branca ao treinador, facto que já não tinha paralelo desde os tempos de José Mourinho. A estrutura de sonho em face de dispôr de menos ases de trunfo, apagou-se ostensivamente e permitiu que Lopetegui desempenhasse o papel de estrela da companhia, num desempenho pouco mais do que sofrível.

4. Com efeito, a sua fixação com a arbitragem levou-o a um desgaste inglório e prematuro, com os adeptos, simpatizantes e opinião pública a quase ignorarem as suas constantes investidas contra os árbitros. A escola Pinto da Costa que tão bons frutos tinha dado no passado, provou que nos tempos actuais não passa de um mero fait-divers sem a influência de outrora, porque o controlo férreo que era a sua imagem de marca, foi-se esboroando à medida que o seu modus operandi foi sendo escalpelizado e a emancipação dos diversos agentes uma realidade irreversível.

5. Terá sido o "Apito Dourado" o primeiro grande detonador dessas ínvias estratégias de acesso e ganhos de influência e do controlo do poder nos órgãos vitais do futebol, com o YouTube a dar uma ajuda preciosa e decisiva para a tomada de consciência de muitos que, apesar dos intensos rumores, só acreditaram quando foram colocados perante as provas e evidências esmagadoras. Terá porventura começado aí o lento volte-face, sendo que só se reflectiu verdadeiramente a partir do momento em que alguns dos protagonistas foram saindo de cena, muito embora sem a purga que se justificava. Daí o processo ser mais moroso.

6. Os bastiões da liderança sempre se centraram na liderança da Arbitragem e dos Órgãos Jurisdicionais cujo controlo era essencial à estratégia e, um degrau abaixo, a Liga e a Federação. A despeito de todas as desconfianças e dúvidas manifestadas, o que é facto é que em quase todos estes órgãos foram acontecendo mutações com descomprometimentos, que deram origem a um ar menos poluído, seguindo uma via própria e mais independente, sem contudo eliminar todos os erros e conluios do passado. Recorda-se o que aconteceu com Hermínio Loureiro enquanto presidente da Liga e, mais tarde, com o seu sucessor Fernando Gomes que de forma imprevista e contra as expectativas, por razões ainda fora do alcance da compreensão da maioria da opinião pública, enveredou por um caminho fora da sua tutela histórica.

7. O facto do FC Porto de Pinto da Costa ter deixado de controlar em absoluto o Sector de Arbitragem liderado por Vítor Pereira, deu origem a que o habitual passeio portista pelo campeonato deixasse de acontecer e, com isso, o despertar da ira do Dragão cuja tolerância passou a ser zero. A constante ironia que fazia parte do cardápio pintista sempre que o Benfica reclamava quando era severamente punido por erros arbitrais, deu origem a reclamações constantes do lado portista quando agora é esporadicamente prejudicado mas, essencialmente, porque não tem recolhido os benefícios a que estava habituado. Daí a campanha que tem acontecido com as tentativas de retorno ao poder a terem lugar como nos bons velhos tempos através de alianças espúrias de circunstância…






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