Ponto Vermelho
As guerras dos bastidores…
23 de Julho de 2015
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O Futebol português habituou-nos, nas últimas décadas, às mais incríveis surpresas, incoerências, cambalhotas e alianças espúrias de ocasião, tudo para conseguir manter a influência e o controlo ou então, na tentativa de os recuperar. Os que perderam o absolutismo há relativamente pouco tempo e aqueles que não o cheiram há muito. É, de facto, tentador. No fundo, aparte o mito urbano da fina ironia que se extinguiu sem deixar rasto e que era usada por quem detinha o poder para tentar denegrir os principais adversários, há agora o candidato a candidato que luta desesperadamente para ganhar lugar na fila da frente convencido que a infinidade de batalhas e pequenas guerras o levarão ao trono ambicionado. Um fartote!...

A inevitável evolução obrigatória que apesar da lentidão não poderia deixar de acontecer, trouxe novidades nos vários tabuleiros do poder com oscilações inesperadas. A hierarquia dos interesses constituída pela pirâmide – Arbitragem (nos seus múltiplos aspectos e não apenas nas nomeações), Órgãos Disciplinares, Federação e Liga –, sofreu mutações pronunciadas que deslocaram a centralização de poderes e com isso uma maior democraticidade na tomada de decisões nem sempre coerentes diga-se em abono da verdade. Uma realidade que tem vindo a ser absorvida paulatinamente sem causar por isso estranheza.

Causou natural perplexidade em muitos benfiquistas, o apoio concedido por Luís Filipe Vieira a Fernando Gomes para a presidência federativa, baseada fundamentalmente no facto da história desportiva deste dirigente se fundir com a do FC Porto no período avassalador de domínio portista, onde quase tudo o que aconteceu de lamentável que veio a lume o tornaram refém e de alguma forma conivente, apesar da sua área de influência se situar numa praia diferente. Fazendo agora uma breve retrospectiva desde que atingiu o dirigismo na Liga e na FPF e se quisermos ser frios e concisos na análise, poderíamos eventualmente concluir que houve desenvolvimento global no futebol português, permanecendo contudo durante algum tempo, pontos de interrogação particularmente naquilo que preocupava os adeptos: a continuada tendência de favorecimento ao FC Porto dado o seu passado azul e branco.

Mas o perfil ambicioso de Gomes cedo o levou a traçar um outro caminho. É verdade que as primeiras escaramuças foram interpretadas como simples fait-divers, mas a sequência do caminho começou a gerar as primeiras dúvidas; qual a razão de ser criticado por Pinto da Costa? Por mera estratégia para esconder a verdadeira essência das coisas? Por não corresponder em pleno aos desejos hegemónicos de Pinto da Costa? Por ter abandonado o barco portista? Por emancipação e ambição própria de querer seguir uma carreira a solo? O futuro o dirá, mas para já, o seu futuro na UEFA legitima a estratégia que seguiu e pode vir a ser benéfica para si próprio como é óbvio, mas também para o futebol português.

Porque o Benfica tem de ser impedido a todo o custo de vencer o terceiro campeonato consecutivo, ao intenso folclore vindo de Alvalade juntou-se agora o homem que mais golpes de rins conseguiu no futebol luso – Pinto da Costa. Curioso como no dealbar da vida desportiva luta desesperadamente para se manter à tona. Ele lá saberá porquê. Certamente essa será uma das razões para os investimentos megalómanos de há duas épocas a esta parte em total contraciclo com a conjuntura de crise. Uma situação copiada pelo Sporting que também não quer deixar os seus créditos por mãos alheias, o que devia merecer uma análise e uma reflexão mais profundas por parte de jornalistas e comentadores. No entanto estranhamente tem acontecido o contrário, contradizendo as críticas ferozes que noutras épocas dirigiram ao Benfica. Nesta, ironicamente, criticam porque não tem investido… Tudo afinal passa a ser coerente e legítimo desde que essa acção conjugada de várias famílias possa impedir o Benfica de ser campeão. Interessante, não é?










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