Ponto Vermelho
Preocupações de preocupados…
27 de Julho de 2015
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A despeito de todas as épocas terem enormes semelhanças na sua génese e preparação, há sempre novas nuances e diversificações. Em todos os clubes. Por diversas razões, sejam elas da conjuntura que se vive, dos objectivos traçados pelos dirigentes, ou das janelas de oportunidades que surgem quando menos se espera e dão origem a negócios, à partida, fora de qualquer cogitação. O futebol no seu actual modelo capitalista, movimenta centenas de milhões e só isso é motivo suficiente para atrair como moscas, um amplo leque de interessados sempre ávidos de explorar as imensas possibilidades de obtenção de lucros chorudos com a proliferação de transacções. O futebol é, sem sombra de dúvida, um dos actuais El Dorados

No meio de tudo isto existe a imprensa que se move por critérios consoante o vento vai mudando. Infelizmente para ela e para nós, cada vez é mais notório e gritante a sua impossibilidade de independência face aos vários interesses, seja eles económicos, clubísticos ou políticos, até porque as oportunidades escasseiam e a concorrência é cada vez mais diversificada e feroz, concorrendo para que a batalha das audiências e das tiragens tenha que ser levada muito a sério. Porque, ao fim e ao cabo, está em causa a cada dia que passa a sobrevivência dos próprios media e por extensão dos seus profissionais. É um facto iniludível.

Embora isso não justifique tudo, se quisermos ser de algum modo compreensivos com o fenómeno, teremos que dar a tolerância possível a certos desvios que não estão em consonância com a tradição e a história de um passado que catapultou certos órgãos para patamares elevados por serem vistos e considerados como símbolos de rigor e sinónimos de competência dos seus profissionais ao longo de várias décadas que os prestigiaram e lhe deram expressão e visibilidade. Os tempos são outros e a ausência de rigor factual e até a irresponsabilidade, já fazem parte do seu quotidiano. Há que acompanhar as tendências dos novos consumidores sob pena de ficarem definitivamente para trás.

Um dos órgãos que mais nos marcou nesse capítulo e estamos certos a sucessivas gerações, terá sido, sem dúvida, o então trissemanário desportivo “A Bola”. Ainda hoje, a cada passo, são vários os testemunhos que disso dão conta em Portugal e na diáspora. Por excelência dos seus profissionais mas, sobretudo, pela linha independente seguida, do rigor e por uma política vanguardista que tinha o condão de chegar sempre primeiro. O facto de ter passado a diário obrigou, desde logo, a uma transformação profunda nos hábitos enraízados e à procura constante de notícias que levaram, em primeira instância, a uma menor consistência e falta de rigor e isso foi levando a uma mudança gradual. Obviamente para pior.

Para quem estava habituado a todos esses items que eram a principal razão do seu elevado consumo, é com imensa tristeza que temos acompanhado essa evolução negativa. Não é que nos seus quadros não militem profissionais de grande gabarito, mas pelo que temos observado, na linha dominante, parecem estar neste momento pessoas com critérios editoriais duvidosos e que deixam muito a desejar. Apesar de apresentar alguma diversificação, foi-se perdendo paulatinamente o rigor que levou décadas e décadas a acumular-se e que lhe granjeou, justamente, a auréola de melhor e mais completo jornal desportivo do nosso país.

Constatado isso, registamos a preocupação do seu director que nos tempos mais recentes e de forma sistemática, nos tem mimoseado com argumentos e opiniões que soam a déjà vu e até mesmo a caixa de ressonância. O importante advento das redes sociais não pode hoje em dia ser menosprezado. Mas transpor aquilo que parece ser o sentimento de meia dúzia que se caracteriza pelo banzé que faz é, a nosso ver, uma maneira errónea de tentar reflectir o sentir de uma massa imensa que pensando pela sua cabeça, não se revê nessas opiniões negativistas. Não ignoramos a influência que esses argumentos têm no formar de opinião de muitos adeptos que tendem a adoptá-los (com alguma lógica subjacente para os tornar mais credíveis), como realidades absolutas que estão longe, muito longe, de o ser. As organizações, estruturas ou lá como lhe queiram chamar depois de anos e anos de dificuldades para chegar até aqui, não parecem andar propriamente a dormir. Seja qual for o resultado final…








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