Ponto Vermelho
Do céu caiu uma estrela…
31 de Julho de 2015
Partilhar no Facebook

No sempre imprevisível futebol português não há lugar a situações entediantes. Seja qual for o tema de discussão, é seguro que teremos de certeza incoerências (para os que ainda se dão ao trabalho de as reconhecer e registar), e artísticas piruetas, sempre ao sabor dos interesses particulares do momento. Por serem tão recorrentes já ninguém estranha o fenómeno criando a habituação, o que em si mesmo leva ao marasmo e até ao retrocesso. Os últimos desenvolvimentos na Liga de Clubes não nos desiludiram, e depois da unanimidade na moção de reconhecimento ao trabalho desenvolvido por Luís Duque e à insistência para se voltar a candidatar, tivémos o desvio de 12 clubes da I Liga (cerca de 67%). Um monumento à coerência…

Numa outra vertente, as declarações em Março do ex-árbitro Pedro Proença afirmando que não estava nas suas cogitações, nos tempos mais próximos, ser candidato a coisa nenhuma em Portugal e repudiando mesmo o facto do seu nome estar a ser usado para servir outros interesses não colheu de surpresa os mais atentos, parecendo antes querer significar o contrário. Quem acompanhou com olhos e ouvidos críticos a sua carreira em Portugal e por extensão no estrangeiro não deixou de constatar, os malabarismos de que deu provas ao navegar sempre ao sabor do vento, sabendo retirar das cambalhotas o máximo proveito. O que está em consonância com a sua personalidade…

Revelou por isso, a par da inteligência e do oportunismo que se lhe reconhece, um sentido estratégico apurado ao posicionar-se em constância junto dos mais influentes do momento, afinal os que lhe poderiam garantir o sucesso profissional. Durante o seu percurso sinuoso não hesitou em fazer constar que era simpatizante do Benfica, um ponto importante na sua estratégia de adormecimento das mentes descuidadas e ingénuas que tendem a acreditar em tudo o que se diz, sem cuidarem de ler previamente nas entrelinhas o alcance de algumas afirmações ou de certos procedimentos. Proença, cultivando um ego desmedido, sempre foi afinal coerente: Se para obter vantagens e apoios para outras cruzadas era preciso prejudicar ostensivamente o Benfica, pois então que isso não constituisse problema… E assim foi, entre outros primores menores, para não sermos exaustivos, 2 (dois) campeonatos decididos por si a favor do clube dos membros que considera como queridos…

É esta personalidade multifacetada e dotada de inesgotáveis expedientes que foi eleita para presidente da Liga de Clubes. Numa primeira instância ficou a sensação para muitos de que teria sido uma candidatura de última hora. Nada mais falso! Recuperando as suas declarações de Março e quando alguém com lucidez e conhecimento de causa referiu que a sua ambição só parava no ponto mais alto (o que então motivou a sua reacção), constata-se que já nessa altura estava em gestação a sua candidatura ao seu actual cargo, o único disponível na sua hierarquia de interesses e dos seus promotores. Como provavelmente Duque terá insistido em pagar o almoço do seu próprio bolso não se prestando a servir de ponta-de-lança contra Fernando Gomes, isso terá levado Pinto da Costa a mudar as agulhas na sua obsessão… O líder pintista sempre soube adaptar-se às circunstâncias. Mas não foi ele que mudou… se calhar fomos nós…

Por tudo isso, ninguém acredita que o candidato Proença tenha surgido numa 6.ª Feira para disputar eleições na Terça. Ainda por cima não estamos em época de nevoeiro… Estava tudo há muito definido e o facto de não ter ligação nem experiência de gestão de Clubes era um facto irrelevante. Não aconteceu o mesmo com o seu ex-colega de curso o senhor Carvalho? Se os benfiquistas seguissem a cartilha do presidente leonino e dos muitos opinadores engajados que nos quiseram vender a tese, poderíamos afirmar que a candidatura de Proença era, em face do seu passado, uma provocação. Mas não vamos por aí. Limitamo-nos a registar a coerência e a confirmar a reedição da aliança que levou o Sporting aos infernos…

Para isso muito concorreu o velho guerreiro Joaquim Oliveira. É que depois de ter abanado e passado um mau bocado, o dito empresário tem vindo a ressurgir e isso animou as hostes, havendo já quem pense de novo no tempo dos chitos e do controlo que prolongou o período das trevas no nosso futebol por mais de três décadas… Este é, apenas e só, o primeiro round no combate para o regresso da velha e conspurcada hegemonia. Só que num cenário muito mais complicado porque há cada vez mais gente com os olhos bem abertos… Proença não tardará a senti-lo, até porque as promessas à Passos Coelho… não demorarão a ser cobradas. Vai ter vida difícil mas quem é que aceitou deitar-se na cama?








Bookmark and Share