Ponto Vermelho
Óbvio e tão natural como a sede…
4 de Agosto de 2015
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Aproxima-se a passos largos o primeiro jogo oficial da época já no Domingo e, por envolver os dois eternos rivais, está a agitar a imprensa que tenta, fazendo o seu papel, arrastar por todos os meios os adeptos para a discussão numa fase em que todos os sonhos e expectativas são legítimos, quer de uns quer de outros. Independentemente do que ficou para trás, das peripécias que têm sido o mote para a presente temporada pois, como sabemos desde os primórdios, o futebol é o momento e tanto as glórias passadas não decidem as vitórias futuras como as desgraças continuadas podem, de repente, galvanizar ao ponto de cortar a meta antes do adversário.

Posto isto, prossegue intensa e agitada a romaria em Alvalade. É que se consumou no Sporting uma eternidade futebolística de fracassos que se caracterizava por sistemáticos infortúnios que faziam regra geral a sua aparição antes do Natal, logo no primeiro terço da época. O facto do cenário actual depois de tantos e tantos anos se apresentar com uma face mais risonha e substantiva, é motivo mais do que suficiente para que os adeptos e simpatizantes leoninos andem nas nuvens exteriorizando a fé e a convicção de que, desta vez, sim é que vai ser, mesmo partindo do pressuposto de que as surpresas podem vir a estragar o elevado índice de expectativas criado nas suas mentes ávidas de sucesso.

Todavia, a conjuntura é-lhes neste momento favorável e só o facto de Jorge Jesus ter vindo do seu maior rival é motivo real e objectivo para que as suas virtudes e méritos sejam sobrelevados, esquecendo rapidamente os dichotes e as piadas de mau gosto com que ao longo dos últimos seis anos o mimosearam. São assim os alcatruzes da nora em que muitos dirão que é devido às emoções que o futebol gera sobretudo a nível clubístico mas, se procurarmos bem, veremos que em muitos outros aspectos da vida a situação assume contornos idênticos senão mesmo piores. E então aí será de quê?

Julgando conhecer as suas características, já se antecipava que a Alvalade iriam chegar paletes de jogadores. Como aliás Jesus deu mostras de gostar durante todo o seu percurso pelos clubes, incluindo no Benfica em que tinha mais dinheiro para gastar e onde nunca em tempo algum houve tanta circularidade de atletas pela Luz, alguns contratados mas sem nunca chegarem a envergar a camisola encarnada. Até mesmo monos, perdão flops como agora se proclama!

Não é preciso ser adivinho para perceber que antes de dar o sim ao Sporting, Jesus deve ter tido a garantia da vinda de reforços em profusão, sendo que mais uma vez BC, de acordo com os manuais de boa gestão empresarial e desportiva conseguiu o milagre da multiplicação visto que pouco tempo antes tinha afirmado não saber ainda que orçamento iria ter para a época desportiva. Entende-se agora melhor o alcance das razões de BC; estava longe de imaginar o disparar de gastos que iria ter com o plantel que Jorge Jesus iria definir, sendo certo que tudo acaba por ficar mais ou menos bem quando acaba bem. Mas sem qualquer ironia subjacente, francamente gostaríamos de ver Jorge Jesus a ter à disposição para aquisições por exemplo, as centenas de milhões de um Real Madrid ou de Manchester City…

Não as tendo, teve forçosamente que ser mais modesto. E, valendo o que valem as pré-épocas, a realidade é que depois de galvanizar os adeptos leoninos com a sua simples presença (pessoal e sentimental), Jesus meteu mãos à obra e não demorou até aparecerem nomes alguns até já referenciados aquando da sua passagem pelo Benfica em que a sua vinda, por uma razão ou por outra, acabou por não se concretizar. Parece pois ter um plantel à sua medida dentro das naturais limitações com os resultados a serem estimulantes, fazendo lembrar a sua segunda pré-época no Benfica em que quase levou tudo de vencida com algumas goleadas pelo meio. Se vai ou não repetir-se a história ainda é cedo para se dizer. Mentiríamos se disséssemos que não estamos curiosos…








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