Ponto Vermelho
Os condicionalismos das opções
6 de Agosto de 2015
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Ao contrário da satisfação e das expectativas que os adeptos benfiquistas tinham quando terminou a época e já se perfilavam no horizonte os contornos da próxima, dá a sensação neste momento que uma parte desses adeptos e simpatizantes estão mais comedidos e mesmo invadidos por um certo desencanto. Nada mais natural na tribo do futebol que evolui e se transforma a cada instante, fruto de modificações que surgem sem avisar e são colocadas como factos consumados e irreversíveis. Sendo contudo algo que se nos afigura precipitado, tudo isso tem os seus fundamentos a que não será alheio o momento presente.

Os resultados de uma digressão demasiado extensa e por alguns considerada inoportuna ao acharem que teria sido preferível trabalhar no aconchego do lar face à nova conjuntura, a debandada de alguns elementos importantes com a agravante de se terem passado para os rivais directos, concorreu para que o saldo final estivesse longe de ser entusiasmante. Afinal na linha do que tinha sucedido um ano antes. E quando o Benfica não vence mesmo que os jogos sejam a feijões aliando a isso exibições pouco convincentes, então as críticas ressurgem e aumentam de tom focalizando como é hábito apenas e só os aspectos negativos, desvalorizando ou mesmo ignorando as razões subjacentes.

Nas equipas de futebol como afinal nas cenas da vida quotidiana, são tomadas decisões em função daquilo que se julga ser o mais ajustado. E, na maior parte das vezes, é impossível congregar apenas os aspectos positivos tendo em conta a complexidade da conjuntura que se apresenta. Decidir é acertar e errar mas isso só se sabe depois. Estamos convictos de que a Direcção encarnada e em particular o seu presidente pesou os prós e os contras e acabou por tomar uma decisão que, aparte inegáveis vantagens, teria sempre inconvenientes inevitáveis. No contexto actual do futebol português, é impossível resistir a convites daquele jaez; pelos montantes envolvidos e pelo prestígio inerente. Mas também com riscos.

Desses inconvenientes a parte mais visível seria a longa e cansativa deslocação e a impossibilidade de treinar e integrar os novos elementos que fazem parte do plantel, potenciados pelo facto de haver um novo treinador que apesar de tudo, necessita de conhecer os cantos à casa na nova realidade. Andar permanentemente em deslocações em diferentes países e realidades não seria, por certo, o melhor cenário para treinar integrações ou para conhecer todas as potencialidades. Todavia, era um risco que tinha que ser assumido. O todo de uma equipa de futebol de alta competição, limitada como são todas as do futebol português, não se compadece com isso e pelo que vimos, até equipas de grande poderio financeiro não enjeitaram idênticos desafios. Em alguns casos com resultados desastrosos…

Pelo que nos foi dado observar, não vislumbrámos resultados e exibições que embora tenham causado alguma apreensão, não fizeram soar a campainha de alarme. Não negamos que enquanto adeptos, não tivéssemos apreciado o Benfica a jogar bem, a convencer e a obter bons resultados com equipas de gabarito. Mas bem sabemos que aparte mais ou menos aquisições (sonantes de preferência), existe uma realidade que não pode nem deve ser escamoteada sob pena de voltarmos a caminhar para o abismo que no fim do século vimos bem próximo. A menos que optemos por avançar sem rede com êxitos no imediato mas com a execução de eventuais hipotecas no futuro.

Tal não significa que o caminho esteja a ser percorrido sem erros. Constata-se, aqui e ali opções de natureza duvidosa como seja a aquisição de novos atletas cuja mais valia (no seu conjunto), poderá deixar margem a reparos. A vertigem das aquisições que até há bem pouco fez escola na Luz tem forçamente que dar lugar a compras selectivas que venham acrescentar mais valias ao plantel, tendo até em conta a realidade do Seixal. Fomentar aquisições só pelo facto em si é limitado e não ajuda a resolver os problemas. Porque estamos na antecâmara da nova época e as conclusões não são nem poderão ser definitivas, deveremos aguardar por novos desenvolvimentos para se poder fazer um balanço mais ajustado. Até porque o fim de Agosto ainda está longe…








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