Ponto Vermelho
O ser assim ou assado…
8 de Agosto de 2015
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É sabido que todo e qualquer ser humano tem personalidade e características próprias, sendo que a sua forma de agir e de se comportar pode diferir de forma substancial em relação a todos os outros indivíduos. Podendo isso ser uma saudável manifestação de independência e um forte pontapé no marasmo, existem todavia algumas condicionantes dado que essa liberdade não lhes concede o direito de se tornarem abusivos e dizer tudo o que lhes passa pela cabeça. Sendo inteligentes como são, não deviam desconhecer os limites não ultrapassando fronteiras (por mais alargadas que sejam), invadindo esferas pessoais com frases ou discursos ofensivos seja qual for o grau de tolerância dos outros.

Poderá isso agradar a alguns e sobretudo à imprensa que aprecia o confronto permanente mas seguramente não é nem deverá ser esse o caminho a seguir. O desalinhamento é sempre bem vindo desde que não hajam exageros aos limites do bom senso. Sendo figuras públicas por força dos seus méritos e das suas convicções e por permanecerem com regularidade na ribalta, a sua forma de ser e de estar é naturalmente escrutinada a cada momento. Todos constatamos isso e decerto essas figuras também.

Jorge Jesus tem sido, desde sempre, uma figura pitoresca e excêntrica no mundo do futebol. Atingiu o cume quando chegou ao Benfica como o próprio constatou. O Clube projectou-o e ele por sua vez, com altos e baixos correspondeu dando ênfase aos resultados obtidos. Pelo meio, sucederam-se diversos episódios definidores da sua personalidade controversa e egocêntrica que foram sendo de alguma forma amenizados e perdoados pelos resultados que obteve. Sem que isso para os adeptos mais tradicionais, não merecesse recriminação ainda que de forma silenciosa, sempre que Jesus se via envolvido em cenas menos dignificantes. É que, como é óbvio, sempre que alguém ao serviço do Benfica as protagoniza aparte a função que exerce, por mais razão moral que lhe assista é sempre o nome do Clube que fica em causa.

Seja como for, após Jesus ter abandonado o Clube de forma menos ortodoxa e ter optado por treinar o Sporting, importa não enveredar pelas habituais conjecturas de sentido único fazendo ressaltar apenas os aspectos negativos constatados ao longo dos tempos. Não, fazemos questão de validar também o outro lado da questão e pese embora os meios e os apoios extra que recebeu de toda a organização e dos adeptos e simpatizantes (especialmente quando estava na mó de cima), é justo reconhecer que o que a História fica a registar é a conquista de 3 campeonatos e a disputa de 2 finais da Liga Europa. À medida que o tempo vai passando, serão estes os dados que ficam porque os outros, alguns dos quais bem cinzentos, acabam por se diluir por completo como a espuma da praia.

Pela parte que nos toca, ainda que verberando determinadas atitudes e comportamentos, sempre fizémos questão de colocar água na fervura tendo em conta os superiores interesses do Clube de quem somos adeptos. Mas agora, libertos que estamos dessa reserva limitativa nada nos impede de analisar de forma mais aberta o Homem e o treinador nas suas múltiplas vertentes sem que isso queira significar, de todo, o lado mais criticável da sua personalidade e das suas atitudes comportamentais. Tentaremos ser equilibrados mas sem qualquer inibição na crítica no sentido literal do termo.

Seis anos no Clube que o projectou e o conduziu aos píncaros e a um contrato ainda mais milionário do que usufruia no Benfica tendo em conta a realidade portuguesa, deveria servir para que, já não dizemos gratidão mas a uma maior contenção e moderação, mesmo considerando que passou para o seu clube do coração e nosso rival histórico, onde certamente foi confrontado de imediato com uma nova temperatura sempre abrasiva para com o seu vizinho. Conseguimos compreender, sem esforço, toda essa nova problemática, mas não somos forçados a aceitar aspectos e atitudes que roçam a deselegância e a falta de de ética. A fobia de autopromoção constante não tem que passar necessariamente pelo menosprezo dos outros.

Acresce que à excepção de alguns remoques de uma minoria de adeptos, naturais nas circunstâncias, o grosso da coluna incluindo dirigentes, optou pelo silêncio o que significa, de forma implícita, respeito pelo seu trabalho. Mesmo percebendo a necessidade premente de introduzir mind games em face da proximidade do jogo da Supertaça para os quais se percebe que Jesus não tem jeito, era de todo escusado o ataque combinado de egocentrismo com a tentativa de desvalorização do trabalho dos seus sucessores (no Benfica e no Sporting), atitudes que não lhe ficam nada bem tendo em conta o estatuto que já alcançou no futebol. Em contraponto com as teses que defendem que Jesus é mesmo assim… e por isso mesmo os maiores dislates estão desde logo desculpados, nós não vamos por aí até porque o discurso de alguns alterou-se a partir do momento em que Jesus mudou de clube…
P.S. Perante o que defendeu Jesus ficou-se a saber que iremos assistir a um duelo sui-generis em que só haverá um único vencedor (ele próprio), pois defrontam-se as ideias que deixou no Benfica com as novas com que alterou (tudo) no Sporting. Aparte tudo isso, como disse Stanlley, « Vê-se que a educação e os bons modos não fazem parte da massa cinzenta do cérebro de algumas pessoas»…






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