Ponto Vermelho
Depressões a destempo…
12 de Agosto de 2015
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Citando a publicidade de uma marca de água: «Tão natural como a sua sede…», diríamos que todos os desenvolvimentos da pré-época encaixam-se na perfeição na maneira muito peculiar de ser dos adeptos do futebol, no caso os do Benfica. De facto, algumas das reacções até de gente que tinha por obrigação ser mais serena e pragmática, configuram em pleno a teoria da circularidade em que parte da imprensa e do painel alargado de comentadores replicam a vozearia das redes sociais e estas voltam a ampliar as mesmas questões sem se darem ao trabalho de tentar entender a fundo as razões e a problemática no seu conjunto. Sobretudo se for negativa, como é o caso.

Voltemos pois atrás. Há 3 épocas os órgãos dirigentes do Benfica e em particular o seu presidente, tomaram uma opção de risco elevado ao optar pela continuidade, contra a grande maioria das opiniões, do mesmo treinador caído em desgraça. Foi uma decisão corajosa mas arriscada que acabou por ter um happy end, pois na altura quase todos os indicadores apontavam para que corresse mal. Desta vez, voltamos a estar perante uma situação com algumas semelhanças, sabendo-se de antemão que o sucesso ou o falhanço estão apenas à distância de um click. Mas, tal como no passado recente, tal opção seria elogiada ou criticada em função das exibições e dos resultados.

Na cabeça de cada um dos adeptos está sempre implícito o treinador ideal tido como o mais adequado para dirigir a equipa. Não tendo sido renovado o contrato com Jesus por razões ainda não totalmente esclarecidas, a decisão largamente maioritária apontava para um treinador português de créditos firmados que desse continuidade à sequência e, em particular na Europa onde dentro das limitações existentes, se pedia e pede que o Benfica pela sua força e prestígio, não lhe vire as costas com o fortíssimo argumento que não pode tirar os olhos do campeonato. Mais; uma das apostas deverá ser na Liga dos Campeões que lhe granjeou uma boa parte do prestígio de que disfruta, sempre com a perfeita noção das tremendas dificuldades que se lhe deparam hoje em dia. Como se constatou, não foi isso o que aconteceu nas últimas épocas.

Foi público que uma das opções para novo treinador foi Marco Silva. Sem surpresa porque se trata de um treinador jovem, ambicioso e competente, e porque, em face de Jorge Jesus se ter mudado para Alvalade, para alguns adeptos era uma forma de ripostar. Contudo, logo à partida a sua situação contratual e as complicações e burocracias que inevitalmente se seguiriam, faziam crer, caso tivesse sido essa a opção, que a sua disponibilidade estaria longe de suceder em tempo útil. Portanto, era logo à partida uma carta fora do baralho.

Para além da opção do presidente encarnado não apontar para aí, a insistência no nome de Marco Silva sem sequer cuidar de saber das possibilidades reais, desde logo começou a fragilizar a futura opção que na altura parecia ser Rui Vitória, tido como o treinador com mais valências perante a nova conjuntura e a eventual mudança de paradigma. E, sendo o enquadramento algo similar com o ocorrido no passado recente, as desconfianças e o pessimismo manifestado por alguns adeptos aumentariam ou não em função dos resultados que se seguiriam. Sem se darem ao trabalho de avaliar o projecto, o enquadramento, as condições de que dispunha no imediato e as dificuldades naturais da mudança, tendo começado a disparar face aos primeiros resultados. A nosso ver de forma precipitada por ser demasiado cedo para avaliar o que quer que seja e porque, ao fazê-lo e do modo como tem sido feito, tem propiciado aproveitamento dos adversários seja qual for a pele que vistam, mesmo até de qualquer bronco.

É evidente que se acontece com claro prejuízo do Benfica é porque há abusos e a reacção, à letra, não tem existido como muitos gostariam. Neste mundo onde os comportamentos execráveis são relevados e tratados como saudavelmente diferentes sempre em prol das tiragens e das audiências, é preciso por vezes ainda que possa contrariar a nossa maneira de ser, reagir dentro da mesma bitola porque o mundo dos bens comportados está em vias de extinção, e também porque se convencionou catalogar os que berram mais e se comportam como se estivessem no mundo do circo, como os que tem mais razão e são mais espertos. Embora devamos ter sempre presente a educação e a urbanidade por uma questão de princípio e para não incendiar o ambiente, por vezes torna-se necessário responder na única linguagem que alguns artistas de trazer por casa percebem, sob pena de sermos tratados como anjinhos. E isso é coisa que não se deve admitir. Quanto ao resto há que dar tempo ao tempo para aquilatar da real evolução dos factos, pelo que juízos antecipados são de todo prematuros!








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