Ponto Vermelho
Súbitas mudanças de atitude…
16 de Agosto de 2015
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A longa maratona que constitui o campeonato nacional para além das novidades sempre esperadas, não parece ter começado sob os melhores auspícios. Tal como as equipas ainda se encontram algo enferrujadas, também alguns treinadores, alguns árbitros, alguns jornalistas e comentadores estão à procura da melhor forma. Têm de treinar mais, restando esperar que isto seja apenas passageiro e que todos, mas todos, tenham desempenhos, comportamentos e atitudes que dignifiquem a profissão porque optaram, de forma a que possamos ter uma prova o mais possível tranquila sem que isso deixe de significar emoções fortes e competitividade aos mais variados níveis.

Coube a um Sporting galvanizado dar o pontapé de saída: Foi possível constatar que o intenso folclore promovido em redor do melhor treinador em solo nacional que assumiu em pleno o protagonismo bacoco que lhe está no sangue relegando praticamente o presidente leonino (outra personagem que navega nas mesmas águas) para uma espécie de Rainha de Inglaterra. Vai ser certamente muito interessante observar a luta pelo protagonismo entre estas duas personagens, sem esquecer uma terceira ainda que mais modesta que no entanto também reclama protagonismo.

Mas o mais interessante tem sido a mudança de agulhas encetada por alguns media com nome feito na praça. Descobriram, sem surpresa, que Jorge Jesus poderá ser um filão inesgotável para alimentar as audiências e as tiragens agora que está no Sporting, sobretudo quando o mesmo que parece ainda não ter interiorizado estar no Clube de Alvalade se entretém, devidamente alimentado, a falar continuamente dos encarnados sempre que lhe põem um microfone à frente, comprovando que o Benfica, quer lhe custe quer não, o marcou para sempre e lhe propiciou as mais belas páginas do seu diário inacabado que começou a escrever 6 épocas atrás.

Talvez por isso a estória dos fait-divers dos SMS tenha ganho uma inesperada dimensão. Justifica por isso mesmo uma referência en passant apenas e só porque neles está envolvido o nome do Benfica. Ontem, tivémos ensejo de observar uma interessante teoria do Director de A Bola, na linha daquelas em que tenta, por vezes, viabilizar o impossível. De facto, segundo o seu conceito, o que aconteceu não é lamentável nem muito menos relevante sendo uma acção comezinha pois está justificada à partida por já ter acontecido, por exemplo, no Felgueiras, no Belenenses, no Braga e no Benfica. Como, a ser mesmo assim, se uma diatribe e total falta de ética pudessem ser justificadas com outras do mesmo teor ainda que em clubes diferentes. As coisas são ou não são independentemente de quando e onde acontecem, pelo que não colhe a argumentação. Um bronco será ser um bronco esteja onde estiver.

Acresce que Vítor Serpa está a demonstrar não querer entender a realidade e o pulsar da maioria dos adeptos encarnados. Por isso, por razões que se entendem na perfeição, vem falar no esforço meritório da Comunicação encarnada que terá levado os adeptos a exorcisarem Jesus. Nunca esteve tão longe da realidade, pois se tivesse acompanhado devidamente os sinais ao longo de todas as épocas com excepção da primeira, constataria que a questão era deveras diferente, facilmente visível nas reacções da maioria dos adeptos nos mais variados fóruns. A tolerância e os aplausos de ocasião resultaram apenas porque quando se ganha até as maiores patacoadas e diferenças se diluem e são momentaneamente perdoadas durante o estado de graça.

O Benfica, pese embora acidentes ao longo do seu percurso centenário, sempre se habituou em ter ao seu serviço, em todos os lugares da hierarquia, pessoas cuja principal característica foi a humildade. Por alguma razão o Benfica sempre foi o clube do povo, daí que a adesão deste ao projecto tenha levado o Clube aos patamares conhecidos. Aparte os princípios democráticos que sempre norteaream os seus representantes, quaisquer que tenham sido, sempre revelaram ética e ponderação . No campo dos treinadores, nomes tão díspares que desfilaram ao longo da História como por exemplo, Otto Glória, Jimmy Hagan, John Mortimore ou Sven-Goran Eriksson sempre souberam dignificar o nome do Benfica na hora da vitória e da derrota. Como é por demais evidente, não foi isso que aconteceu nas últimas 6 épocas. O bairrismo na sua versão mais negativa e saudosista do século passado em finais dos anos cinquenta, há muito que está enterrado. Que fique bem claro que não patrocinaremos, seja qual for o pretêxto, a sua exumação…
P.S.: Quem esteja atento a todos os pequenos pormenores não deixará de sorrir perante a questão hoje colocada pelo jornal a cujo Director fazemos acima referência. Reparem na forma ardilosa como a pergunta é formulada: "Benfica vai conseguir vencer o Estoril"? Sem mais comentários. Nem SMS’s...








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