Ponto Vermelho
Balcanização do Sporting
2 de Fevereiro de 2013
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Luis Godinho Lopes não é o único culpado do despautério em que vegeta o Sporting mas disputa com hipóteses de ganhar o lugar mais alto. Como presidente do Executivo verde e branco, a ele competia ter tomado em devido tempo as decisões que consubstanciassem um salto decisivo na resolução da grave crise financeira leonina que se estendeu à vertente desportiva e a outros sectores com especial incidência na estabilidade dos órgãos dirigentes. Embora acreditemos na sua bondade, o que é certo é que todas as suas tentativas resultaram infrutíferas e, quando assim é, não resta alternativa senão sair.

Constantemente pressionado, o presidente leonino foi ensaiando sistemáticas fugas para a frente que longe de resolver um problema que se afigurava muito complicado, contribuíram e de que maneira para agravar e, pior do que isso, criaram um estado permanente de crispação entre órgãos e até entre sócios. Como consequência o estado do clube agravou-se, e a eventual solução para resolver a crise tem vindo a escassear e ameaça perpetuar um estado de angústia cada vez mais presente no espírito dos associados que não conseguem enxergar como foi possível o clube atingir o estado caótico em que se encontra.

É evidente que o prolongamento da instabilidade gera estados de alma completamente antagónicos que por sua vez potenciam atitudes que estão muito longe de pedir meças ao bom senso. Quando Godinho Lopes sentiu que tinha perdido a sua grande base de apoio devia ter-se imediatamente demitido para abrir caminho a novas alternativas. E se sentisse apoio suficiente, não era de modo nenhum de excluir a possibilidade de se recandidatar. O Presidente leonino enveredou pela via mais difícil na expectativa de que indo por esse caminho veria em breve a luz ao fundo túnel.

Durante meses a fio temos assistido a uma guerra basta vezes pouco surda entre a Mesa da AG na pessoa do seu presidente e Godinho Lopes. Os argumentos esgrimidos foram os alegados erros em catadupa do executivo que estavam a arrastar o Sporting para o abismo e em particular a carreira pouco promissora da equipa principal de futebol em clara dissonância com o prestígio do Sporting. Houve claramente excessos das partes envolvidas que empurraram os leões para o topo da actualidade sem honra nem glória. Mais uma vez Godinho Lopes ciente da força que não tinha, não esteve à altura dos acontecimentos ao não conseguir fazer convergir a pluralidade das vontades que cada vez mais estavam extremadas.

Há largos meses que, mesmo para os observadores fora do universo leonino, perante a enorme fragilidade do presidente leonino desfalcado da base de apoio que lhe tinha garantido a eleição, se configurava que uma das poucas saídas que lhe restavam era a sua demissão e a antecipação das eleições. Porque a alternativa de continuar iria cada vez mais provocar a instabilidade até ser atingido um estado tão grave que forçaria os sócios a tomar uma atitude. A tudo isso Godinho Lopes fez orelhas moucas e numa atitude de provar que ainda detinha o poder, anunciou repetidamente que não se demitiria e iria até ao fim. Só que esse fim tem sido cada vez mais penoso, e as soluções são muito escassas tornando o panorama deveras insustentável.

As últimas semanas têm sido de facto dolorosas para o executivo de Godinho Lopes. Têm acontecido desastres em catadupa nomeadamente no capítulo das contratações, desbaratando por um lado o plantel para emagrecer as gorduras e por outro oferecendo em bandeja de prata jogadores à sua Sede no Porto e, como se isso não bastasse, falhando jogadores atrás de jogadores na tentativa de recomposição da equipa numa evidente falta de competência da respectiva estrutura. Finalmente, para disfarçar os fracassos, para além de culpabilizar a sua própria MAG, tentaram envolver o Benfica numa alegada estória de troca de jogadores em que nem o próprio Godinho Lopes acreditou apesar do esforço para o conseguir.

As tentativas de impedir a possibilidade de dar a palavra aos sócios prosseguem e a Providência Cautelar apresentada pelo Conselho Directivo foi liminarmente recusada pelo juiz. Ao que se anuncia, parece que haverá outros ilustres dos corredores de Alvalade a querer afinar pelo mesmo diapasão, apresentado à vez Providências com o mesmo fim. Só que entretanto a Assembleia Geral já foi marcada pela MAG para dia 9 de Fevereiro para a bancada de Alvalade, pelo que cresce a expectativa à medida que o espaço temporal decresce. Dado o estado de crispação latente no mundo leonino, o ambiente da assembleia não será certamente o melhor para poder discutir com serenidade os males que afectam o leão. E face ao que tem acontecido, o Sporting dispensa perfeitamente mais agitação que só agravará ainda mais o seu estado. Aguarda-se por isso que Godinho Lopes assuma uma atitude de bom senso e se demita para evitar males maiores. O Sporting e os seus associados certamente agradecerão.






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