Ponto Vermelho
Acalmem-se os profetas da desgraça…
18 de Agosto de 2015
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Temos que convir que a expectativa maior não era tanto a 1.ª jornada do campeonato em que o Benfica só tinha conseguido uma vitória nas últimas 9 épocas (o que significa que nas 6 épocas do consulado Jesus só numa - na última - tinha sido morto o borrego), mas que resposta iria dar a equipa encarnada aos críticos e aos adeptos, sem esquecer os inúmeros profetas da desgraça que já esfregavam as mãos de contentes pela perspectiva de verem o Benfica baquear depois dos outros dois ditos grandes terem, com mais ou menos dificuldade, conseguido desenvencilhar-se dos adversários quer lhe calharam em sorte.

Alguns, do alto da sua sapiência futebolística inesgotável que nunca é demais sublinhar, para aumentarem a pressão sobre Rui Vitória e sobre a equipa do Benfica tinham vaticinado que não bastava aos encarnados jogarem bem. Era preciso, em simultâneo, para além de uma eventual vitória indispensável para acalmar algumas hostes mais sensíveis, jogar bem e de forma convincente. Os 53.825 espectadores que demandaram a Luz deram um sinal inequívoco de que, sem enjeitar essa possibilidade desejável, queriam estar antes do mais, com a equipa e transmitir-lhe presencialmente que as tempestades anunciadas só viriam a ser consideradas lá mais para a frente caso viessem a concretizar-se, sendo que em face das circunstâncias era ainda muito cedo para quaisquer tipos de conclusões.

O desenrolar do desafio e as incidências que o rodearam fizeram prova disso mesmo. Os adeptos confirmaram que aparte aquela minoria que sempre contesta tudo desde que a vida não seja um mar de rosas com passadeira atapetada, foram para apoiar no pressuposto e na convicção de que, tendo em conta os dados anteriores, iriam notar dificuldades, desarticulações e coisas menos bem conseguidas, atendendo a que seria impossível, do pé para a mão, assistir a uma transformação mágica em todos os processos e sistemas de jogo da equipa. Não houve nem poderia haver milagres, como foi bem aliás bem visível. Afinal, para responder a uma obsessão sempre presente, o Benfica esforçava-se para conseguir (apenas) a 1.ª vitória nesta nova época no 2.º jogo oficial, não importando as circunstâncias que ficaram para trás.

Sabemos, por natureza, que uma boa parte das massas ululantes seja elas de que natureza forem, só se governam se os outros entrarem compulsivamente em desgraça. Perante esse estado, rejubilam e pegando em frases e opiniões soltas de adeptos desiludidos, constroem textos de encantar sempre na melhor das intenções pois começam aí a construir correntes de opinião que, ao engrossar, tendem a infuenciar mais adeptos e opinião pública, numa espécie de marketing jornalístico de sucesso antecipado.

Face ao inesperado resultado do Benfica que terá surpreendido (e desiludido) muita boa gente, houve que encontrar, à pressa, pontos de equilíbrio de forma a não destoar do diapasão. Afinal, as exigências de, para além de ganhar ter que jogar bem para convencer, teve um desenlace diferente do esperado, pois o jogar bem (aliás muito bem), só ocorreu perto do derradeiro quarto-de-hora fazendo juz à máxima que celebrizou os tais 15 minutos à Benfica. Período que contrastou, de forma clara com toda as (longas) fases do jogo até essa altura, onde foram notórias as insuficiências ainda existentes. Seja como for, esse épico quarto de hora final terá causado incalculáveis danos porque obrigou a alterar toda uma série de crónicas e comentários já elaborados. Simplesmente o futebol fez juz à sua fama de imprevisível. Caprichou!

Como os mais assisados previam, é demasiado prematuro extrair conclusões sejam de que tipo forem. Só após algum tempo depois do pontapé de saída será possível aquilatar da forma com que as várias equipas se vão comportando em termos de evolução de forma e dos resultados conseguidos e, mesmo assim, a menos que aconteça alguma hecatombe surpreendente a qualquer delas, é sempre arriscado tecer considerações definitivas sobre os plantéis e sobre as equipas quando o mercado está aberto e activo e o leque das entradas e saídas não está concluído. O Sporting (ou devemos dizer Jorge Jesus?) tem já hoje uma prova de fogo que poderá vir a influenciar a temporada. Esperamos que, sem remoque e apesar de se tratar de uma eliminatória de acesso à prova milionária, só o espectro da Liga dos Campeões não continue a tolher e a assustar Jorge Jesus…








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