Ponto Vermelho
Está montado o circo
21 de Agosto de 2015
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Ressalta, desde logo, que o Benfica enquanto grande Instituição (ou deveríamos chamar Empresa ou Organização para não afectar os tímpanos mais sensíveis?), por ser constituído por humanos revela como tantos outros, insuficiências e comete erros. Exigir infalibilidade em tudo o que os encarnados dizem ou fazem seria utópico e revelador de parcialidade objectiva. Não sendo possível, infelizmente, exigir aos críticos supostamente isentos e cada vez mais numerosos equidistância e rigor nas suas críticas e análises, seria uma completa ingenuidade e insensatez pedir silêncio e discrição a quem, dentro da estrutura, tem por missão responder a todas as diatribes e aleivosias com que tentam atingir o Benfica. E que são muitas e variadas!

Não deixámos de registar algumas correntes que revelam apetência natural e apreço por algumas personalidades – nomeadamente José Mourinho e Jorge Jesus - para quem a educação, a ética e o fair-play são uma treta totalmente antiquada. Para além de respeitarmos, como é óbvio, opções de natureza pessoal, assimilamos com facilidade que o tipo de comportamento folclórico e basista daquelas personagens faz as delícias do imaginário populista dos adeptos e da opinião pública (mesmo daquela menos familiarizada com o fenómeno) e, mais importante ainda, da comunicação social sempre ávida de caixas para conseguirem vender o seu produto. Mesmo que isso até atente contra o seu estatuto editorial!

Não é por acaso que, para além dos orgãos especializados de índôle desportiva, temos jornais generalistas, televisões e publicações casuísticas a dedicaram cada vez mais espaço e atenção aos inúmeros fait-divers que inundam a actualidade desportiva. É seguro, têm projecção e dão a garantia absoluta que irão ser consumidos. E, como se sabe, é disso que vivem e se alimentam esses espaços, pelo que potenciam e esticam qual pastilha elástica (não confundir com as consumidas por um mediático treinador de futebol…), todo e qualquer assunto susceptível de poder vir a ser explorado. De preferência até à exaustão...

O tão empolado caso de Jesus –treinador – reune, à partida, todos os condimentos que podem fazer dele uma novela com prolongamento no tempo e no espaço. Esteve 6 épocas no Benfica, era conhecido por demais o seu sportinguismo desde o berço, intervalou com fases de bigamia em que não se inibiu, de forma pública, de demonstrar intensa paixão pelo Benfica (vidé penúltima época). As suas atitudes e o seu comportamento, como é fácil de constatar, foram muito para além das suas obrigações profissionais, sendo que terá havido fases em que até os mais cépticos benfiquistas se convenceram que estavam perante a conversão de um cristão novo ao seu emblema. Meras ilusões de óptica...

A experiência da vida dá-nos ensinamentos em como paixões exacerbadas tendem a ser seguidas de intensos momentos de rejeição. Nesses momentos, fruto da desilusão e do desencanto, são consideradas apenas e só as fases de pesadelos levando a esquecer as coisas boas enquanto durou e o relacionamento e a globalidade do trabalho desenvolvido, em detrimento da análise e do foco que incide, tendencialmente, sobre os aspectos mais negativos. É uma realidade lógica e instintiva mas quase sempre inevitável dado o acirrar dos ânimos em presença. É mais uma vez o caso com o nosso ex-treinador, que resolveu optar por uma via provocadora sem qualquer justificação.

A história com aspectos imprecisos e contraditórios a condimentá-la, vai-se escrevendo em função dos vários interesses envolvidos. E não estamos só a falar das duas partes desavindas. Para além do que os adeptos conseguiram perceber, é importante registar de quem partiu o arremesso da primeira pedra. Sabe-se, sabemos todos, que Jorge Jesus adora congregar em seu redor todo o protagonismo pois o seu egocentrismo não cede um milímetro. O centro do mundo parece agora estar sediado algures em Alvalade onde encontrou uma personagem que também nada faz para passar despercebida. Continuamos todos curiosos pelo inevitável choque de tão pronunciados egos. Até que comecem as primeiras escaramuças (neste momento a focagem está no exterior), é lógico pensar que ambos tendam a caminhar de braço dado como se o mundo começasse e acabasse no interior das paredes do Clube dos Viscondes….








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