Ponto Vermelho
Benfica: falhanço não previsto
26 de Agosto de 2015
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Dando razão a alguns mais ponderados que previam perda de pontos a qualquer momento pelos três grandes em qualquer campo, o Sporting e o FC Porto foram os primeiros a comprovar essa previsão e, como depois tivémos oportunidade de constatar sem qualquer surpresa de maior, os resultados acabaram por ser normais a despeito da enorme diferença de valores para os adversários que lhe couberam defrontar. Igual lógica se deve aplicar ao Benfica em Aveiro que ainda conseguiu fazer pior pois não conseguiu amealhar qualquer ponto. Foi portanto uma jornada algo surpreendente, ficando por demonstrar se isso corresponderá ou não à subida gradual da competitividade e do atenuar do desnível para as formações teoricamente menos preparadas, ou se foram meros acidentes de percurso. Pela nossa parte escolhemos o meio-termo.

Tendo o trio SCP-FCP-SLB falhado (uma constatação que acontece sempre que não conseguem vencer contra equipas mais pequenas), o interessante foi verificar a diferença de tratamento e a forma de abordar as respectivas incidências dos jogos onde intervieram, sendo que como seria de esperar face à conjuntura actual, o Benfica quase fez o pleno das opiniões negativas onde tudo o que o envolveu não teve qualquer componente positiva, sendo que nos outros casos, o destaque pela omissão foi para a nova menina dos olhos da imensa turba que navega na imprensa, o Sporting de Mestre Jesus, apesar de ter empatado em casa. Neste momento o amadorense de 61 anos ocupa a primazia das atenções e até o FC Porto (???!!!) e Lopetegui foram relegados para segundo plano. Interessante e pitoresco…

Em Aveiro naquilo que foi catalogado como um mini-Estádio da Luz (ainda assim muito inferior à assistência registada em Alvalade…), o Benfica perdeu, à 2.ª tentativa, os seus primeiros três pontos. Tal como aconteceu nos Barreiros e em Alvalade a Porto e Sporting, a exibição encarnada esteve longe de reflectir a equipa que se propõe conquistar o tri. Mas daí até ao vendaval de críticas negativas que se fizeram sentir inclusivamente de dentro do próprio Benfica, de comentadores frustrados e de treinadores falhados vai uma grande e enorme distância. Sem qualquer intuito de branquear aspectos menos positivos que efectivamente aconteceram, estamos em crer que a concentração do foco sobre Rui Vitória e em menor escala sobre Julen Lopetegui, foi uma forma subtil de tentar desviar as atenções para o falhanço claro e inequívoco do novo Ai Jesus de Alvalade e da sua equipa maravilha. Reparem que até os casos de arbitragem tiveram forte empolamento em Alvalade e suave discrição em Aveiro…

O Benfica não conseguiu materializar as excelentes indicações transmitidas ao longo dos últimos 20 minutos contra o Estoril, sendo contudo coincidente nas falhas de concentração defensiva que permitiram aos adversários criarem oportunidades com alguma regularidade, pouca mobilidade a meio-campo e carência gritante de penetração nos flancos agora que volta a existir um ponta-de-lança mais posicional. E contra equipas que estacionam autocarros de dois andares em frente à sua baliza cujo empate é para si desde logo um excelente resultado, as dificuldades aumentam quando ficam com a vantagem de concretizar cedo como foi o caso do Arouca.

É evidente que todos sabemos que os resultados são determinantes na forma como as análises posteriores são veiculadas. Do nosso ponto de vista, ficámos eventualmente mais preocupados com os 70 minutos iniciais contra o Estoril de que nos 95 contra o Arouca onde, a par de uma exibição pouco conseguida do ponto de vista global, o Benfica construiu várias e flagrantes oportunidades que por precipitação, inépcia, nervosismo ou o que lhe queiram chamar, não conseguiram ser materializadas em golos. Mas o que observámos é que foi dado um maior realce às que o Arouca também conseguiu, já sem falar da arbitragem que errou de forma clara em duas ocasiões determinantes contra o Benfica e que por isso teve a melhor das compreensões

Estamos numa fase de agitação que parafraseando o director do porventura maior pasquim da Península Ibérica faz-nos lembrar os primeiros tempos do Mestre no Benfica em que ficou célebre, entre outras, a campanha da pastilha elástica. Desta vez toca a Rui Vitória elevado à condição de herói em Guimarães mas que mal chegou ao Benfica passou a ser criticado por apreciar a boa cozinha portuguesa, por ser educado e não responder desabridamente aos jornalistas, por não levantar a voz, ou por ser visto a levar uma reprimenda do capitão Luisão no último jogo. O que esta gente consegue inventar para distrair os adeptos e desviar o foco do Mestre infalível e da equipa leonina que já é tida como a melhor do século e favorita a vencer tudo que mexe. Aqui ou onde quer que haja futebol…








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