Ponto Vermelho
A queda de mais um mito urbano…
28 de Agosto de 2015
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De há algum tempo a esta parte temos lido e ouvido que a Liga dos Campeões é, cada vez mais, um objectivo inacessível para as equipas portuguesas. Concordamos genericamente com a ideia que é de facto muito difícil, a manter-se o actual vector conjuntural, disputá-la com êxito e conquistá-la. Mas isso não nos deve impedir de pensar e de assumir que é perfeitamente possível atingir objectivos alargados na prova em função de sorteios mais favoráveis e, concerteza, do nível da prestação que as equipas venham a ter. Começar, à partida, sem ambição e entregue ao fatalismo que nos caracteriza de que não há hipótese, é logo meio-caminho andado para a eliminação prematura.

Mesmo considerando que o campeonato português é uma prova a quem a Europa não dedica atenção por aí além, é através do futebol jogado com formações do mais alto nível que as nossas equipas se mostram na Europa e reforçam o prestígio, a par da entrada de verbas consideráveis e do aumento de visibilidade dos jogadores, factor importantíssimo nas posteriores transferências milionárias como tem acontecido com FC Porto e Benfica. Não percebemos pois esta tendência de alguns em desvalorizar a Champions através da focagem obsessiva no campeonato, quando é perfeitamente possível combinar as duas situações dentro dos condicionalismos e dos imponderáveis que sempre acontecem. A menos que se considere a disputa de finais da Liga Europa como segundo grande objectivo…

Nesse contexto, seja qual for o prisma por onde observemos mais uma prestação medíocre de Jorge Jesus desta vez à frente do Sporting, teremos que concluir que, apesar da vozearia dos indefectíveis e dos que de verde vestidos têm agora outra opinião, o actual treinador dos leões é de forma definitiva, um treinador da segunda linha europeia. Já o tinha confirmado por mais de uma vez no Benfica e voltou na 4.ª feira a dizer que a Liga dos Campeões não é de facto a sua praia favorita. Daí que se tenha apressado a afirmar, repetindo-se, que a grande prioridade é o campeonato. Nada de transcendente neste discurso déjà vu, apenas reconhecer que cada um está talhado apenas para determinadas tarefas.

Desde que saíram as primeiras notícias dando conta da eminente saída de Jesus para o Sporting que passou a haver constantes transferências de opiniões. Nada que possa surpreender pois o factor clubístico e eventuais outros interesses têm vindo a ser determinantes na postura de muitos profissionais dos e nos media que aumentaram exponencialmente o leque da boa Imprensa de que a gozar o actual treinador leonino. Mas branquear situações que são por demais evidentes por desvalorização ou por omissão pura e simples, não será certamente a melhor forma de forçar a resolução de uma questão insolúvel.

Quem dedicou atenção aos jogos da pré-eliminatória de acesso à fase de Grupos da LC entre o Sporting e o CSKA, facilmente constatou que, a par de erros de arbitragem, existiram demasiados erros e insuficiências na prestação leonina que acabaram por ditar o desfecho da eliminatória. E nesses erros houve de forma clara o dedo do treinador, apesar da sua habitual sobranceria de empurrar para cima dos atletas as culpas pelo desaire agora também com a variante arbitral, sem que fosse capaz de reconhecer publicamente os erros que cometeu e alguns foram decisivos.

Na realidade não é preciso ser-se perito para constatar a enorme diferença de atitude em determinados períodos de jogo (quer na 1.ª quer na 2.ª mão), o que comprova aquilo que já por diversas vezes se tinha observado no Benfica; é que as equipas de Jesus são disformes e muito irregulares nas prestações, alternando fases brilhantes em que chegam a ofuscar os adversários com períodos completamente descaracterizados em que hipotecam tudo o que de bom haviam antes produzido.

Como justificar a passagem de uma 1.ª parte de todo controlada com a enorme vantagem de ter marcado, para uma 2.ª parte paupérrima em que entregaram de mão beijada o ouro ao bandido? Tudo isso perante a apatia e o olhar impotente do treinador incapaz de reagir àquilo que quase todos estavam a prever. Como perceber que perante jogadores em acentuado défice físico, Jesus não tenha operado substituições quando a equipa estava a pedir jogadores rápidos e frescos como Gélson Martins e Mané? Razão e lucidez tiveram João Pereira e Adrien… Mas a máquina de propaganda rapidamente entrou em acção para branquear o bloqueamento do treinador tentando desviar as atenções para outras paragens… Em suma, Moscovo veio provar em termos definitivos que Jesus não tem estaleca para a Liga dos Campeões. Há muito que já se sabia; agora apenas se (re)confirmou…

P.S. 1 - Muito interessante a atribuição de "Medalhas" do diário da verdade a que temos direito. Atribuir a de "Lata" à judoca Telma Monteiro em detrimento do óbvio, não lembraria ao diabo…

P.S.2 - Incrível prestação de Nélson Évora em Pequim depois de todos os problemas físicos que o têm atormentado. Mostrou, mais uma vez, a fibra de que são feitos os campeões!






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