Ponto Vermelho
Pausa para reflexão
3 de Setembro de 2015
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Não sendo de estranhar de todo se tivermos em conta a necessidade de entreter a populaça com fait-divers para tentar disfarçar as maleitas e as insuficiências próprias que são demasiadas, a época oficial do futebol, para variar, começou sob o signo da polémica fabricada para satisfazer e alimentar o interesse de várias famílias, porquanto se espremermos os factos que alegadamente lhe fornecem a substância, concluiremos que a matéria acaba por ser irrelevante. É que não basta conceder protagonismo: é imprescindível que seja fundamentado. E em quase todos os casos parece não o ser!

Aliás, diga-se de passagem, os factos apresentados são constantes e repetitivos, e de novo pelo inesperado apenas e só tivémos a ida de Jorge Jesus para o grémio de Alvalade com uma remuneração impensável para o Sporting e para o nível português, já que a sua saída do Benfica não surpreendeu em nenhum sentido, tal o desgaste que já se constatava. A novidade em si é que acabou por ser notícia, a despeito do cérebro ter feito esforços de desestabilização do seu antigo patrão copiando o velho Gutmann com a profecia; e depois de mim o dilúvio… Achamos que por isso é capaz de estar bem enquadrado no actual Alvalade, pois não só não destoa da toada populista que por lá está instalada, como pode vir a revelar-se uma ajuda preciosa para o seu hilariante presidente…

No Dragão também nada de novo, sendo que as estratégias ainda que parecendo à primeira vista muito diferentes, não diferem por aí além mas apenas e só as circunstâncias e as possibilidades. Nesse particular os portistas têm vindo a ter a tarefa bastante facilitada, porquanto a cruzada contra a arbitragem de que inicialmente Pinto da Costa deu o mote para reservar posição, está entregue quase em exclusivo ao líder do populismo no panorama desportivo português – Bruno de Carvalho e seus muchachos, que executam a tarefa de desgaste sem interrupções na convicção de que irão ter a justa recompensa…

Vários são os pontos de contacto entre ambos. Começando pelos líderes máximos, temos que, sendo personalidades muito diferentes e cuja experiência pende claramente para um lado, no fundo procuram atingir o mesmo objectivo; o controle da arbitragem como acção prioritária e para isso estão a trabalhar sem desfalecimentos, seguindo-se numa fase posterior a cadeira do actual líder federativo para que tudo venha a estar sob controle num futuro próximo… Daí o banzé acerca da arbitragem que se estendeu além fronteiras, ficando nós desde já curiosos sobre a resposta que a UEFA dará sobre tão pertinente exposição…

Também os treinadores que tendo maneiras de ser tão diferentes se encontram bem mais próximos do que à primeira vista pode parecer. É público e notório que os adeptos portistas continuam de costas viradas para Lopetegui. De novo a sua capacidade reivindicativa permitiu-lhe receber jogadores que conjuntamente com os que já lá estavam vieram inflaccionar, e de que maneira, o orçamento e a folha salarial sem que até ao momento tenha havido contrapartidas notórias na execução desportiva. Espera-se para ver. Por seu turno Jesus que navega nas mesmas águas não consegue treinar uma equipa sem ver chegar, pelo menos, um jogador novo a cada semana, um reflexo de quem vive e respira futebol 24h por dia…

Temos então que esta pausa para incorporar jogos das Selecções é desde logo benéfica porque permite uma maior acalmia nas frentes de batalha, sendo que com os mercados a fechar em simultâneo a actividade noticiosa decresce de forma acentuada havendo alguma preocupação nas redacções sobre a inexistência de cachas para animar a malta. A menos que se ressuscite do arquivo algo atraente ou que se estique outras notícias que possam despertar atenções, como faz com mestria o líder dos pasquins da manhã que de uma pseudo-notícia consegue construir uma novela acrescentando todos os dias novos detalhes para manter a chama viva…








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