Ponto Vermelho
Fase de transição
8 de Setembro de 2015
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Num país em que o clubismo exacerbado é intensamente propalado nos órgãos de informação contribuindo, de forma marcante, para que os adeptos e simpatizantes enveredem por muitas e variadas opções despudoradas que são diariamente propagandeadas a nível dos media sobretudo em alguns tablóides que a cada dia que passa reforçam a sua posição de pasquins, nada do que acontece ou parece acontecer difere daquilo que interessa a alguns propalar. Infelizmente vivemos num mundo fictício onde o alarmismo social ganha cada vez mais foros de verdade, não bastando o mundo real onde a realidade nos remete para uma situação algo diferenciada.

Com as eleições legislativas marcadas para 4 do próximo mês onde a implantação da República deixou de ter importância à luz de uma pseudo-coerência bacôca, o futebol vai prosseguindo dentro da normalidade portuguesa ou seja, uma vez mais num estado onde aquilo que verdadeiramente preocupa é a procura de erros e deficiências alheias com suficiente estaleca para poder haver especulação pois situações normais não interessam, de modo nenhum, à nomenclatura actual. Uma verdadeira delícia para quem faz do sensacionalismo e da falta de senso a sua bandeira favorita.

A Selecção portuguesa de Futebol profissional disputou em Tirana um jogo deveras importante para definir o apuramento para o Euro 2016 a disputar em terras de Asterix. É verdade que já estamos habituados a que os media, salvo as honrosas excepções do costume, especulem sempre de forma negativa sobre todos ou quaisquer aspectos da equipa de todos nós. E como é fácil encontrar sempre realidades menos positivas, temos que quando disputamos um jogo haverá sempre algo a ensombrá-lo, sejam as opções do Seleccionador ou deste ou daquele jogador que foi convocado e não devia ter sido, em detrimento de outros que lá deveriam estar e não estão. Subjacente a tudo isso está o fanatismo clubista de que alguns jornalistas e comentadores nunca se conseguem desligar seja qual for a situação.

Os exemplos abundam e a imprevisibilidade do futebol em si ajuda a comprovar ou a desmentir essa teoria. No jogo de ontem que diga-se de passagem foi um jogo bem conseguido pelo seleccionado português durante ¾ do tempo perante uma equipa que tem feito um percurso muito interessante nos últimos tempos, vimos sobretudo no relato e com menos incidência nos comentários que os protagonistas televisivos nunca conseguiram desligar o seu subconsciente clubista, ao ponto de enaltecerem disparates de jogadores e enfatizarem opções de uma simples jogada (felizmente) concretizada. Já agora, seguindo a sua linha de raciocínio não vimos sublinhado o nome do patinho-feio (Éder) pois foi da sua iniciativa que resultou o canto que haveria de decidir o jogo…

Esta forma de abordar os jogos e as opções dos Seleccionadores estão há muito na origem da falta de entusiasmo que os adeptos nutrem pela nossa Selecção. A isso também não serão alheios alguns dirigentes e treinadores que apesar dos seus jogadores poderem ser exibidos em montras previlegiadas inflaccionando o seu valor no mercado, vêem a sua ida à Selecção como um obstáculo ao desenvolvimento e concretização plena do seu plano de trabalho, para além, obviamente, de um problema real que de facto existe como seja as viagens transatlânticas que geram inevitavelmente cansaço e saturação, para além de eventuais lesões sempre susceptíveis de poderem vir a acontecer. Seja como for, enquanto não for encontrada a fórmula ideal que satisfaça ambas as partes, teremos sempre esta resistência que acaba por não ser benéfica para ninguém.

Posto isto, temos que de concreto Portugal deu um passo gigantesco para estar presente em França no próximo ano com a particularidade de, salvo qualquer surpresa de última hora, não ter de passar pelo play-off que tem sido apanágio nas últimas classificações. O que, para uma Selecção que ocupa actualmente o 6.º lugar no ranking FIFA, não abona nada a seu favor. Uma vez pode acontecer a qualquer um, mas nunca de forma repetida pois transmite uma imagem de sofrimento que sendo um fatalismo bem português, é altura de lhe pôr um travão definitivo. A nova fornada de jogadores que está aí a despontar em todas as Selecções dos escalões mais baixos são sinónimo de garantia futura, bastando para isso que lhe sejam dadas condições e, sobretudo, que TODOS acreditem nela!








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