Ponto Vermelho
A natureza das divagações…
13 de Setembro de 2015
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Por força das obrigações dos clubes participantes na alta roda europeia, teve anteontem início a disputa da 4.ª jornada do campeonato com a realização do Benfica-Belenenses a horas impróprias, o que representa, para já, uma mudança de paradigma em relação à temporada pretérita. Mas isso (e tudo o mais que anda por aí…) não parece ter afectado a crença dos benfiquistas que compareceram em bom número na Luz para presenciar um dos clássicos lisboetas, apimentado pelo facto de o Belenenses até à noite de ontem, ainda não ter sofrido o travo amargo da derrota.

Infelizmente para si, pagou com juros elevados pois sofreu uma goleada das antigas, uma situação que pode suceder a todo o momento, a qualquer equipa, muito embora não seja verosímel acontecer às equipas de maior nomeada. Foi de facto uma grande noite dos encarnados a quem tudo saiu bem, mas resumir a isso tudo o que se passou nos 92 minutos disputados é redutor, porque houve muito mais motivos de interesse. Eficácia anormal para o que tinha acontecido antes, exibição colectiva imaculada, entreajuda, destaques individuais, manutenção do ritmo elevado (coisa que não costumava acontecer sobretudo em vésperas de jogos europeus), e o Seixal a marcar pontos. Como complemento, momentos de puro deleite e esplendor na relva que entusiasmaram a plateia.

Como em comparação com os numerosos experts que cada vez mais nos deliciam com as suas análises infalíveis revelamos alguma ignorância futebolística, ficámos sem saber se o Benfica de ontem se assemelhou mais ao de Jorge Jesus se ao de Rui Vitória… Ou, se a goleada é justificada pelo facto simples, preciso e conciso de só o suplente Raul Jiménez pagar toda a equipa do Belenenses… Sempre achámos imensa piada a estes pseudo-argumentos sempre utilizados nestas ocasiões para justificar a azia dificilmente contida dentro de corações amargurados… Mas é o que temos e é preciso saber conviver com este tipo de comentários…

Estabelecendo um paralelismo com a política, da mesma maneira que alguns tentam a todo o custo trazer Sócrates para o epicentro da campanha eleitoral, também no futebol é tentado que Jesus ocupe um espaço privilegiado na agenda mediática futebolística com um argumento ridículo; que é o Benfica (leia-se os principais responsáveis) que ainda não digeriram a dor de cotovelo de o ter visto partir para o clube dos Viscondes… com passaporte para o Dragão onde, finalmente, encontrará o enquadramento mais ajustado à sua personalidade. Por sua vez aquele que mal chegou ao Sporting viu finalmente reconhecida a sua genuinidade pelos que antes o verberavam, esforça-se ainda que sem engenho nem arte para comprovar o seu egocentrismo agora tolerado porque isso pode significar lanças contra o Benfica…

Deixai-os, Senhor, deambular por esses caminhos esconsos e por essas atitudes dilatórias de fraca substância que se escoam e perdem nos labirintos da sua própria consciência. A prova dos nove (se por acaso alguma vez ela viesse a ser necessária), será tirada na 8.ª jornada onde o cérebro terá a oportunidade de comprovar que o homem é apenas considerado em função das circunstâncias… Nunca é demais sublinhar que as acções meritórias desempenhados pelo Homem não podem ser abastardadas por atitudes de cariz contrário que rapidamente apagam da memória dos adeptos o que (a par de erros de palmatória que não podem ser esquecidos) tudo o que fez de bom…

Houve, entretanto, um enorme esforço de alguns políticos para polemizar os jogos de 4 de Outubro a começar pela estranheza do supremo magistrado da Nação, o que é, sem dúvida, deveras interessante e merecedor de reflexão profunda. Talvez devêssemos começar por perguntar porque razão não foi considerado o 5 de Outubro, pois talvez compreendêssemos melhor a razão de certas decisões estapafúrdias… Não vemos sequer motivo para qualquer óbice pois quem tiver intenção de manifestar o seu direito de voto fá-lo-á sem qualquer hesitação. Mas já não estamos tão certos que se porventura a abstenção for elevada o futebol não exiba as suas costas largas… numa divagação à portuguesa sem qualquer sentido. Imagine-se o que era haver jogos de futebol no Natal como acontece em Inglaterra…








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