Ponto Vermelho
Um clássico à moda antiga
21 de Setembro de 2015
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Revivémos, ontem no Dragão, um clássico à moda antiga com as duas equipas procurando o melhor para si próprias, num jogo rijamente disputado onde não faltou uma luta sem quartel, emoção e, infelizmente, um árbitro que não soube (ou não pôde) estar à altura do confronto. De facto, as últimas deslocações do Benfica ao Dragão tinham deixado sempre imensos pontos de interrogação, uma situação que desmentiu sempre a imagem arrogante que o antigo treinador quis emprestar à equipa. Por princípio, o Benfica jogue onde jogar, terá que transmitir sempre a imagem de conquista independentemente de o conseguir ou não, porque pela frente também existem adversários valorosos que lutam pelos mesmos objectivos.

Com efeito, embora de certa forma o esperássemos, não deixou de ser gratificante observar que, comparativamente ao passado recente, os encarnados se apresentaram desinibidos e prontos para lutarem pela vitória, sabendo de antemão que iriam encontrar um adversário que tudo iria fazer para que, desta vez, se libertasse do estigma que o atingiu a época passada onde o Benfica permitiu que fizesse mais em termos exibicionais muito embora sem conseguir o índice de eficácia que ontem revelou. O que veio provar a beleza do futebol onde nem sempre aquele que mais domina de forma efectiva atinge o objectivo último da vitória.

Embora compreendamos alguns ajustes em função do poderio do adversário que se irá defrontar, sempre abominámos as descaracterizações que é estratégia de vários treinadores e que revelam, ao fim e ao cabo, o receio que os atormenta. Esse facto, para além de revelar dúvidas e medos, acaba por empolgar o adversário que cabe defrontar que sente, à partida, que os seus méritos e virtudes são ainda mais valorizados. Foi isso que aconteceu nos últimos anos com as consequências que saltaram à vista, pois aparte dois resultados positivos (dos quais um não valeu para nada…), o saldo foi francamente negativo (e não nos referimos aos resultados mas sobretudo às exibições) transmitindo desde logo receios infundados que o adversário logicamente aproveitou, enquanto a convicção dos adeptos se foi desvanecendo…

Nesse particular o jogo de ontem foi um exemplo paradigmático daquilo que deve fazer uma equipa de alta competição; atitude positiva em busca da vitória, afinal o resultado que deve estar sempre nas cogitações de uma equipa como o Benfica, aparte o conhecimento de que pela frente iria ter um adversário motivado e empolgado pelos adeptos que contribuiram com a sua quota-parte para o êxito que se veio a verificar no final. Mas destaque igualmente para a postura dos adeptos benfiquistas que apesar de estarem em franca minoria souberam honrar a cada momento, a atitude que a equipa demonstrou no relvado contra as expectativas de alguns, que anteviam alterações radicais no onze. Afinal, os tais miúdos cuja experiência era problemática para jogos desta dimensão competitiva, não só jogaram como souberam estar à altura dos acontecimentos…

Pena foi que a terceira equipa não tenha honrado o desempenho das outras duas. Se não tivéssemos presenciado o jogo e nos detivéssemos apenas na crónica e na apreciação do diário desportivo outrora apelidado de bíblia, concluiríamos que o FC Porto provou que tem muito melhor equipa e plantel e que o árbitro designado (ao ter recebido nota 7) tinha feito uma excelente arbitragem sem direito a prolongamento de discussões bacocas… Estamos em crer que o enviado-especial do referido diário terá certamente visto outro jogo e outra arbitragem, pois aquilo que foi dado ver a milhões demonstra, exactamente, o contrário.

A menos que omitamos uma das duas principais componentes de um jogo de futebol. Na realidade, se no capítulo técnico o saldo não deu origem a reparos, no aspecto disciplinar a actuação de Soares Dias foi um completo desastre. De concreto temos que o FC Porto (ao contrário do Benfica) conseguiu marcar um golo e por isso venceu, mas os jogos têm regras específicas que podem aqui e ali ser toleradas mas nunca por sistema incumpridas. As sistemáticas simulações de faltas de Brahimi (tentando explorar a verdura de Nélson Semedo), a persistência faltosa de A. André e as bem visíveis (até para o árbitro) atitudes de M. Pereira e Maicon justificariam acção disciplinar que não se verificou. Talvez por isso André Almeida não tenha sofrido segunda punição… Em resumo ganhou a equipa que conseguiu marcar, mas o Benfica provou, sem qualquer dúvida, que se encontra no caminho certo. Daí o reconhecimento dos adeptos no final!








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