Ponto Vermelho
Velhos sinais conhecidos…
25 de Setembro de 2015
Partilhar no Facebook

O clássico do passado fim de semana que se saldou com uma vitória tangencial do FC Porto nos últimos minutos como por várias vezes tem vindo a acontecer ao longo dos tempos, trouxe indícios de que há quem nunca tenha esquecido o passado tenebroso que lhe rendeu muitas e muitas vitórias para além de tudo o mais que arrecadou por inerência. Através de vários indicadores com Pinto da Costa à cabeça, a velha organização portista deu mostras de que nada mudou nas mentalidades dos seus principais responsáveis pois perseguem os mesmos objectivos de sempre – o de vencer não importando como.

É certo que nos momentos que o antecederam, o jogo esteve longe de viver o clima tenso, por vezes a toçar o terror e o fanatismo, que era frequente acontecer nos jogos disputados no anfiteatro portista. Os dirigentes portistas abstiveram-se daqueles dichotes de mau gosto e de provocações caricatas no que foram obviamente secundados pelos seus congéneres benfiquistas, fazendo com que os adeptos mais radicais se contivessem. E, aparte ligeiras escaramuças derivadas da adrenalina do próprio jogo, nada de relevante se terá passado o que, devendo ser a normalidade, é sempre de registar face aos antecedentes.

Venceram os portistas como poderiam ter ganho os benfiquistas. Mas curiosamente, esquecendo por momentos o desastre que foi a actuação de Soares Dias no capítulo disciplinar com óbvio prejuízo dos encarnados, chegou a ser relevado e até comparado o jogo de há um ano, em que o Benfica venceu mas adoptou a habitual postura temerosa que sempre preocupou os benfiquistas no reinado anterior. Desta vez, o Benfica com todas as suas virtudes e defeitos encarou o jogo sem necessidade de mudar a sua postura e o seu padrão de jogo, com a diferença na eficácia e do facto latente dos jogadores portistas darem mostras de estarem melhor preparados fisicamente ao longo de toda a 2.ª parte…

Pinto da Costa, sempre assim foi, aprecia vivamente as diatribes e as invectivas contra o Benfica quando está, mesmo que momentaneamente, na mó de cima. Tem, como é óbvio, todo o direito de achar que Jorge Jesus é o seu treinador de eleição. Talvez tenha razão. Pela nossa parte, considerando a sua maneira de ser e as atitudes comportamentais que com frequência adopta, achamos que se há clube onde ele possa estar devidamente enquadrado –, esse clube é sem dúvida o FC Porto, pelo menos enquanto se mantiver o actual presidente. Logo os seus frequentes elogios e autos de fé mostram perseverança e uma ideia fixa que mais tarde ou mais cedo haverá de concretizar-se… Pena é que se esqueça que o FC Porto tem treinador que, por acaso, dizem as evidências terá sido escolhido por si…

Sendo que com a vitória se distanciou do Benfica e o Sporting seu actual compagnon de route vive amargurado e entregue aos constantes psico-dramas que o caracterizam de há longos anos a esta parte, Pinto da Costa parece ter rejuvenescido pensando, finalmente, que chegou a hora de convencer os adeptos e os accionistas de que o altíssimo investimento a que recorreu desde há duas épocas sem quaisquer resultados palpáveis a não ser mais dívida e mais problemas, tem condições para ser rentabilizado. Como não tem Jesus mas sim Lopetegui de quem os adeptos desconfiam a começar por ele próprio, existem legítimas dúvidas embora o assunto pareça bem encaminhado…

Falta, todavia, o indispensável; o controle total da arbitragem e depois da Federação que tem agora poderes reforçados para a consumação dos seus objectivos. Até lá há que agir com cuidado não vá o diabo tecê-las, mas isso não impede que agora que está à frente não possa trazer para o presente a sobranceria do passado que, diga-se em boa verdade, sempre esteve consigo. As condições objectivas e a conjuntura para a sua aplicação é que diferiram, até porque o Benfica a nível de toda a sua estrutura que se estende aos adeptos, deixou, há muito, de acreditar no Pai Natal…








Bookmark and Share