Ponto Vermelho
Bipolarização contínua…
28 de Setembro de 2015
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Tal como aconteceu na temporada passada, também nesta há um esforço para implementar e reforçar correntes num determinado sentido que tendam a influenciar aquilo que os adeptos e a opinião pública pensam sobre determinados temas, nomeadamente acerca de quem tem as maiores possibilidades para alcançar o título de campeão. É um exercício legítimo como é natural, mas peca por demasiado parcialismo na hora de serem analisados e ponderados os dados em equação, para já não falar naquilo que se diz e se escreve motivado pela côr da camisola e/ou dos interesses em jogo. Para já não falar da por vezes esquecida imprevisibilidade do futebol que acontece muitas mais vezes do que seria suposto contradizendo as mentalidades lógicas que por aí pululam.

Depois temos os habituais shows discursivos sempre na berra, que criam uma vontade irreprimível de rir perante tentativas descaradas de re-imprimir uma dinâmica ultrapassada que já foi árvore que deu frutos, ou de afirmação pessoal onde o bacoquismo ocupa sempre lugar de destaque para enganar adeptos seguidistas para quem tudo o que o grande líder diz ou faz não merece a mínima contestação e é tido como verdades insofismáveis, mesmo que isso não passe de venda a preço de saldo de banha da cobra já de si cedida a preços irrisórios. Não deixa de ser estranho que com o andar dos tempos e com o acesso a uma mais completa informação, muitos não consigam ultrapassar a barreira das suas múltiplas limitações. Mas é o que temos.

Já todos percebémos há muito, que ano após ano, por mais divergências que apresentem em público, existe uma convergência efectiva entre os portistas e os sportinguistas no sentido de neutralizaram a influência do Benfica no espectro nacional. É por isso que mantendo-se estável a direcção pintista, a sul, no Sporting, mudam as direcções e os presidentes mas o forte sentido anti-benfiquista sobreleva tudo o mais e ultrapassa até o desejo de consolidação de um projecto desejavelmente estável e que não seja fonte de constantes invectivas e distracções que acabam por desviar e comprometer esse objectivo salutar para os próprios sportinguistas.

Esta temporada, ainda decorriam os primórdios, já o presidente portista numa manobra de antecipação que pretendia bem sucedida lançava granadas de fumo contra o sector da arbitragem e em particular sobre Vítor Pereira, evidentemente saudoso dos tempos que já não voltam mais em que era o rei e senhor e punha e dispunha a seu bel prazer. Para os portistas foi bom enquanto durou (e durou demasiado tempo!), mas a menos que o tempo volte para trás, hoje em dia por um conjunto diversificado de razões, é muito problemático reeditar essas épocas de completo domínio e manipulação. Talvez por isso e porque as faculdades vão-se esvaindo com a voragem do tempo, haja fait-divers cada vez mais avulsos e menos inspirados, sendo um dos últimos de à transferência de M. Pereira não estar indexado o factor financeiro. Uma anedota que não fica nada a dever às patranhadas dos tempos em que ainda tinha alguma vocação irónica…

Não lhe querendo ficar atrás e procurando o protagonismo que o seu imenso ego reclama em permanência, o aprendiz Bruno de Carvalho continua a sua saga e envida todos os esforços para nos divertir. Estamos-lhe gratos por isso. A cada sua intervenção seja ela de que forma for e tenha ela o cariz que tiver, temos sempre a certeza que é mais uma obra prima que deve figurar por inerência nos compêndios do futebolês em Portugal. Acolitado por apêndices de idêntico teor, o presidente leonino consegue sempre ultrapassar os limites do seu próprio ridículo, apesar de enaltecido e incentivado por uma franja de profissionais da imprensa que vêem nisso uma fonte inesgotável que serve às mil maravilhas os seus interesses nas tiragens e nas audiências. Pena é que, no meio disto tudo, o Sporting e os seus adeptos mais esclarecidos sofram sem terem culpa nenhuma…










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