Ponto Vermelho
Evolução consequente
1 de Outubro de 2015
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Muito se tem matraqueado no facto do Benfica nas últimas épocas, estar a regredir nos seus plantéis e na categoria intrínseca dos jogadores que os compõem. Foi assim na última temporada e agravou-se na presente com os observadores a considerar que este será, porventura, o pior plantel das últimas 7 épocas. Estas afirmações entroncam não apenas no facto de não terem sido contratados jogadores de nomes sonantes e recheados de mediatismo, mas também na comparação inevitável com o plantel do FC Porto, que dizem ser composto por jogadores que todos juntos serão capazes de levar de vencida a Liga dos Campeões e todas as demais competições internas.

Não vamos por ora contrariar essa convicção há muito enraízada no espírito dos media e dos adeptos porque em termos teóricos, tal como já o afirmámos, globalmente os portistas dispõem de mais soluções, muito embora de nível inferior se entrarmos no capítulo das comparações com as que tinham na época anterior. Já quanto à equipa em si é o que veremos mais adiante porque até agora, nada nos disse que seja rigorosamente assim. Já quanto ao plantel leonino só o lirismo de alguns profissionais da imprensa cuja verdura do seu coração os compromete nas opiniões e nas análises que dispendem, os pode levar a considerar que tem plantel para ambicionar este mundo e o outro. Sobra o mediatismo do treinador que por si só já demonstrou tudo do que é capaz e, obviamente, de tudo o que por certo não conseguirá, embora no futebol tudo possa acontecer.

Dissolvendo-se gradualmente o folclore e entrando na rotina das competições, a disputa do primeiro clássico da temporada numa fase algo prematura da prova gerou altíssimas expectativas em dragões e leões tendo em consideração que o Benfica partia em desvantagem pontual e corria o risco de a agravar conforme acabou por acontecer. Foi tempo de embandeirar em arco e de considerar que os encarnados estavam arredados do título porquanto a distância de 4 pontos a que ficou do duo da frente era de molde a considerar que recuperar 8 pontos aos dois seria tarefa quase impossível, a despeito de ainda estarmos nos primórdios do campeonato. Até porque o Benfica demonstrava uma fragilidade preocupante nos jogos fora pois só somava derrotas e ainda não tinha marcado um golo sequer…

Um claro exagero na medida em que para a 1.ª Liga os encarnados tinham disputado 2 jogos fora da Luz e, entre os quais, uma deslocação ao reduto do dragão um local sempre difícil e em que tradicionalmente o Benfica tem revelado dificuldades. Portanto, a derrota tangencial a 4m do fim e sobretudo as indicações deixadas em termos exibicionais forneceram pistas que o Benfica caminhava numa boa direcção. Na outra extremidade e numa forma claramente negativa há que destacar o resultado em Aveiro com o Arouca que não devia ter acontecido mas, que mesmo assim, revelou injustiça face ao número elevado de remates perigosos, para além de outros factores exógenos que também tiveram influência.

Não tardou que 50% dos pontos perdidos fossem recuperados aos outros dois contendores o que revela alguma volatilidade na textura da corrente de opiniões que considerava o plantel encarnado como o menos apetrechado e a viver uma conjuntura difícil face à mudança de paradigma com uma maior aposta na Formação. Com uma jornada europeia pelo meio em que, para já na Champions os dois clubes portugueses envolvidos viveram momentos altos de afirmação perante opositores de alto gabarito, o destaque maior vai obviamente para o Benfica que ressuscitou o velho Benfica-Europeu de que há muito andava arredado e do qual já tínhamos saudades.

Vem aí nova jornada do campeonato e, para além de poder observar até que ponto o esforço e desgaste europeu pesou em qualquer das equipas, há a expectativa da confirmação da trajectória ascendente que o Benfica tem vindo a revelar, contrariando assim de modo claro as opiniões mais pessimistas algumas das quais dos próprios adeptos que vivem demasiado influenciados por alguma comunicação social…

P.S.- Numa noite em que o brio, a garra, o pundonor e a classe sobressaíram num jogo épico em que os encarnados fora, marcaram, venceram e eliminaram o estigma que durava desde 1982, a escassa minoria bombista voltou a fazer das suas e enxovalhou o nome do Clube. Que será preciso fazer para acabar de vez com as tropelias desta gente que se diz benfiquista?








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