Ponto Vermelho
Benfica - Vitória de Setúbal
3 de Fevereiro de 2013
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Liga Zon Sagres - 17ª jornada
Estádio da Luz, 3 de Fevereiro de 2013 - 20:15h

Árbitro Principal: Vasco Santos
Árbitros auxiliares: Alexandre Freitas e Paulo Vieira

Benfica (Titulares): Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão (C), Garay, Luisinho, André Gomes, Enzo Peréz (Urreta 84m) Salvio (Gaitán 64m), Ola John, Lima e Rodrigo (Pablo Aimar 71m)
Benfica (Suplentes): Paulo Lopes, Jardel, André Almeida, Aimar, Gaitán, Urreta, Kardec

Cartões Amarelos: 2: Maxi Pereira 61m e André Gomes 74m
Cartões Vermelhos: -

Resultado Final: 3-0: Enzo Pérez 5m; Lima 48m e Rodrigo 55m

Benfica de regresso à Luz depois de um mês de Janeiro muito exigente, e onde o objectivo principal passava por igualar o FC Porto na liderança, algo só possível com uma vitória. Equipa de Jorge Jesus com muitas baixas; Cardozo e Carlos Martins, por lesão, Matic, castigado, e ainda uma outra contrariedade de última hora, Melgarejo, que abria desse modo as portas da titularidade a Luisinho. Com André Gomes no papel de 6, Ola John regressaria à ala esquerda, e já na frente a dupla seria composta por Lima e Rodrigo.

Do lado do Vitória, já se sabia que o técnico sadino não poderia contar com Meyong, obrigado a juntar-se este Domingo ao plantel do Kabuscorp, pelo que a sua opção poderia recair em Jorginho ou Makukula. Escolhendo o primeiro como titular, José Mota optaria ainda por operar algumas surpresas, deixando Nélson Pedroso no banco e alinhando Pedro Queirós e Ney Santos nas laterais.

Os 39.538 espectadores assistiam desde logo a mais Benfica no início, e quase a abrir Lima descia pela esquerda e era Pedro Queirós quem cedia canto. Batido por Enzo, do mesmo nada resultaria, mas aos 3’ Lima numa jogada de insistência acabava derrubado e dava lugar a um livre muito perigoso, na meia lua da grande área. Chamado à conversão, Rodrigo obrigaria Kieszek a excelente intervenção naquela que era a primeira grande oportunidade da partida.

Depois da ameaça, o Benfica chegaria ao golo logo de seguida. Decorrido que era o minuto 5 e numa jogada tricotada pela direita, a bola acaba por sobrar para Enzo que à entrada da grande área, atira ao ângulo direito da baliza do guarda-redes sadino, assinando um belo golo. O argentino dedicava o tento ao seu compatriota Pablo Aimar, e comprovava-se o bom arranque do Benfica, desde logo a deitar por terra a estratégia sadina.

Tentava responder o Vitória Setúbal, pressionando o Benfica na sua fase de construção, mas os primeiros 10 minutos traziam não apenas um Benfica na dianteira mas também no controle pleno das operações, feliz por marcar na segunda oportunidade obtida. Aos 11’ Salvio ganhava a linha sobre Ney Santos e era Jorge Luiz que cortava o lance, e o minuto 12 assinalava a primeira vez que o Vitória de Setúbal chegava à área encarnada, na sequência de uma bola bombeada, e então resolvida por Luisão.

O Benfica começava então a evidenciar pouca inspiração na construção, mérito também do Vitória de Setúbal que ia pressionando, e aos 14’ numa iniciativa pela direita, Pedro Queirós - porventura em fora-de-jogo - assistia Jorginho que por muito pouco não empatava a partida; depois de aparecer sozinho na marca de grande penalidade, rematava enrolado e ao lado da baliza de Artur.

Passado o susto, André Gomes ia tendo evidentes dificuldades no miolo e aos 15’ atingia mesmo Bruno Amaro que tinha de ser assistido, e com mais Vitória de Setúbal nesta fase da partida, o Benfica ia tentando sair em contra-ataque, como acontecia aliás aos 17’ quando uma transição rápida dos encarnados culmina num remate em jeito de Lima para as mãos de Kieszek. Aos 18’ e numa combinação entre Ola John e Luisinho, Pedro Queirós cedia canto do qual Kieszek acabava por sofrer falta de Luisão, e curiosamente o Vitória de Setúbal ia conseguindo levar a água ao seu moinho, pressionando e controlando a partida ainda que sem grande capacidade de chegar à baliza adversária.

Os 20 minutos chegavam pois com a partida bem mais equlibrada. Aos 22’ era Luisinho quem tirava da zona de perigo após alguma confusão na área encarnada, e aos 22’ era a vez de Miguel Pedro ver o amarelo ser-lhe perdoado. Prosseguiam as dificuldades no miolo encarnado, com os jogadores sadinos a pressionarem sistematicamente André Gomes que ia perdendo algumas bolas, e era mais uma vez fruto de uma transição rápida que o Benfica conseguia criar algum perigo; aos 23’ Ola John por pouco não chega a um passe de morte de Rodrigo.

Pausa na partida aos 25’ depois de Enzo e Bruno Galo chocarem de cabeça e o jogo ficar interrompido por breves instantes, conduzindo inclusive a que Enzo tivesse de prosseguir de cabeça ligada e Bruno Gallo tivesse de ser substituído por José Pedro, e o jogo reatava-se com Miguel Lourenço, aos 31’, a tirar o golo a Rodrigo, cedendo novo canto do qual nada resultaria. O jogo estava vivo e longe de estar controlado, e o Vitória de Setúbal começava a ameaçar em demasia a baliza de Artur, obrigando-o inclusive a sair a pontapé numa bola colocada nas costas da defesa encarnada.

Depois de muitas bolas perdidas, o Benfica conseguiria finalmente ultrapassar o meio-campo sadino aos 35’, e no lance em questão ficaria até pertíssimo do 2-0; Maxi desce pela direita, entrega de bandeja a Rodrigo, contudo o hispano-brasileiro falha incrivelmente frente a Kieszek. Aberração de Vasco Santos aos 37’, quando não sancionava uma falta claríssima de Miguel Pedro sobre Salvio do qual nascia um contra-ataque perigosíssimo culminado em remate ao lado da baliza de Artur - para monumental assobiadela na Luz -, e nova interrupção na partida logo de seguida, por alegada falta de André Gomes sobre um sadino que tinha de ser assistido.

Ainda antes do intervalo, aos 42’ José Pedro derrubava Enzo e via o primeiro amarelo da partida, sendo que do livre Garay apenas atirava contra a barreira dando lugar a uma sucessão de cantos, com Luisão no primeiro a cabecear contra Jorge Luiz, e no segundo Kieszek a segurar sem problemas, e terminava a primeira parte com o Benfica na frente mas com a partida longe de estar decidida, motivo pelo qual se esperava (e desejava) que o Benfica pudesse decidir a partida logo após o reatamento.

E assim seria. Sem alterações e ainda que a 2.ª parte recomeçasse em ritmo lento com o Benfica a trocar a bola e na procura de espaços, aos 48’ o capitão Luisão encontraria o que se procurava; passe decisivo para Lima que, depois de fugir nas costas da defesa sadina, batia um desamparado Kieszek. 2-0 e a partida porventura decidida, e a principal dúvida recaía agora em saber se o Benfica partia para uma boa segunda parte com muitos golos. Contudo, nem por isso os pupilos de Jorge Jesus melhorariam substancialmente, contribuindo para tal o facto do Vitória de Setúbal também não ter baixado os braços.

Já depois de um fora-de-jogo muito mal tirado ao ataque encarnado aos 49', aos 51’ chegava assim uma falta de Garay depois de André Gomes perder mais uma bola a meio-campo que José Pedro batia para a defesa encarnada resolver, e na resposta, numa jogada de envolvimento do Benfica a fazer a bola variar da esquerda para a direita, Salvio acaba por bater de pé esquerdo por cima da baliza de Kieszek, depois de ganhar espaço sobre Ney Santos.

Miguel Pedro beneficiava de uma falta que Vasco Santos mais uma vez não assinalava - que arbitragem... - para lançar mais um ataque sadino, mas aos 55’ chegaria mesmo o 3-0; Lima foge ao seu marcador directo a passe de Rodrigo, e já de ângulo difícil e apertado quer pelo defesa sadino quer por Kieszek, acaba por assistir o hispano-brasileiro que se limita a encostar para o fundo das redes. Uma bela jogada do ataque encarnado e um ponto final na partida.

Prosseguia o Benfica na procura da baliza de Kieszek, aos 57’ Ola John permitia a Rodrigo que cabeceasse por cima, e com o Vitória de Setúbal a ressentir-se dos golos, só dava Benfica e perspectiva-se goleada... Puro engano. Mexia José Mota, fazendo Miguel Pedro sair para dar a entrada ao irrequieto Pedro Santos, e não passariam muitos minutos até que este mexesse com a partida; aos 61’ Maxi via mesmo o cartão amarelo por derrube ao jogador setubalense.

Salvio saía aos 65’ para dar o lugar a Nicolas Gaitán, substituição que passava Ola John para a direita, mas o jogo encarnado não melhoraria substancialmente. Logo de seguida Enzo derrubava Bruno Turco depois de mais uma falta por assinalar por Vasco Santos e da mesma, Bruno Amaro aproveitava para atirar muito por cima. José Mota iria mexer novamente, fazendo o próprio Bruno Turco sair para dar o lugar a Nélson Pedroso, e com o Vitória de Setúbal agora mais perto da sua forma habitual e com Pedro Santos em evidência, era ele que rompia e atirava ao lado da baliza de Artur logo de seguida.

Em ritmo mais lento, só aos 68’ o Benfica voltava a pressionar e a ganhar novo canto, e aos 70’ era André Gomes que num rasgo individual deixava para trás na esquerda vários jogadores sadinos e apenas esbarrava no duelo com Kieszek, que lhe negava assim um golo que seria memorável. Jorge Jesus voltava a mexer aos 71’, fazendo Rodrigo sair para a entrada de Aimar, mas também o argentino não traria ao jogo o que se esperaria. Logo aos 72’, beneficiando de espaço e tempo à entrada da área depois de um bom movimento colectivo, Aimar atira por cima quando podia ter feito muito melhor.

Aos 74’ André Gomes via amarelo depois de interromper um contra-ataque dos sadinos, e aos 76’ depois de uma bola colocada nas costas da defesa encarnada, vale ao Benfica a pressão de André Gomes sobre Bruno Amaro que acaba por atirar desviado. Não desistiam os pupilos de José Mota e, depois de nova incursão de Pedro Santos a defesa encarnada seria de novo chamada a intervir, e era com o Vitória de Setúbal na procura do tento de honra que nos encaminhávamos para o final da partida. Do lado encarnado, embora se desejasse o quarto golo, nem Gaitán, nem Aimar, nem Ola John eram capaz de trazer o que o jogo encarnado precisava, e talvez por isso apenas aos 79’ o Benfica reaparecia novamente, com Ola John a descer pela direita e a levar perigo à área sadina, valendo na circunstância aos setubalenses Ney.

Seguia-se mais um motivo de insatisfação nas bancadas, com Bruno Amaro a cair, primeiro a rebolar para fora e depois a rebolar para dentro obrigando à interrupção da partida, e finda a encenação, aos 82’ era Gaitán que ficava perto do 4-0 na sequência de uma jogada de insistência de Pablo Aimar e Lima. O incansável Enzo - melhor jogador em campo - saía aos 84’ cedendo o lugar a Urreta, mas era o Vitória de Setúbal que ainda acreditava poder chegar ao golo e mais fazia por isso; aos 85’, incursão pela esquerda de Pedro Santos e valia Artur que cedia o primeiro canto da partida a beneficiar os visitantes, e na sequência do mesmo Jorge Luiz a cabecear primeiro e de seguida Pedro Santos com a defesa encarnada a parar por suposto fora-de-jogo, a assistir Jorginho para novo desperdício.

Já depois de aos 90+1’ Maxi Pereira ser obrigado a dobrar Luisão e ceder canto quando Pedro Santos poderia surgir na cara de Artur, o jogo viria a terminar junto da área de Kieszek, quando num lance de muita insistência em que Ney vira do avesso Aimar, Luisinho cruza para Lima cabecear para mais uma boa defesa do guardião sadino.

Vasco Santos terminaria a partida logo de seguida e ficava um resultado melhor do que a exibição, o que não era de estranhar em função do cansaço acumulado no mês de Janeiro.

Na flash interview Rodrigo defendia que era importante prosseguir na linha dos bons resultados, e que marcar cedo é sempre bom mas pode dar lugar a algum relaxamento. O hispano-brasileiro subscrevia assim que era importante defender bem e, quando à dupla com Lima, mostrou-se feliz por terem marcado os dois. Por último, a respeito da titularidade, o jogador deixou subentendido que Jorge Jesus vai promovendo rotatividade e cabe a si trabalhar para merecer a aposta, e ainda a respeito de a equipa ter de marcar golos em função do goal average, Rodrigo disse que querem apenas marcar, subscrevendo ainda que seguem em 4 frentes.

Por seu turno Jorge Jesus defendeu que o objectivo principal era sair com 3 pontos, se pudessem sair com uma vitória concludente e com mais golos melhor, no entanto defendeu os atletas em função de um mês muito difícil, com muitos jogos, em que se notou já alguma quebra. Quanto ao facto de terem estado mais «relaxados», não subscreveu a ideia e disse apenas que nos últimos 10/15 minutos tentaram controlar a bola ainda que sem grande objectividade, até porque alguns jogadores terão pensado já nos compromissos das selecções. A esse respeito, Jorge Jesus lamentaria o caso de Cardozo e Melgarejo, cujas viagens transatlânticas são sempre desgastantes, e congratulava-se com o facto de pelo menos os jogadores argentinos virem a jogar desta feita na Europa. Última palavra para a importância do goal average, disse não darem grande importância mas estando a vencer 3-0, se puderem marcar mais naturalmente tentarão fazê-lo.

Comentário Final: No regresso a casa este era um dos jogos em que o Benfica justificava amplo favoritismo, cuja ideia ainda mais se reforçou quando depois de uma entrada forte dos encarnados estes chegaram ao golo logo nos primeiros minutos da partida. Contudo tal não sucedeu, os jogadores começaram a falhar passes e a tirar velocidade ao jogo, enquanto os setubalenses aproveitavam para pressionar mais e a retirar veleidades na construção do jogo do Benfica. Podiam até ter marcado depois de uma má decisão de Luisinho, mas essa foi uma jogada fortuita e sem consequências.

O jogo prosseguiu sensaborão até ao intervalo com o Vitória a tentar impedir a fluidez do jogo encarnado e com superioridade no meio campo onde se notava a falta de Matic, embora sem voltar a criar perigo junto à baliza de Artur.

Para a 2ª parte e dado resultado ser escasso, esperava-se um Benfica mais rápido e pressionante na procura de um resultado que lhe desse tranquilidade, o que conseguiu com praticamente 2 golos de rajada que acabaram por liquidar eventuais esperanças dos setubalenses em chegar ao empate.

Durante cerca de um quarto de hora o Benfica manteve uma bitola alta mas, tal como na 1ª parte, de novo voltou ao futebol lento e mastigado e nem as substituições operadas alteraram o rumo dos acontecimentos.

Em resumo vitória tranquila do Benfica ainda que o resultado tenha sido bem melhor do que a exibição.

Enzo Pérez esteve uns furos acima dos colegas.

Arbitragem com vários erros técnicos e disciplinares de um árbitro que revelou estar num patamar mediano.














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