Ponto Vermelho
Casos… que não são ao acaso!
7 de Outubro de 2015
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O eco e a gravidade dos lamentáveis acontecimentos de Madrid justifica que voltemos a eles. Porque, apesar das insistências e das repetições, nunca é demais abordar esta tão problemática e complexa questão que ameaça tornar-se viral, a menos que seja atalhada e resolvida no mais curto espaço de tempo o que se afigura complicado. Para grandes males grandes remédios, na medida em que não podemos nem devemos permitir que meia-dúzia de irresponsáveis e desejosos de protagonismo doentio, consigam pôr em xeque o Clube de que se dizem apoiantes e, em simultâneo prejudicar os milhões de adeptos que não se revêem nesse tipo de acções condenáveis.

Como em tudo na vida há diferentes pontos de vista e receitas para extirpar este mal. Ao longo dos tempos, lá fora, foram-se sucedendo atropelos que foram aumentando de intensidade até culminarem em tragédia (de que Heysel é um exemplo que jamais a Terra esquecerá!). Por cá, fomos encolhendo os ombros com as desgraças dos outros porquanto nada de especial se passava (então…), cá no burgo. E mesmo alguns incidentes que começavam a germinar como cogumelos eram tidos como situações menores a quem ninguém ligava, a começar pelas entidades responsáveis a todos os níveis que pareciam mais preocupadas com outras questões de somenos…

Nem mesmo casos sérios que foram acontecendo e que só não resultaram em tragédia por mero acaso (por exemplo o saco de pedras atirado do alto de um viaduto que destruiu a viatura do presidente do Benfica que escapou por milagre tal como o condutor), e os sucessivos casos de confronto em vários pontos fizeram reflectir e definir uma estratégia que levasse a que fossem tomadas medidas de combate à violência crescente que se ia fazendo sentir. Ao abrigo do velho laxismo português, foram sendo avançadas desculpas e justificações esfarrapadas para tentar justificar o que ia acontecendo, a começar pela tese da crescente crispação e da crise instalada na sociedade portuguesa.

Por mais do que uma vez tivemos oportunidade de ler declarações de responsáveis, afirmando que os responsáveis pelos desacatos estavam identificados e que as leis já publicadas eram suficientes para julgar e punir os autores dos desvarios. Estranhamente nada aconteceu desde então, que se saiba os ditos cujos não foram impedidos de continuar a assistir aos jogos nos estádios, e os incidentes, com maior ou menor gravidade, foram-se sucedendo. Na prática resultou num incentivo indirecto à prossecução dos desmandos porque se eles continuam a acontecer e nada sucede, é lógico que os seus autores se sintam motivados a prosseguir…

Mais do que encontrar justificações e tentar empurrar para os outros as culpas pelo sucedido (uma prática muito comum…), importa avaliar as que eventualmente nos incumbem e pensar o que poderemos fazer para contribuir para uma solução que acabe com esses males e resolva o problema de modo definitivo e duradouro. Sabemos que não se solucionam com um simples estalar de dedos, mas deixá-los avolumar é sinónimo evidente que se irão transformar, mais cedo ou mais tarde, numa bola de neve de dimensões incalculáveis. E nessa altura, como é evidente, a solução passará a ser muito mais difícil e complexa…

É óbvio e por demais claro que é um problema transversal que não se esgota neste ou naquele clube dada a possibilidade frequente de grandes concentrações de massas que devido à natureza do futebol tornam-se mais voláteis e permeáveis nas reacções. O Benfica como Clube que detém uma bem maior fatia de adeptos e simpatizantes é por isso um alvo apetecível, porque atinge sempre grande mediatismo e está na crista da onda em permanência. Os indícios já se vinham acumulando e a solução encontrada cingiu-se às multas, em vez das entidades responsáveis nacionais (todas sem excepção) atacarem de vez o problema numa perspectiva global.

Foram sendo ensaiadas tentativas a nível de provas da UEFA e lembramos que aconteceu várias vezes entre elas uma multa-recorde após um jogo disputado com o Liverpool. Mais recentemente na Alemanha onde autores da proeza foram identificados em mais um aviso de que a tolerância uefeira estava a aproximar-se perigosamente do ponto zero. O que aconteceu? Aparentemente nada! Depois de vários avisos sucedeu um breve interregno mas recrudesceu agora em Madrid de forma perigosa, com a agravante de ter suscitado grande repercussão, sendo que a mão pesada da UEFA não deixará de se fazer sentir. O Benfica deverá resolver a parte que lhe diz respeito de forma a que não fiquem dúvidas de que está atento e não se revê de forma nenhuma nesse tipo de actuações.

Mas é bom que não fiquemos por aqui e com a conversa mole de que a culpa é unicamente das Direcções dos clubes. Alguma culpa têm mas devido à magnitude do problema é bom que todos os responsáveis convirjam e definam a solução, rápida e para ontem… Todavia, nos jogos além-fronteiras, os indícios, apontam para o aparecimento de alguns elementos provenientes do exterior, logo totalmente fora do controlo o que vem expôr ainda mais o Clube. As preocupações são assim mais vastas e a coordenação, neste particular, deverá incumbir à UEFA porque é injusto que os clubes continuem a ser penalizados por situações que não podem controlar. Esperamos por isso que a questão não se cinja a penalizações pesadas aos clubes quando a questão de fundo permanece por resolver…




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