Ponto Vermelho
Sim…mas…!
10 de Outubro de 2015
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1. Um dos principais temas da actualidade (quiçá o mais importante) é, sem dúvida, o apuramento da Selecção Portuguesa de Futebol para o Europeu de França de 2016. Pelo facto em si que começa, felizmente, a cair na rotina das obrigações, mas sobretudo porque ao contrário de praticamente todos os apuramentos anteriores, Portugal não necessitou de usar a máquina calculadora em desespero de causa. Depois da péssima entrada com a Albânia que culminaria com o abandono de Paulo Bento, de então para cá a selecção fez juz ao que dela se esperava aviando com maior ou menor dificuldade todos os adversários que encontrou pelo caminho.

2. Como se tornou um hábito, basicamente confrontam-se dois tipos de posições. Os que comemoram o facto de forma moderada e reconhecem que Portugal, a despeito de algumas dificuldades internas, fez juz à sua condição de favorito do grupo e, no outro extremo, uma parte significativa dos portugueses pessimistas e com tendência para a maledicência afirmando que Portugal se limitou a fazer a sua obrigação e jogou à grega e teve sorte em algumas situações, como se essa componente não fizesse parte intrínseca dos jogos de futebol. Para além de que ganhou quase sempre à rasca

3. Não estranhamos de todo. Na multidão de opinadores e quejandos que hoje em dia peroram sobre tudo e coisa nenhuma para satisfazer a ditadura das tiragens e das audiências, encontram-se, em bom rigor, pessoas lúcidas, conhecedoras e competentes que são absorvidas pela vozearia da má-língua que em tudo encontra defeitos para poder criticar no pior sentido, acabando por passar despercebidas as suas opiniões equilibradas e independentes ao grande público que concentra mais as suas atenções em questões de lana caprina sabiamente administradas em doses calculadas…

4. Qualquer pessoa medianamente informada e atenta ao fenómeno do futebol sabe qual têm sido as virtudes, os méritos e as dificuldades da Selecção portuguesa aparte o seleccionador que a dirija. O interesse e o entusiasmo dos adeptos foram-se esbatendo sucessivamente com a emigração dos nossos principais futebolistas e a imprensa acompanhou essa tendência porque ao fim e ao cabo a Selecção despertava mais atenções em função da clubite que amplia ou desvaloriza tudo o que possa acontecer com os jogadores e não só...

5. Para a Selecção, a saída sucessiva de futebolistas provocou, a nosso ver, dois tipos de situações distintas; por um lado trouxe vantagens inegáveis porque foram jogar para campeonatos mais competitivos e assim foram adquirindo outra bagagem mas, por outro, diluiu-se a noção das rotinas de conjunto que existia no passado quando a base da Selecção era composta por um número significativo de jogadores pertencente a um só clube. Não sendo exclusivo de Portugal, a realidade é que isso de alguma forma condiciona as prestações do conjunto luso. Mas, mais do que constatarmos e lamentarmos esse facto, importa tentar neutralizar esse handicap.

6. Todavia, não aceitamos que os crónicos profetas da desgraça nos inundem com constatações do bota-abaixo. Não podendo contrariar a evidência de Portugal se ter apurado em antecipação, optam pelo discurso miserabilista de desvalorização das vitórias. Porque em alguns casos aconteceram no último minuto, porque seis delas foram tangenciais, porque as exibições foram pouco mais do que sofríveis, etc, etc. Um desfile de lamentações que só encontra paralelo na vontade de tentar menosprezar tudo o que é feito.

7. Não podemos ignorar que o nosso apuramento foi, essencialmente, pragmático. Sabedor das limitações, Fernando Santos optou por uma estratégia que não encantou as plateias mas foi suficiente para atingir os objectivos. Era isso o que se pretendia, pois é sempre preferível jogar mal e ganhar do que jogar bem e perder. Não é motivo para entusiasmo porque o Grupo era bastante acessível, mas não podemos esquecer que quer a Selecção quer os Clubes já têm fracassado em idênticas circunstâncias. Em França teremos que subir o nosso nível exibicional se queremos ser ambiciosos, mas acreditamos que com a incorporação dos novos elementos que se estão a afirmar, Portugal pode ir longe na prova. Que assim seja!






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