Ponto Vermelho
O autoflagelamento
13 de Outubro de 2015
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Ainda sob os efeitos de um apuramento tranquilo (quiçá inesperado pela antecipação…) da Selecção Portuguesa para o Europeu de França com um registo quase imaculado não fosse a estapafúrdia e incrível derrota com a Albânia na 1.ª jornada caseira, sente-se uma certa frustração em alguns sectores que num exercício de masoquismo bacoco, antes preferiam que Portugal tivesse estado até ao último momento agarrado à máquina de calcular e fosse obrigado a disputar o play-off como tem sido a praxe dos últimos apuramentos. Compreendemos a sua desilusão e percebemo-los perfeitamente quando se agarram às exibições menos conseguidas da Selecção para descarregar a sua frustração. E nós, ingenuamente, a pensar que a prioridade eram os resultados…

Não há menor dúvida que o Mundo tem a faculdade de ir acontecendo mesmo contra a vontade de alguns que se julgam no direito de o influenciar com manobras de distracção e com programas e notícias deprimentes que continuam a fazer as delícias de todos aqueles que continuam a cultivar o quanto pior melhor…, desde que não sejam directamente afectados. O pior é quando lhes tocam à porta e os obrigam a assumir responsabilidades mas isso, é uma faceta complicada nos dias de hoje onde os energúmenos e os desbocados têm crescido sem controle na medida em que, quem tem a responsabilidade de agir e do evitar, assobia para o lado como se nada se passasse. É um fartar vilanagem…

José Luís Peixoto sintetizou com admirável lucidez um dos principais problemas da sociedade actual ao referir que «Vivemos num individualismo muito cru. As pessoas são levadas a acreditar que a promoção do conforto físico e das aparências é o que mais conta. Existe uma desvalorização do conforto afectivo e moral. Existe a ideia errada de que podemos ser felizes sozinhos ou, pior ainda, contra os outros.» De facto, se olharmos com frieza de análise para o hoje que está a acontecer, deparamos com elevadas doses de egoísmo, de falta de senso, excesso de invidualismo, e avareza de sentimentos, como se o nosso objectivo último fosse não a consumação do nosso progresso pessoal, mas tão somente impedir que os outros, comuns mortais como nós, possam atingir algo que nos faça sombra…

Ao fim e ao cabo é a própria negação de nós próprios numa pressa incontida de tentar viver a vida ainda mais depressa do que ela se desenrola, numa tentativa de destruição sistemática dos outros porque, se ficarmos sós no caminho, ele pode ser percorrido ao nosso próprio ritmo… A escolha desta via que nada constrói e mais não faz do que seguir e praticar uma política de terra queimada, encerra perigos sem fim e agrava-se porque aos seus autores morais e materiais lhes falta quase tudo o que os seres humanos devem ter como factores obrigatórios: a dose mínima de inteligência (embora saibamos que até o maior estúpido tem lampejos de inteligência ao longo das 24h), o indispensável bom senso e a capacidade de raciocínio suficiente para saber escolher quem os deve rodear não os castrando para que possam contraditar opiniões e sugerir caminhos alternativos mais aconselháveis.

Se assim fosse o que não é manifestamente o caso, teriam sido evitados erros gravíssimos tornados irreversíveis e, para além disso, impedir que tempestades que se perfilam no horizonte a depender da oportunidade em que o vento ganha uma força imparável, se abatam sobre si próprios e os forcem a beber do seu próprio veneno que sem qualquer nexo ou pudor têm andado a espalhar por montes e vales. Infelizmente haverá estilhaços que irão provocar danos colaterais e afectar quem nada fez por contribuir para esse estado de circunstâncias. Essa é, todavia, uma das consequências nefastas dos conflitos sem qualquer razão de ser e estribados apenas e só no desejo de protagonismo, na demagogia e no populismo. Lamentavelmente há sempre seguidores que não sendo demasiados, se fazem notar pela algazarra acabando por parecer muitos. Já sem falar do esforço dos pasquins e das folhas desinformativas que teimam em nos querer atrofiar…










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