Ponto Vermelho
Presente e futuro
16 de Outubro de 2015
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Durante uma porção prolongada de tempo que se estendeu até tempos recentes, uma parte significativa dos media e da opinião pública mais directamente associada ao futebol, manifestava as mais sérias apreensões por a Selecção Portuguesa estar velha e desgastada e por não se vislumbrar no horizonte, à excepção de alguns (poucos) valores que não passavam de meras promessas a necessitar de confirmação. A preocupação atingiu o ponto limite após Portugal ter baqueado de forma inesperada em Aveiro com a modesta Albânia que afinal veio a revelar-se não ser assim tão incipiente…, tendo também em consideração o horizonte escasso de jogadores seleccionáveis.

A isso não era alheio o facto de, por uma razão ou por outra, o seleccionador até essa altura se ter incompatibilizado com vários jogadores, levando a que alguns fossem afastados e outros se afastassem por opção pessoal. Não interessa agora catalogar culpas mas tão somente constatar a realidade. A chamada de Fernando Santos sendo de facto uma situação de risco pelas razões que se conheciam teve, para além das dúvidas e da maledicência habituais, o condão de restabelecer a pouco e pouco a harmonia no seio da Selecção e, alguns dos proscritos, regressaram com evidentes benefícios para a equipa. Num país em que o campo de recrutamento para a Selecção não abunda, todos (velhos e novos ou com mais ou menos experiência) nunca serão demais. Essa medida urgente e inadiável teve o condão de fazer milagres.

De então para cá Portugal registou uma impressionante série de vitórias que conduziram ao apuramento directo e ao 1.º lugar amplamente destacado, desfrutando do previlégio (único nos tempos mais recentes), de não necessitar de fazer as tais contas complicadas que por routina faziam parte do seu calvário. Nem sempre jogando bem (ou se preferirmos jogando apenas o suficiente), os resultados ainda que tangenciais foram aparecendo e, de repente, a febre da renovação que inundava a actualidade foi-se esvaindo paulatinamente como se de repente tivesse sido congelada…

No entanto, ela começou a ser timidamente efectuada (o que se compreende), porque os resultados e o apuramento estavam em primeiro lugar e o campo das experiências numa competição longe de estar definida era demasiado arriscado para ser tentado no imediato. Não se deu por isso mas com a sequência positiva de resultados, todos acharam natural e consequente que alguns elementos que até aí apenas tinham demonstrado um potencial muito interessante e uma experiência positiva ao serviço dos respectivos clubes, fossem ascendendo à Selecção mesclados de forma inteligente com futebolistas com muito maior tarimba e experiência, o que quer significar que o futuro já começou a ser preparado no presente.

Presente esse que contrariando todos os pessimismos mais recentes dá indícios seguros que começa a estar assegurado, porquanto a Selecção de Esperanças (ou na designação actual Sub-21) parece estar em plena laboração e a moldar talentos, alguns dos quais já transitaram para o Seleccionado principal. Como se isso não bastasse, a actual Selecção daquele escalão continua a dar cartas na Europa da categoria pois é vice-campeã europeia depois de uma derrota inglória nos penalties, sendo que já não é vencida no período normal de jogo desde 2011. Ainda agora na Grécia deu uma demonstração cabal da sua enorme categoria pois venceu com a maior das tranquilidades um adversário que no seu reduto não é propriamente uma pera doce.

O que mais impressiona é a forma categórica com que todos os elementos se batem não aparentando pontos fracos e demonstrando em cada jogo uma superioridade que tem sido letal para todos os adversários. Esta assumpção do presente dá-nos garantias de continuidade tal a maturidade revelada por quase todos os elementos, alguns dos quais ainda poderiam jogar na Selecção Sub-18. É evidente que tal resulta de um conjunto diversificado de razões, não sendo despiciendo referir a aposta e o trabalho desenvolvido na Formação pelos Clubes, nas equipas B, pela Federação e pelas suas estruturas (infraestruturas e componente humana) e, fundamentalmente pelos valores que têm vindo a emergir. O futuro parece assim poder ser encarado com tranquilidade, fazendo votos para que não seja estragado por aquelas circunstâncias tão especiais do Futebol português…








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