Ponto Vermelho
Efeito nefasto de interesses espúrios
19 de Outubro de 2015
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1. Um dos grandes destaques da actualidade desportiva portuguesa tem sido, como todos sabemos, a questão do kit de cortesia que o Benfica alegadamente tem vindo a ofertar no fim dos jogos às equipas de arbitragem, delegados e observadores, nos jogos realizados no Estádio da Luz. A denúncia de tão suspeita oferta coube ao actual presidente do Sporting em directo e quase nos atreveríamos a dizer em exclusivo, no canal televisivo TVI que gosta de primar pelas surpresas, mesmo que elas encerrem a pior das propagandas e o nível dos seus programas desportivos se aproximem de modo claro das classificações com que as agências de notação financeira têm classificado Portugal nos últimos tempos…

2. Num país a sério e com gente a sério, estes episódios destinados ao entretenimento colectivo não passariam do primeiro crivo. Todavia, a busca incessante e a promoção de sensacionalismos para distrair a consciência colectiva, faz com que eles aconteçam com a regularidade com que se tenta disfarçar a incompetência e o desejo de protagonismo. Ao serem fabricados e colocados em cena, o foco tende a centrar-se sobre eles e às suas possíveis consequências, e assim desviar as atenções dos males sérios e das suas insuficiências congénitas.

3. O pior disto tudo é que tal é posto em equação por personagens menores que sem credibilidade e sem princípios (morais ou éticos) são ajudados na sua empreitada desestabilizadora e de fomento do caos desportivo por gente que nos jornais e nas televisões, profissionais ou não, se conjugam na ideia de que empolando situações que nem o chegam verdadeiramente a ser, estão a contribuir para a denúncia de alegadas situações de conluio e de males terríveis de cor vermelha ou, como diria o solitário intérprete dos monólogos das 3.ªs feiras, um atentado vil e traiçoeiro à verdade desportiva. À sua, evidentemente…

4. O desejo de se colocarem em bicos de pés e reclamar um protagonismo que só, quiçá, virão a ter pelas piores razões por um lado, e a guerra das tiragens e das audiências e o anti-benfiquismo primário como sentimento sempre presente por outro, não lhes concede um mínimo de lucidez para perceberem o quanto de mal estão a fazer à imagem do futebol português, logo agora que as Selecções dos principais escalões acabaram de protagonizar e percorrer um caminho que devia encher de orgulho todos os desportistas portugueses. Mas nada disso conta para essa gente sem escrúpulos que perfilha o lema do quanto pior melhor…

5. Aparte as razões atrás afloradas e que pelos vistos sobrelevam tudo o resto até a alegada verdade e rigor, a menos que conseguíssemos entrar no domínio da acefalia continuamos a ter dificuldades em compreender a justificação para tanto ruído mediático, embora saibamos que a dimensão do Benfica gera nos adversários e em muita outra gente, um sentimento de menoridade, de frustração, de inveja e de inferioridade. É uma conjunção poderosa que os leva a reagir de forma estapafúrdia utilizando os piores pretextos e os mais inconcebíveis argumentos.

6. Num Estado de Direito qualquer pessoa em particular se ocupar cargos de algum relevo, deve ter a inteligência, a experiência, o bom senso, o equilíbrio e a sensatez suficientes para seguir os caminhos e as possibilidades que esse mesmo Estado lhe confere. Se considera que existe qualquer situação ou caso que configure ilegalidade ou suscite dúvidas sobre acções pouco claras, não tem mais do que as comunicar a quem de direito. No caso em questão tal não se verificou e foi substituído pelo show-off mediático patrocinado pela mesma entidade que transmitiu há anos em directo e em exclusivo os 36 segundos de liberdade de um ex-presidente do Benfica que não deixou saudades…

7. Mas o mais espantoso foi a constatação mediática de que o único pecado cometido pelo denunciador teria sido o de se ter sujeitado ao confronto de ideias com um interlocutor rival de qualidade duvidosa…, o que, se porventura tal não tem acontecido, teria sido a cereja no topo do bolo. Por aqui se vê ao ponto perigoso a que chegámos em que um punhado de nada se transforma por artes mágicas numa matéria com contornos mediáticos e jurídicos parecidos com os da famosa herança Sommer de há décadas atrás. Voltaremos ao assunto em tempo oportuno!






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