Ponto Vermelho
Um fartote...
22 de Outubro de 2015
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1. Prossegue em bom ritmo a campanha que visa transformar de novo o futebol português num barril de pólvora pronto a explodir a qualquer momento. Uma situação cíclica que tem atingido de modo indelével o desporto-rei em Portugal, tendo como objectivo prioritário o domínio clubista a solo. Tem sido assim ao longo dos tempos, muito embora o último consulado absolutista tenha sido demasiado longo e atravessado um século. Com o princípio do seu declínio esperava-se como é óbvio uma luta pelo poder ainda que mais equilibrada. Pelos vistos há quem queira ser outra vez único

2. Sendo a obtenção do poder um desejo legítimo e compreensível, a forma de lá chegar é que difere pelas estratégias utilizadas que não raras vezes atingem pontos pouco dignificantes, roçando a boçalidade e a tentativa de descredibilização e até mesmo a destruição dos adversários através de tácticas rasteiras e inviezadas e formas de pressão inadmissíveis num Estado de Direito. Como isso serve às mil maravilhas a guerra das tiragens e das audiências, é certo e sabido que qualquer facto ou qualquer declaração por mais estapafúrdia que seja desde que sirva esse desiderato, é empolada e manipulada até à exaustão. A campanha em curso não foge, nem um milímetro, desse guião

3. Mas afinal o que se pretende e o que é que está causa? A dimensão esmagadora do Benfica não só causa inveja como complexos de inferioridade. O seu lento renascer das cinzas depois de duas décadas em que chegou a estar muito próximo do abismo, foi desenvolvido em várias etapas a partir do princípio do século; primeiro a recuperação da credibilidade perdida, depois a criação de infraestruturas que permitissem o desenvolvimento sustentado, e, por último, a aposta na vertente desportiva fosse ela o futebol (profissional e/ou de formação) como principal objectivo, ou as múltiplas modalidades respeitando o ecletismo que sempre foi seu apanágio desde a fundação.

4. Durante esse período demasiado longo para a ansiedade dos adeptos e simpatizantes sobretudo das últimas gerações sequiosas de vitórias, foi preciso travar uma batalha árdua e sem desfalecimentos. As sucessivas Direcções ainda que com o mesmo presidente, souberam rodear-se de profissionais competentes e dedicados e foram capazes de empreender uma viragem que com erros e desvios próprios fruto da complexidade da batalha, souberam paulatinamente recuperar o prestígio e crescer para patamares dantes julgados inatingíveis. Sempre com o imprescindível apoio dos adeptos.

5. Mau grado todas essas conquistas, o futebol demorou a atingir pontos aceitáveis. Para isso concorreram diversas causas a começar pelo completo domínio dos tabuleiros pelo FC Porto, estivessem eles situados à superfície ou nos subterrâneos. Desde logo se percebeu que a luta iria ser difícil e levaria o seu tempo até que as coisas começassem a empreender o caminho da normalização. Um título meramente esporádico em 2005 deu para entender que ainda não tinha chegado o momento da tão ansiada viragem. Levaria ainda mais uns anos.

6. Chegámos por fim ao último ciclo onde se percebeu de modo definitivo que só o forte investimento no futebol profissional poderia dar frutos. Mas mesmo assim depois de uma época fulgurante em termos exibicionais que não teve a justa correspondência pontual, voltámos a dar um passo atrás por culpa própria e devido ao habitual conjunto de factores exógenos, situação que se voltou a repetir nas épocas seguintes. Curiosamente, foi só a partir da altura em que a cabeça do treinador ficou a prémio que a aposta deu resultados com a conquista do bi-campeonato, situação que não se registava há mais de três décadas.

7. Para isso concorreu a estrutura e a equipa técnica a começar pelo treinador e mais uma vez os adeptos, mas o factor decisivo terá sido a decisão de dotar o plantel de jogadores de classe extra ao ponto de se poder considerar que durante os últimos seis anos, os plantéis do Benfica sobrelevaram todos os outros. Realizou-se muito dinheiro com a alienação de passes, mas também se dispenderam verbas muito significativas que acabaram por bloquear a redução do passivo. Pelo contrário. Na Europa não demonstrámos ambição na Champions e as duas finais da Liga Europa souberam a pouco pois perdemo-las. Afinal o foco estava centrado no campeonato em que atingimos a percentagem de 50%.

8. Com o fim do ciclo alterou-se o paradigma. Nível mais baixo de investimento e maior aposta na Formação que já prometia há algum tempo e sofria de ostracismo. Opções… O virar de página teria forçosamente que acontecer e esperar-se-ia que sucedesse de forma normal e pacífica. Não aconteceu como cedo se constatou e, pior do que isso, rapidamente foi desencadeada uma estratégia adversária com o fim de impedir o sucesso, entrando os seus protagonistas por caminhos esconsos que estão, afinal, em conformidade com a sua personalidade. Continuaremos a olhar para o tema.




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