Ponto Vermelho
Intermináveis disparates…
25 de Outubro de 2015
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1. Em dia de mais um derby que por acaso sobreleva em larga escala todos os outros e há muito extravasou fronteiras legitimando a comparação com derbies de outros países na Europa e no Mundo, importa olhar para os aspectos adjacentes que acabam por se sobrepor às verdadeiras incidências: o desafio em si, as tácticas, as perspectivas que se apresentam e, acima de tudo isto, os intérpretes fundamentais – os jogadores. Eles sim, constituem a essência do próprio jogo e são sem sombra de dúvida a parte fulcral e decisiva do melhor que nele existe. Mas, para alguns, parece que não é assim!

2. A avaliar pelo que se tem visto, lido e ouvido em abundante profusão, pode constatar-se de modo insofismável que uma completa inversão de valores tomou conta dos espaços noticiosos sejam eles quais forem, assistando-se com estupefacção à discussão pretensamente acalorada de quase todos os aspectos menos os que deviam interessar, onde muitos gritam para tentarem demonstrar a sua verdade e se sobrepor aos outros na convicção (errada) de quem mais berra é o incontestado vencedor…

3. Esse estado de circunstâncias que infelizmente se propagou e generalizou nos media sejam eles generalistas ou da causa desportiva, agravou-se de modo substancial e perigoso nos últimos tempos, acompanhando a vertiginosa subida da temperatura entre a Av. Eusébio da Silva Ferreira e a 2.ª circular norte. De um modo geral os protagonistas são quase todos chamados a interpretar o mesmo guião e são colocados num barco a navegar em águas turbulentas, tendo que lutar de forma firme e vigorosa pela sobrevivência, correndo o risco (sério) de não escaparem ao destino e ao arraial montado. Uma verdadeira delícia que nos deixa estarrecidos e alimenta paixões assolapadas e egos transviados.

4. No pensamento do multifacetado Marquês de Maricá no século XIX "Há pessoas que dizem mal de tudo para inculcar que prestam para muito.". Sendo o caso de algumas, não se aplica, todavia, à generalidade. Bem pelo contrário, pois estas últimas tendo implícita consciência das suas próprias limitações estão conscientes de estarem a representar outros interesses e essa compensação seguidista é-lhes suficiente. As audiências, as tiragens e os incentivos em privado anima-as a prosseguir na sua cruzada para o fomento de desencontros opinativos, mesmo que isso fira a dignidade e atente contra a sanidade mental de todos os que fazem o esforço e conseguem ter a pachorra de assistir a tão educativos e esclarecedores programas

5. Não se estranha, por isso, que os programas e escritos sobre futebol cresçam como cogumelos mas cada vez mais se fale menos dele. O que importa hoje em dia é criar antagonismos e incentivar a discussão no pior que ela encerra, atirando pedras e escondendo a mão. Feita pacientemente a sementeira, é tempo de colher os frutos. Como é evidente logo após o lume abrir fervura, começam a ser vertidas abundantes lágrimas de crocodilo abominando as consequências negativas para a indústria, havendo o cuidado de situar sempre as causas na óptica clubista temperando os reflexos para não estragar os efeitos.

6. Ninguém pode ficar pois surpreendido, quando um fanático adepto de claque que por vezes de forma acidental desempenha o lugar de presidente, empreendeu uma política tendente a queimar tudo o que se movimenta e que já começou a chamuscar os seus próprios domínios, tenha sido ajudado nessa empreitada por acção ou por omissão por quem, agora se apressa a querer situar tudo em plano de igualdade… O silêncio e a ausência de reacção institucional a tantos e tão variados disparates em todo o tempo foram numa primeira fase criticados (como nós os percebemos…), e nem mesmo as acusações de comprometimento ou ausência de argumentos contraditórios demoveu a postura (correcta) da manutenção do silêncio…

7. Estamos já na fase posterior. E nem mesmo a quietude e a moderação influiram nos seus pérfidos objectivos, pois o que se vê e o que se ouve é que o desencandear da fase bélica e genicosa do adepto de claque está justificada de forma implícita, pois do outro lado também concorreram para que isso acontecesse. Se não fosse tão grave e atentatório do nosso equilíbrio mental, provavelmente ainda acharíamos alguma piléria. Assim, optamos por sublinhar que essas tentativas de manipulação da verdade ética e comportamental (já que a desportiva é de pertença exclusiva do monologuista das 3.ªs Feiras…), não influirão em nada na opinião da grande maioria dos benfiquistas e da opinião pública. Mas convém ter cuidado, muito cuidado, com os estilhaços…

P.S. À falta de melhor, foram ressuscitadas as declarações do ressabiado ex-apitador Marco Ferreira, com a réplica (em vésperas do derby) dada à estampa num jornal espanhol, obviamente a pedido... Merkantzien gehiago






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