Ponto Vermelho
O regresso dos abutres!
30 de Outubro de 2015
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1. Face ao resultado e ao índice exibicional patenteado pelo Benfica no derby era altamente expectável para não dizer inevitável, que as críticas do bota-abaixo ecoassem por todo o universo e assentassem arraiais na praça pública nos dias (semanas) subsequentes. Como manda a tradição há sempre uma multidão que espera ansiosamente por momentos destes para soltar a inveja reprimida e dar um grito incontido de alegria perante momentos que tendendo para a raridade, se tornam por isso mais apetecíveis e difíceis de conter dentro de peitos apertados, muito em particular daqueles que ainda não conseguiram entrar na plenitude do século e que vociferam a todo o instante como se não houvesse amanhã…

2. Se existem razões objectivas e factuais para criticar uma prestação encarnada que esteve longe, muito longe, de atingir os padrões aceitáveis exigíveis a uma equipa com os pergaminhos e as aspirações do Benfica, a questão prende-se com a forma e até com o conteúdo como muitos o fizeram, como se de repente o Mundo ficasse virado de pernas para o ar e a lógica fosse uma batata… Se se percebe que esta foi uma oportunidade de ouro há tanto esperada por alguns (nomeadamente os nossos invejosos e complexados vizinhos) para soltar a raiva, libertarem-se da frustração e tentar o ajuste de contas, é estranho que outros supostamente independentes e de quem se esperaria objectividade e isenção na análise, acabassem por alinhar pelo mesmo diapasão ainda que com tonalidades diferentes.

3. Para que o quadro ficasse totalmente preenchido, regressaram os benfiquistas da horas más e a quem a comunicação social dá sempre tempo de antena nestas ocasiões menos felizes dos encarnados que, para variar debitaram as mesmas teses e teorias rebuscadas de sempre, embora reformuladas para se ajustarem ao tempo presente. Este facto não seria merecedor de qualquer reparo tendo em consideração a pluralidade de opiniões do universo benfiquista, se por acaso não fosse visível ao que vêm e os objectivos que pretendem atingir que podendo até ser legítimos, pecam pelos métodos e sobretudo pela forma.

4. Mas quererá isto significar, de alguma forma, que os benfiquistas deverão alhear-se da situação presente fingindo que está tudo bem? Era o que mais faltava! Em todos os momentos sobretudo nos mais difíceis, é imperativo de todos os que assumem o ideário benfiquista como lema, possam dar as suas sugestões e emprestar a sua contribuição crítica para que seja encontrado o caminho mais adequado à prossecução do objectivo prioritário de vencer e que deveria ser de todos. Mas francamente não aceitamos é que alguns só apareçam em tempo de borrasca agravando a situação e fornecendo argumentos à sanha persecutória dos pasquins cada vez em maior número. E até aqueles que com maiores responsabilidades, deixam de ser solidários e tentam marcar o próprio território com base nos ecos que emanam das redes sociais. Porque os restantes não temos que nos admirar…

5. Quando se atinge um estado de circunstâncias como o actual, a paranóia toma conta de muitos e até de alguns habitualmente ponderados. Admitimos que seja fruto das emoções e da paixão que nutrem pelo Clube, mas é preciso parar para pensar e reflectir, porque não é colocando tudo em causa e revelando falta de sintonia e companheirismo clubista para mais numa altura destas, que se consegue ajudar a criar as condições necessárias para que o caminho possa ser reposto nos carris e ultrapassar uma fase que está longe de corresponder aos anseios dos benfiquistas. Para além de eventualmente vir a hipotecar estratégias pessoais.

6. A situação está longe de ser brilhante e os compromissos imediatos poderão vir a dizer muito sobre o que nos reserva o próximo futuro. Compete à Direcção, à estrutura do futebol, à equipa técnica e aos jogadores ponderar e reflectir sobre as causas que têm produzido efeitos negativos e corrigi-los rapidamente sob pena de se entrar num caminho sem hipóteses de recuperação. Os sócios e os adeptos também terão um papel fundamental contribuindo com os seus aplausos e incentivos, mas também com as suas críticas e sugestões. A conjugação de esforços é fundamental neste momento e a reacção aos abutres que sempre rondam nestas ocasiões deve ser firme e sem hesitação.








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