Ponto Vermelho
Notas soltas sobre aspectos essenciais
2 de Novembro de 2015
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1. Quando atravessamos uma nova fase na vida política nacional que nos irá afectar a (quase) todos nós e está a deixar preocupados muitos democratas, importa dar uma saltada à realidade que está em equação e sobre as saídas que se irão apresentar depois do marasmo e da aceitação tácita de medidas que atentaram contra a dignidade humana e a vivência democrática que já deveria estar consolidada em mais de 40 anos de liberdade. Pois é, a democracia só existe na verdade quando os seus principais intérpretes são democratas e não se submetem às regras que atentam contra o que mais nos interessa como povo…

2. Olhando para o que se passou na última legislatura podemos observar sem qualquer espécie de dúvida, que a subserviência assumida só nos trouxe desvantagens pois todos os índices sociais pioraram, o desemprego e a emigração forçada dispararam, e a dívida pública aumentou para um nível insustentável. Um milagre explicável pela verborreia e pelos chavões que continuam a fazer furor junto das massas politicamente menos esclarecidas e daqueles a quem é extremamente conveniente defender o tacho. Tudo, evidentemente, a bem do reconhecimento schaubliano do aluno bem comportado, da redução do défice, da ameaça dos mercados, teses propaladas que alguns professores da economia não real se esforçam por nos impingir como se fossem verdades absolutas...

3. Naquilo que é a nossa abordagem específica, é justo salientar e reconhecer que o desporto português nos quatro cantos do Mundo tem sido uma pedra desalinhada desse conformismo que nos atormenta e desinteressa a alguns. Com escassos meios, o desporto tem-se salientado, provando que a tese do país pobre e pequeno só existe na mente daqueles que nos corredores de Belém, São Bento, Bruxelas ou Estrasburgo comodamente instalados, aceitam essa pretensa inevitabilidade, porque ao fim e ao cabo os males e tormentas atingem como nunca o país real e a esmagadora maioria do seu povo que luta diariamente para sobreviver e tenta abrir de forma desesperada a porta que anteveja o seu futuro, dos seus filhos, e dos seus netos e garanta uma perspectiva consequente para o País.

4. Mau grado tudo isso, o desporto que apesar de todos os seus êxitos aqui e além mar não se esgota na sua essência pois contribui, de forma transversal para a melhoria de aspectos básicos e essenciais da sociedade portuguesa como seja a educação, a saúde, ou a capacidade de enfrentar adversidades ou corresponder a desafios mais complexos. Contribui ainda, de forma marcante, para a eliminação das assimetrias sociais e comportamentais. Como se constata, continua a ser olhado como um dos parentes pobres pois apesar de todas essas qualidades e virtudes, continua a ser relegado para secundaríssimo plano. Um sinal dos tempos e da mediocridade que atinge muitas das nossas cabecinhas pensadoras….

5. Todavia, se ao desporto podem ser dispensados os maiores encómios, já o mesmo não podemos dizer de muitos dos seus dirigentes que se têm esforçado, ao longo das últimas décadas, por fazer passar uma mensagem de desesperança, de conluio e de subversão das regras básicas que deviam reger a actividade do sector no seu conjunto, imitando a política no que ela tem mais de negativo e subversivo –, a tentativa sempre em equação de conquista do poder sem olhar a meios. Mesmo que estejamos a falar dos mais vis e condenáveis.

5. Tal como no campo político, também o desporto e o futebol como expressão mediática máxima dispõe de uma imensidão de artistas que no delírio da sua consciência inconstante, na mediocridade do seu pensamento limitado e na aspiração a ditadores de meia-tijela, enveredam por caminhos tortuosos que só são percorridos porque as instâncias responsáveis fazem por ignorar estes atropelos que em primeira instância prejudicam e de que maneira o futebol português e os seus clubes, não sendo por isso de estranhar que FC Porto e Sporting permaneçam sem patrocinadores. Um Ministério da Juventude e Desporto, bem dimensionado e com uma magistratura de influência, poderia vir a ter uma importância fundamental, em todos estes capítulos. Assim haja vontade política!








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