Ponto Vermelho
Para onde caminhamos?
10 de Novembro de 2015
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1. Alguns de nós tentam auto-convencer-se que o avanço tecnológico acelerado do Mundo justifica todo o egoísmo que cada vez em maior grau atinge transversalmente as sociedades e por inerência os cidadãos. É uma constatação que se faz sem dificuldade e isso serve também para aceitar todo o tipo de desmandos ao abrigo da liberdade que parece ter cada vez menos barreiras e limites. Em teoria, qualquer organização ou cidadão nos dias de hoje independentemente do lugar que ocupa na sociedade, está sujeito ao escrutínio apertado de todo o tipo de pasquins que têm que alimentar uma opinião pública faminta que revela um apetite insaciável, sem se dar ao trabalho de verificar o fundamento e a veracidade das notícias. Quanto mais escandaloso melhor… excepto se nos disser respeito…

2. A preocupação maior não é tanto construir, mas tentar a todo o custo que os outros o consigam e venham a ter sucesso. Chegámos a este estado pelas mais desencontradas razões, sendo que é um problema que nos aflige há séculos e cujas causas e efeitos nunca conseguimos até hoje erradicar. Talvez isso justifique de alguma maneira o facto de, depois dos períodos áureos mas já muito longínquos onde demos cartas ao Mundo, nos termos deixado conduzir de modo calmo e pacífico para um caminho até ver sem retorno. Todavia, desistir nunca deve fazer parte do nosso ideal e o conformismo alicerçado no pessimismo deve ser abandonado porque há, tem de haver, sempre alternativas, mesmo no infortúnio. Sabemos que não é fácil, que muitas vezes somos invadidos pelo desânimo e pela impotência, mas como diz o povo, a esperança deverá ser sempre a última a morrer.

3. No tema que mais nos interessa – o desporto – temos, a par das inevitáveis proezas dos novos cristãos nos últimos tempos, sucessivos exemplos em que cada vez mais protagonistas se têm recusado aceitar a tese do fatalismo e do constante matraquear daqueles que sistematicamente falam do país pequeno e pobre para justificar a sua própria incompetência. Felizmente que em várias outras modalidades, fora do leque daquelas a que estávamos por norma habituados, surgiram novos valores que brilham intensamente no panorama do desporto mundial, muito embora alguns deles tenham sido forçados a emigrar para procurar as condições compatíveis com o desenvolvimento das suas capacidades para almejar as performances que sabiam de antemão poder atingir desde que houvesse condições.

4. Esta têm sido, como estamos a constatar abundantemente, a política seguida pela cegueira dos meninos bons alunos seguidistas que nos têm dirigido em que o desporto, apesar de tanto fazer pelo País, não tem direito a um Ministério autónomo que pense o desporto e olhe para juventude numa perspectiva de futuro que é o único dado adquirido e articulando com as várias áreas, nomeadamente a de educação para propiciar um desenvolvimento integrado e harmonioso.

5. É que, contrariamente à mentalidade dominante instalada na Europa e que parece estar finalmente a dar ligeiríssimos sinais de mudança, o futuro não é daqui a 20 anos mas sim de forma permanente, em conjugação com o presente que não pode ser abandonado e remetido para as calendas como em certos momentos nos fica a sensação/certeza que assim é. Sacrificando-se tudo a bem da redução do défice, é demasiado redutor e uma contribuição quiçá decisiva para a desesperança da juventude e para o desincentivo da prática desportiva e ocupação dos espaços que por direito próprio lhe pertencem, aumentando exponencialmente os riscos em várias áreas nomeadamente na educação e na saúde. Utilizando uma expressão bem popular, poupamos na farinha para gastar no farelo…

6. Os dados actuais parecem apontar para uma alteração de ciclo político. Sempre que assim acontece, renovam-se as expectativas de virmos a ter um desporto melhor pensado que possa de alguma forma materializar os anseios da nossa juventude nessa área tão vasta. Como é evidente – seja qual for a fórmula que vier a ser encontrada –, não se pode esperar que algo de muito substancial se altere. É um marasmo de anos em que as diferentes matizes têm usado sempre um olhar sobranceiro e um cariz de indiferença. Compreendemos que seja muito difícil introduzir alterações de monta porque isso implicaria vontade política, canalização de verbas já por si escassas e sobretudo a alteração de mentalidades, uma situação que não será nada fácil reverter. Mas, com vontade, firmeza e perseverança, estamos convictos que haveremos de lá chegar. Quando? Não se sabe. Cremos que já estivemos mais longe...








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