Ponto Vermelho
Mudam-se os tempos…
13 de Novembro de 2015
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1. Prosseguem num mar de agitação os tempos de hoje em Portugal. Na política e no futebol onde, em bom rigor, raramente existem fases de acalmia duradoura. Como d’habitude os erros e a culpa é sempre dos outros e nunca de nós próprios, e isso faz com que os problemas nunca se resolvam e as acusações subam de tom por tudo e por nada, com o rastilho a ser acendido por parte significativa da imprensa que delira potenciar tudo isso, explorando-as até ao tutano para depois se pôr de fora com o argumento de que o ónus deve ser exclusivamente atribuído a todos menos a eles próprios. Já se conhece por demais o estilo…

2. Essa é, sem dúvida, umas principais causas para a constante agitação que grassa no futebol português, sendo que todos (repetimos todos!) são culpados; uns por darem azo às situações, outros por não as conseguirem evitar e resolver, e outros ainda por as explorarem em seu proveito. Nem todos, infelizmente são capazes de observar as sucessivas questões com um mínimo de distanciamento que as mesmas requerem, e isso propicia acesas discussões por vezes completamente estéreis que espremidas dão uma mão cheia de nada.

3. Tal como nas anteriores temporadas há um denominador comum – a arbitragem –, tendo em conta que é o elo mais frágil para além de ser o mais apetecível para quase todos os dirigentes que detenham ou julguem deter uma parcela de poder que os leve a influenciar a seu favor as regras do jogo e os beneficie. Quando tal acontece, mesmo que as evidências não deixem margem para qualquer dúvida, o seu silêncio torna-se sepulcral evidenciando um comprometimento implícito. Já não se pede que venham para a imprensa falar no mesmo tom indignado de quando se julgam prejudicados, mas mandava a ética e já agora o decoro que o referissem de motu proprio para não ficarem incoerências gritantes no ar. Alguns até contratam kapos para fazer o trabalhinho

4. São públicas e recorrentes as queixas e queixinhas do Sporting. Não é de agora mas tem sido uma coerência que já dura há vários anos em que atribuem sempre às equipas de arbitragem a razão para não ganharem o título máximo desde o longínquo ano de 2002. De então para cá, ano após ano, época após época, a sua contabilidade tem sido sempre omissa na coluna dos benefícios, enquanto a dos prejuízos tem crescido sem cessar sem que se tenha vislumbrado um pingo de ponderação dos sucessivos dirigentes que por lá têm passado e que em vez de acabarem com a lamechice, têm-na alimentado sem qualquer hesitação.

5. Atendendo a que não despegam os olhos do que faz e não faz o seu vizinho do outro lado da avenida, revelam acima de tudo nesse capítulo um complexo cada vez mais intenso de inferioridade que se associa à inveja de todas as horas, apontando a cada passo pretensos benefícios concedidos ao rival para justificar a sua incapacidade de ganhar. E até mesmo pessoas intelectualmente mais desenvolvidas não conseguem fugir a essa tentação do destino, acabando por cair na vulgaridade e dando largas à mediocridade que patenteiam na análise à coisa desportiva. É claro que essas tiradas tonitruantes são provocadas e exploradas e essa é uma entre várias razões para a constante inflexibilidade e crispação que se vive.

6. Se já na época anterior tínhamos tido um ensaio que só os mais distraídos não se aperceberam, na que decorre a estratégia está a atingir níveis de grande magnitude. Explícitos mas sobretudo implícitos. Dando de barato a ironia de estarem a apoucar o trabalho do actual treinador (referido em tons entusiásticos pelo adepto que faz as vezes de presidente como o melhor do Mundo) fez no seu tão odiado rival, a aquisição de um vulto que até nem queria voltar mais ao futebol…está-se, para já, a revelar ajustada aos seus desígnios pois os benefícios são por demais evidentes. Curiosamente (será?), mesmo com isso, a contabilidade não se inverteu. A única coisa que mudou (por enquanto), foram as declarações e a página pessoal do facebook, pois onde havia crispação há agora silêncio. Mas é nossa convicção de que será sol de pouca dura. Basta começarem a perder... internamente, pois lá fora têm continuado como sempre: a pouco dignificar o País desportivo! A propósito o que diz a esta magna questão o monologuista das 3.ªs feiras?








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