Ponto Vermelho
Interregno forçado
16 de Novembro de 2015
Partilhar no Facebook

Não será de todo desproporcionado dizer que os tristes acontecimentos registados em Paris que enlutaram a França e o Mundo foram perpetrados tendo em vista a dimensão do desporto e do futebol, e à inevitável concentração de massas que a modalidade mais insensada do planeta arrasta. Na 6.ª feira era expectável um aumento exponencial de pessoas na capital da Luz por ocasião do França-Alemanha, e esse facto terá de alguma forma influenciado a pérfida decisão que vitimou mais de uma centena de pessoas.

A situação que ocorreu infelizmente, apesar do tremendo impacto de causou não pode, no entanto, ser considerada como uma completa surpresa. Os antecedentes eram cada vez mais conclusivos e a isso não é alheio um certo complexo da descolonização francesa, muito embora seja de longe um problema que ultrapassa fronteiras e em que a Europa em particular se tornou um alvo demasiado apetecido e vulnerável. A grande Paris que encontra réplicas nas principais cidades gaulesas, tem vindo paulatinamente a ver crescer uma população que é hostil ao seu próprio país e fonte de alimento a movimentos radicais que aproveitam todos os momentos para se fazerem notar. Esta situação tem vindo a ser explorada em termos políticos pela extrema direita francesa que não pára de crescer.

Está previsto como todos sabemos, para daqui a uns meses, a realização do Campeonato da Europa de Futebol em solo francês. Isso leva-nos mais uma vez numa dose de especulação calculada, a interrogar-nos se deveremos permitir que a dúvida e o receio se instalem no seio das mentes mais sensíveis e vulneráveis. Embora reconhecendo a complexidade do problema, vacilar nesta análise será abrir caminho a cedências e ao avanço da barbárie que ameaça a Humanidade em todos os seus alicerces. Vivemos hoje em dia uma conjuntura tão complexa como radical devido a um conjunto múltiplo de razões, mas isso não deve permitir nem impedir os Homens de boa vontade de exercerem firmeza de carácter numa hora assaz difícil. É, nestes momentos, que não se deve nem pode hesitar.

Por via do ocorrido, os espaços noticiosos e a multiplicidade de comentaristas e opinadores que inundam os media concentraram as suas atenções neste acontecimento de grande magnitude, o que se compreende. Foi por isso relegado para segundo plano o panorama político e a viagem reflexiva à Madeira do Presidente da República em tempos de indecisão e, numa outra vertente, os assuntos comezinhos do desporto português e particularmente do futebol onde até o adepto-presidente esteve longe de atingir as audiências a que se começou a habituar fruto de uma campanha de promoção intensamente seguida por grande parte da imprensa.

É certo que o interregno para jogos de preparação da Selecção portuguesa também ajudou embora não tenha merecido o destaque que em si justificaria, mas isso há muito que é um dado adquirido em que apenas e só os fait-divers clubistas alimentam, e de que maneira, o dia a dia dos espaços noticiosos e por extensão os adeptos. Uma situação que não deixa de ser estranha, pois desde que bem dimensionado o enquadramento das Selecções (o que convenhamos nem sempre acontece), a colisão entre ao interesses dos clubes e os da Selecção seria esbatida e sem necessidade de confrontações. Este é um aspecto que devia ser revisto pela FIFA pois existem insuficiências a solver.

Tivémos pois, parodoxalmente, um período mais limpo, aparte algumas situações que não sabem viver num mundo onde as especulações se circunscrevam apenas e só ao necessário. Quando não há assunto inventam-no ou recorrem a mais episódios de temas já intensamente debatidos mesmo que os argumentos façam parte de um entediante déjà vu. Felizmente para eles vem aí um ciclo terrível para o Benfica e isso provoca animação e entusiasmo sempre na perspectiva, claro, da hipoteca da época ser feita já em Novembro…








Bookmark and Share