Ponto Vermelho
À terceira é tempo de dizer basta!
22 de Novembro de 2015
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1. Foi afirmado por diversas vezes por analistas descomprometidos que a presente época seria crucial para determinar até que ponto o bicampeonato conquistado pelo Benfica seria o ponto de partida para o estabelecimento de uma nova hegemonia desportiva ou, se quisermos, para o início de um novo ciclo. Vimos também que já na anterior o FC Porto fazendo das tripas coração e encetando uma fuga para a frente com consequências que se farão sentir mais à frente, tinha feito figura de clube rico gastando aquilo que não tinha, para impedir a repetição da conquista do título pelo Benfica.

2. Falhados os objectivos, os portistas enveredaram pela mesma estratégia, a que se juntou o Sporting subitamente convertido ao novo riquismo pagando a um treinador algo inimaginável no plano nacional (e até internacional) como se vivesse na abastança e de repente tivesse aterrado em Alvalade um vagão de euros convertidos de proveniência desconhecida, mas suficiente para alimentar o ego desmedido do homem que recusou o AC Milan por não estar à altura do seu desafio sublime. O Benfica passou assim a ter, não um mas dois adversários convergentes nos objectivos, leia-se impedir a todo o custo e por todos os meios, que os encarnados viessem a alcançar o tri.

3. Como se essas ameaças reais não bastassem (e nem sequer estamos a falar da fuga do treinador para o seu clube do coração mas não da carteira), o Benfica que tinha encontrado as mais sérias resistências na pessoa para quem o campeonato português é o princípio, o meio e o fim das suas ambições, colocou, finalmente, em prática o projecto que tinha idealizado para fazer face às dificuldades que já vinha a sentir, motivadas pela alteração da conjuntura económica e que exigiam que as medidas reclamadas não fossem adiadas por muito mais tempo. Mesmo que isso acarretasse riscos, até porque no futebol nunca existem garantias absolutas. Veja-se o caso do Chelsea na presente temporada.

4. Tendo em conta os novos dados em equação, era de prever que o Benfica iria enfrentar dificuldades acrescidas ainda por cima em duplicado, com menores possibilidades competitivas tendo em conta diversos factores a começar pelas lesões de longa duração de elementos nucleares, uma situação que infelizmente passou a ser recorrente no quotidiano benfiquista. Poder-se-á concluir, assim, que o Benfica, para além de ter de lutar contra a dupla concorrência, iria fazê-lo com menos recursos e, naturalmente, com o período de transição e adaptação da nova equipa técnica.

5. Por todos esses factores não foi surpresa a pré-época que, é bom lembrar, rivalizou com a anterior. Para além dessa realidade houve como que um regresso às origens, em particular à sistematização de prejuízos arbitrais que ainda vieram complicar mais a situação. Só iremos falar dos mais evidentes e com influência directa no resultado. O portuense Jorge Sousa no Estádio do Algarve deu o pontapé-de-saída na Supertaça ao não assinalar um penalty contra o Sporting sobre Gaitán. Aveiro com o Arouca veio a seguir, com o algarvio Nuno Almeida que através de um penalty não assinalado e da anulação de um golo limpo, surripiou três pontos aos encarnados. Mas antes, na 1.ª jornada, já o albicastrense Carlos Xistra tinha dado a vitória ao Sporting frente ao Tondela através de um lançamento duplamente irregular.

6. Depois, na 8.ª jornada tivemos de novo o inefável Xistra que continua a sua propensão para prejudicar o Benfica, a perdoar um penalty ao Sporting sobre Luisão que poderia, quiçá, vir a escrever outra história num derby em que os leões vieram a justificar posteriormente a vitória sem que, com o resultado já feito, outro penalty sobre Gaitan voltasse a não ser marcado. Entretanto, nas jornadas 9.ª e 10.ª mais do mesmo: o bracarense Jorge Ferreira e o famalicense Cosme Machado voltaram a conceder os 3 pontos ao Sporting.

7. E chegámos à eliminatória da Taça de Portugal com Jorge Sousa de regresso. Já depois do Sporting ter chegado à vantagem no prolongamento, Luisão foi abalroado dentro da área por João Pereira. Penalty mais do evidente menos para Jorge Sousa. Com a agravante que o lance haveria de remeter o capitão do Benfica para o hospital com paragem prolongada. Sem que antes, no capítulo disciplinar não tivesse praticado dualidade de critérios, com Slimani e Adrien a destacarem-se e a provar que no plano nacional raríssimo seria o jogo em que completariam os 90 minutos.

8. Reconhecendo o trabalho difícil dos árbitros e as pressões a que estão sujeitos, temos evitado entrar pelo caminho da crítica sistemática, um plano em que, para além dos rapazes do costume, tem assumido particular destaque o adepto-presidente, o ajudante que não estava à espera de regressar ao futebol, para além de outros compagnons de route que têm aproveitado a boleia da verborreia, da maledicência e da ofensa, perante o silêncio dos órgãos dirigentes do futebol, a começar pelo Presidente da Liga. Há limites para tudo e como não vemos intervenção de quem de direito, chegou a altura em que não poderemos mais ficar calados. Doravante, a persistir este estado de circunstâncias, deverão os benfiquistas não calar mais a sua voz de revolta!




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