Ponto Vermelho
Tudo é decisivo!…
1 de Dezembro de 2015
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1. A avaliar pelos comentários cruzados que todos os dias demandam os órgãos de informação, todos os jogos do Benfica esta temporada são decisivos… Uma forma pouco subtil de aumentar a pressão sobre a equipa benfiquista e, simultaneamente, afastar as preocupações de outras paragens, algumas até aqui bem perto. São estratégias, já as conhecemos de sobejo, mas no entanto ainda continuam a ter sucesso porque no mundo benfiquista, por uma razão ou por outra, ainda existe quem as acolha e as propague. Mas enfim, isto são os inconvenientes do universo encarnado ser tão democrático desde sempre.

2. O facto do futebol ser vivido no presente e no imediato não invalida nem desculpa que não se possa e deva fazer análises que nos ajudem a perceber de forma actualizada e com os dados disponíveis a posição de cada época e de cada momento, e não apenas dar largas a euforias desmedidas ou assumir tristezas e depressões sem fim devido às várias consequências que conduziram ao presente. Tem sido esse, a nosso ver, uma das razões principais para que o mais pequeno incidente seja qual for a sua natureza seja empolado até ao tutano, influenciando assim os que se perfilham como mais débeis em termos psicológicos.

3. As reacções intempestivas de alguns benfiquistas à saída de Jorge Jesus foram, por um lado, um sinal de que as emoções convergiram unicamente para o reconhecimento dos feitos e uma completa negação dos fracassos, e, por outro, o óbvio; – a passagem para o outro lado da 2.ª circular. Comprovou-se assim, mais uma vez, que a obtenção de êxitos nacionais imediatos, fez esquecer o essencial da questão que é analisar e discernir se o caminho é o mais certo e adequado à conjuntura e à criação de bases sólidas que ajudem a consagrar o futuro; – o imediato e o mais distante.

4. As vitórias inebriam e fazem descurar aspectos de natureza estrutural que ajudem a que no futuro essas mesmas vitórias não sejam consequência do repentismo do momento mas sim apoiadas em bases sólidas e consolidadas. O Benfica, a par dos êxitos retumbantes que obteve ao longo dos seus 111 anos de história e que o consagraram definitivamente como um dos grandes clubes mundiais de referência, sempre viveu com dificuldades dando grande ênfase ao futebol profissional como seu veículo transmissor. Felizmente que salvo momentos conturbados que a história fez questão de registar, sempre teve o golpe de asa indispensável para conviver em paralelo com o seu ecletismo e, nos tempos mais recentes, com a criação de um leque muito diversificado de estruturas.

5. O final de 2008 obrigou, quer queiramos quer não, à mudança de paradigma e à aceitação da realidade que se vinha empurrando para a frente até ao momento em que as condições se alterassem drasticamente. É certo que a crise, como sempre acontece, demorou algum tempo até ser realidade absoluta, mas o facto de tudo continuar na mesma de forma aparente, criou a falsa ilusão de que este cantinho estaria imune às consequências que inevitavelmente haveriam de chegar. Mais cedo ou mais tarde.

6. Dirão alguns que agora é fácil afirmar isto. É verdade. Mas também é real que a relação fria do binómio custo-benefício tendo em conta o futuro, apontava para que houvesse antecipação de uma opção sem dúvida dolorosa mas inevitável face às expectáveis consequências da conjuntura. Aparte o pormenor decisivo da secagem das tradicionais fontes de financiamento, a realidade incontornável é que o Benfica, tal como o país, não podia por muito mais tempo continuar a suportar um serviço de dívida tão elevado e simultaneamente continuar a crescer de forma sustentada em todas as vertentes a começar no futebol profissional.

7. Os sinais e os apelos já vinham sido transmitidos e a demora prendeu-se com a obstinação de quem estava obsecado pelas vitórias, sem obviamente ter de se preocupar sobre as dificuldades de criação de condições materiais para as atingir. De concreto essa questão concreta parece ultrapassada e, como seria expectável, as consequências não demoraram a chegar. Este tipo de opções, como tudo aliás, são discutíveis sobretudo se não conduzirem a êxitos imediatos. A grande maioria dos adeptos pauta-se pelo periscópio das vitórias e quando elas não surgem com a cadência a que estavam habituados reagem de forma negativa, sem se darem ao trabalho de analisar de forma simplista os porquês. Talvez seja a altura de o fazerem sem que isso afaste por completo a mágoa e a desilusão pelo trajecto. Mas acabamos de completar um terço da época e o balanço, quaisquer que fossem as circunstâncias do presente, estaria sempre na eminência de sofrer desvios acentuados. Para o bem e para o mal!






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